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Rio, 13 de junho de 2018. E Viva Santo Antonio

Ele nasceu em Lisboa, em 1191 e foi batizado como Fernando.  Em 1220 tornou-se franciscano e adotou o nome de António. Morreu em Pádua, em 13 de junho de 1231.  Foi santificado um ano depois de morrer, em 1232, uma das mais rápidas canonizações da história da Igreja. É um dos santos mais populares no Brasil e em Portugal. É padroeiro de Lisboa e Pádua, dos pobres, mulheres grávidas, casais e “quem quer” que deseje encontrar objetos perdidos. (*)
Santo Antonio
Obs: esta bela imagem me foi cedida pelo João Cândido Portinari, filho do artista, que posou como Menino Jesus para este quadro a óleo, célebre, pintado pelo gênio de Brodowski, SP, em 1942.

Mas é um santo sempre ocupado!

Primeiro, porque como ele é o santo “achador de coisas” — segundo o Padre Jorjão, (*) que sabe tudo e mais 10  e segundo o qual ele é melhor até do que São Longuinho para achar coisas perdidas — e entre esse “não achados” estaria o bom rapaz para as meninas casamenteiras. E como no interior, antigamente, os moços e moças sabendo da sua fama iam às missas do dia 13, muito casamentos resultaram desses encontros. Donde o santo casamenteiro. Um enredo menos romântico, e espanhol “por supuesto”, conta de uma jovem que tendo feito piamente uma novena para Santo Antônio (em “brasileiro” o acento é circunflexo) e não tendo encontrado pretendente, jogou – zangada — a estátua dele pela janela. E a estátua (claro!) caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Este gritou tanto que ela foi correndo ajudá-lo. Levou-o para dentro e tratou de seu ferimento com tanto carinho que … adivinhem o desfecho!

Numa vertente menos belicosa, mas não menos sacana, havia a tradição de colocar Santo Antonio de cabeça pra baixo num copo d’água, até aparecer o noivo.

Curiosidade: nunca soube de homem pedindo noiva para Santo Antônio! E para concluir esse lado cupido há uma leitura complementar que reforça esta associação entre Santo Antonio e o casamento.  Na maioria das imagens, ele “aparece” carregando um bebê (Menino Jesus) nos braços. Na projeção feminina, como convém a um maridão bom pai!

Segundo, porque o povo chama de santoantonio, tudo junto, aquele cepilho (morrinho) da sela de cavalos que os  inexperientes (se) agarram pra não voarem fora no galope. (Achar o equilibrio?) Parece que se usa o termo, também, para a peça que protege a cabeça nos jipes e carros conversíveis.

E terceiro,  porque é ele quem abre as festas juninas em todo o Brasil. E haja trabalho!, sobretudo no Nordeste onde elas duram o mês inteiro e são mais populares do que o próprio Carnaval. Dança-se quadrilha — congada, em Minas, bumba meu boi, no Maranhão — montam-se arraiais, quermesses, fogueiras e folguedos. E haja sanfona, matracas, triângulo …

Dançando a quadrilha

 

E come-se tudo que engorda.

milho verde

Salgados, sobretudo feitos com milho,  já que é o mês da colheita, além de leitão, frango da roça, bolinhos de carne, linguiça assada, mungunzá, queijo coalho, etc. E doces: arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce e o que mais estiver no prato.
E bebe-se. Além de muita pinga,  o tradicional quentão de vinho, uma espécie de grogue europeu traduzido “pro arraiá”.
Aí vai uma receita compartilhada a esmo, do youtube. É servido em copinhos de vidro “sem asas” ou em canecas. Alguns, ganham uma colher de chantilly com canela em pó por cima.

Bom, tudo muito bonito, adoro Santo Antonio mas, com todo o respeito, pergunto eu: não dava pra ele “achar” um vinhozinho sem tanto gari-gari em cima?

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