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Rio, 10 de julho de 2018. Nem tudo acaba em pizza

A pizza é um dos pratos mais populares do mundo, sendo que a original, italiana de Nápoles, é composta de um disco de massa de farinha de trigo fermentada e assada em forno à lenha, coberto com molho de tomate, com algum tipo de queijo e manjericão em cima.  Esta pizza napolitana foi tombada como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco, no ano passado.

(foto de Fabio Bergamasco, fotolia, do site francês Planeta Futuro)

Dos queijos, o parceiro mais comum é mozzarella de búfala (*). Mas, hoje, há centenas de variações: a começar pela massa integral, pela massa sem glúten e sem lactose e pelas não-massas como base. No lugar, beringelas,  brócolis, couve-flor ou tapioca. E recheios que vão de carne moída a bacon, chourizo, cebola e azeitonas pretas, frango, anchovas, alcaparras,  rúcula com tomates secos, quatro queijos, chocolate e… até “cozida” em 3D, pela Nasa (para astronautas).

Nasa pagou 125.000 dólares (96 mil euros) à “Systems and Materials Research Corporation”, com sede em Austin, no Texas para desenvolver esse projeto. Anjan Contractor, engenheiro e fundador da empresa foi o responsável pela criação dessa pizza pronta para consumo. E estuda, agora, a adaptação de uma série de outros pratos, inclusive chocolate.

Segundo a literatura, este prato popular remonta à fase final da Antiguidade e a origem da palavra pizza tanto pode proceder do alemão “bizoo” que significa pedaço de pão, quando do grego “pitta” (bolacha/torta). Gosto dessa versão, porque já há três séculos antes de Cristo, os gregos costumavam acrescentar ao pão coberturas saborosas como carne e cebola. E como o pão deles era parecido com o pão sírio que conhecemos hoje em dia, redondo e chato, como um disco, tem cara de bolacha.

Seja como for, esse “casal” pão e tomate é a marca de Nápoles e a pizza era vendida nas ruas, aos pedaços. Segundo Dias Lopes, a primeira vez em que a pizza ganhou status de iguaria e foi parar num palácio,  foi em 1889 quando o pizzaiolo Raffaele Esposito compôs a Pizza Margherita em homenagem à rainha homônima que foi uma pioneira da gastronomia ítalo-francesa. Foi assim: os reis italianos Umberto I e a mulher, Margherita,  estavam passando uma temporada na cidade e quiseram provar o famoso quitute. Mas como não ficava bem para a nobreza ir à uma pizzaria, pediram, então, para ela ser entregue em casa. E além do delivery o napolitano bajulador preparou a pizza cobrindo-a com muçarela (estranho, com ç mas é o correto em português), tomate e manjericão, ingredientes com as cores da bandeira italiana, para homenagear as altezas reais.

                                               

Margherita de Saboia (1851-1926

Muitos anos depois o então presidente argentino Carlos Menem costumava reunir amigos e políticos na Quinta de Olivos e servia “pizza con champagne!”

Curiosidade: o site hridiomas localiza a expressão “tudo acabou em pizza” como originário da linguagem do futebol, a partir do seguinte episódio. Na década de 60, alguns cartolas do Palmeiras se reuniram para resolver problemas do clube e passaram 14h seguidas discutindo; por fim, exaustos e famintos,  foram à pizzaria mais próxima e pediram 18 pizzas gigantes e muito chope. Não deu outra: as brigas e altercações da tarde cederam lugar a gargalhadas, tapinhas no ombro e demonstrações de grande camaradagem. O repórter Milton Peruzzi, que trabalhava na Gazeta Esportiva, cravou a então a seguinte manchete no dia seguinte: “crise no Palmeiras acaba em pizza!”

(*) Mozza, em italiano, significa leite de búfala ou de vaca talhado. Essa denominação se deve à espécie de fungo usada para talhar o leite, chamado “mozze”. Donde, mozzarella

Final: nem tudo acaba em pizza, como diz o título. Hoje ela é uma iguaria universal e popular há mais de 100 anos.

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