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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 30 de agosto de 2018. Restaurantes em Londres (1)

Quando passei uns 40 dias em Londres, em fins de 1967, fazendo um curso no St. Giles School (visando o Itamaraty que nunca foi), comia-se mediocremente na Inglaterra. Parecia que o Eca de Queiroz contiunuava a repetir: o ingles eh um gajo que se veste bem — pra comer mal. Pagou caro a boutade. Londres, hoje, eh um show de variedade e qualidade gastronomica. Agora, por exemplo, vou falar de um grego.

Par^enteses: um grego? Moram aqui milhares. Mas hoje vi passar no Bentley preto o mais famoso deles (ou ser’a o Onassis?): o príncipe Philip, o atlético heleno (hoje, com 97, bastante acabado!) que nasceu na Villa Mon Repos, localizada na ilha de Corfu, em 10 de junho de 1921 e aos 18 anos (1939) entrou para Marinha Real Britânica.

E conquistou a jovem Elizabeth.

20131023-A raínha Elizabeth em 1945

Uma moça “quase normal”, mas com um sentido de missão que se iniciou como enfermeira, durante a guerra e se consagrou nesses longos 66 anos de reinado.

Casaram-se em 1952, numa cerimônia que povoou o imaginário de milhares de pessoas.

20131022-casamento da Raínha com Philip

Não, o grego do meu assunto deste blog é um dos mais criativos restaurantes de Londres : o MAZI.

Fica em Notting Hill e como o nome sugere é uma cozinha elaborada a partir dos ingredientes “achados” no mercado — e a proposta eh serem compartilhados.

Mazi significa juntos e supõe um conjunto (ploenasmo?) de pequenas comidas. Detalhe:  cada prato é servido quando fica pronto — nada é pré-preparado.

A casa é acolhedora, mas sem luxo, Poderia ser uma casa de família (grega) de bom gosto! Dois salões e um jardinzinho contíguo, com mesinhas.

20131023-visual do Mazi

Sugiro irem mais de quatro pessoas (repito: o charme é provar um pouco de cada segmento) e escolherem duas ou três opções dos subtítulos — JARS (potes, ou seja entradinhas); SALADS, HOT PLATES; SIGNATURE DISHES e DESSERTS.

Dos primeiros, recomendo uma Spicy Tiropita, torta de queijo feta crocante com pimenta leve e um iogurte com pepino, tomate, dill … e alho.

A salada pode variar da típica grega para uma de atum com beterraba e queijo de cabra. (Eles também produzem os saborosos myzithra, kaseri e kefalotiri, em geral comidos com hortelã em cima).

Já nos “pratos quentes” a nossa escolha foram pratinhos de Courgette Cake, abobrinha, pepino e menta; Feta Tempura with lemon marmalade and caper meringue, o começo está claro mas caper é alcaparra; Cod Souviaki with pork strip in rice paper, pedacinho de bacalhau e filezinhos de porco, envoltos em papel de arroz; Pork Tenderloin, celery and avgolemono sauce, lombinho de porco com molho de ovo e limão grego.

20131022-prato grego

Finalmente (nos salgados), Lamb Duet of saddle and cutlet, tzatziki spring roll, costeletinhas de carneiro com iogurte, alho e pepinos; Beef Filet kontosouvil, fume tomato pulo, flé de porco com folha de uva e polpa de tomate.

20131023-porco enrolado em papel de arroz

Ufa! E, de sobremesa, um Greek Yoghurt mousse, grape pudding and cinnamon rusks, uma musse de iogurte grego com pudim de uvas e canela.

Duas ampolas de Gerovassiliou Avaton 2006, um tinto da Macedônia que segundo o Marcelo Copello, é elaborado com as casta Limnió, Mavrotraganó e Mavroúdi (várias uvas locais plantadas mescladas). Amadurece 20 meses em barricas novas de carvalho francês. Cor vermelho- granada escuro. Aroma denso, com frutas negras maduras, amoras, ameixas, madeira, baunilha, ervas, violetas.

E uma conta per capita de cerca de 60 libras. Que valem cada “penny”.

Endereço: 12-14 Hillgate Street – tel 020-72293794 a dona é a simpática e tolerante (até ender grego!) Christina, que obviamennte fala um inglês impecável e o site é www.mazi.co.uk

Nâo percam! PS: esta semana irei provar um outro grego de grande fama: Lemonia. Como dizia o Ibrahim, depois eu conto.

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Rio, 23 de agosto de 2018. Turismo

Até meados do século 19, quem nascia num lugar (e se
fosse vilarejo, pior ainda) dificilmente conhecia outros
lugares – salvo missionários, soldados ou marinheiros.
Uma lei e dois homens mudaram radicalmente esse
panorama, dando início ‘a maior indústria não poluente
do planeta”: o Turismo.
E a Inglaterra entra com dois grandes vetores: a 1º Lei
Trabalhista formal, em 1802, promulgada em Londres,
que entre outros benefícios proíbia o trabalho de menores
e fixava jornadas de trabalho. Ou seja: criou o dia de folga
semanal.
Reservem esse dado. Segundo movimento: um norueguës
naturalizado inglês – Thomas Cook — percebeu que
mesmo as elites inglesas cresciam e viviam em seus
castelos, nos campos e não conheciam o condado
vizinho a 100km de distância, ou as capitais das cidades importantes da região.

Bolou, então, uma
excursão a Londres e levou 570 pessoas. Aí percebeu
que precisava prever o timing da ida e volta, reservar
hotéis e restaurantes — tudo a bom preço. Foi um
sucesso e ele, claro! criou a sua (primeira) agência de viagens.
No passo seguinte confeccionou mapas, roteiros e fotos
sedutoras de lugares bonitos. Com mais o dia de folga,
que na sequência das leis complementares (Carta
Magna da Suiça, em 1884) foi estendido para um
período de desanso, estava criada a cadeia produtiva que
abastece o turismo: agente de viagem, férias, acomodação e
transporte.
E falando em transporte, entra agora em cena o terceiro protagonista,  o nosso
brasileiríssmo Santos Dumont que criou o avião,
encurtando distâncias (entre outras conquistas:
transporte de cargas, correspondência e
medicamentos, etc.)

Hoje, bilhões de pessoas voam por ano de um ponto a
outro do planeta.
No caso do turista, em busca de
uma nova experiência. De ser surpreendido. E para não nos
perdermos nas rotas do mundo, vasto mundo, vamos
focar o nosso Estado do Rio.

São 92 municípios que formam um
mapa de riquezas que por sua vez traduz, ao mesmo
tempo, diversidade e convergência.
Praias e restingas, mares e lagoas, serras e planícies,
moda e culinária, religião e crendices, cachaça e cerveja,
voo de pássaros e trilhas, fauna e Flora. Desafio e
promessa.
E convergência, porque expressa o pulsar de uma
economia criativa, geradora de emprego e
oportunidades, que se move do campo para as cidades,
do mar para a terra.
Temos problemas, claro, nem me falem. Mas esse náo é o foco deste blog. Portanto, viagem pelo interior fluminense!

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Rio, 16 de agosto de 2018. Gastronomia 2038

Neste mundo do politicamente correto (?), projetemos como será a vida daqui a 20 anos. Um casal chega a um restaurante para jantar. O maître se aproxima e a madame informa que está com pouca fome e quer, apenas, uma omelete. Já monsieur, não. Pede filé Chateaubriand com legumes sautés. Passo seguinte, pergunta a mulher: mas os ovos são orgânicos? De galinhas que ouvem música (clássica, é claro), antes da postura? Quero ver o filme da granja e o “cardápio” da ração delas!  O marido, na sequência, também se manifesta: e eu desejo ver o vídeo do abate do boi. Quero avaliar se ele sofreu muito quando sacou que ia para o “corredor da morte”. ou estava farto desta vida?

Bom, mas nem precisamos ir tão longe. Mesas com touch screen e garçons-robô já existem.

O Inamo, em Londres, por exemplo, é todo digitalizado. Você escolhe o prato e a bebida e, automaticamente, confere numa janelinha eletrônica o preço, as características da bebida, etc. E enquanto espera, entra no Time Out digital e estuda a programação de teatros, cinemas e outros “ativos” da cidade. Inclusive o mapa do metrô.

Em Xangai, na China, robôs servem num restaurante que está bombando.

Mas já que (já que!) estamos projetando para 20 anos as experiências gastronômicas, vamos imaginar como a alta tecnologia pode nos ajudar a ajustar certos confortos no serviço da restauração.

Ar condicionado, pivô de grandes brigas entre calorentos e friorentos. Solução: ar condicionado individual. Uma bolha invisível – sei lá – e transparente, envolveria cada cliente e a partir de um aplicativo no iPhone cada um regularia a temperatura exclusiva para si.  Por mim, pode nevar.

Sinalização de banheiros femininos/masculinos/LGBT. No hall que antecede o espaço-toilette, um holograma acenderia a figura de um homem, uma mulher e um casal gay – do banheiro que estiver vazio. De tempos em tempos, os gays seriam masculinos ou femininos. Acabaria a faca de peixe – já devia ter acabado – e o decanter, pois toda garrafa de vinho já viria com um aerador descartável pendurado no gargalo. Balde de gelo para espumantes então iria para o museu; um chip instalado na adega acompanharia a garrafa enquanto estivesse cheia.

Bom, quanto à localização dos restaurantes, haveria aqueles que mudam de lugar todos mês – espécie de rest-trucks – e até aqueles embaixo d´água, como já existem o Red Sea, na área de resorts de praias de Israel (5 metros abaixo, no Mar Vermelho).

E com mesa no teto também já existe. No Assinatura, em Lisboa (na verdade para significar que o chef vai virar a culinária tradicional de pernas pro ar), há uma mesa posta, com copos, tudo, pendurada.

Finalmente, vamos aos ingredientes. O mundo gastronômico caminha para a exacerbação das matérias-primas. Nesse “planeta futuro”, então, a discussão sobre a origem e qualidade de cada ingrediente será questionada ao vivo e em tempo real (vide primeiro parágrafo). Por exemplo: os pratos virão acompanhados de fotos, vídeos e gráficos indicando quantas chuvas aquele tomate “sofreu” até conseguir aquela cor; atestado do INPI garantindo a indicação de origem — segundo o craque Breno Neves, quando todos os componentes são da mesma região e reunidos pelo fabricante para finalizar o produto — e/ou a denominação de procedência, quando o carimbo apenas assegura que o produto partiu de um local específico.

Além dos direitos autorais. No caso de um galeto “al primo canto” o cocorocó é propriedade do galinho ou do dono da granja? E será que nessa época vamos exigir o CPF de uma cebola?

Só sei que sinto saudades do meu tempo de estudante em Paris, (1965-68) (e quantas! e como! ) e das refeições no Le Polidor (Rue Monsieur Le Prince, do outro lado da Rue Cujas, no Bvd Saint- Michel) onde o troco (“la monnaie) vinha dentro da cesta de pão – misturado aos pães. E quando chegava o cliente seguinte, o Jean Pierre reenchia a cesta com mais baguettes cortadas em cima de moedas de centavos de francos!

Ninguém morreu: ao contrário, muitas crianças nasceram…

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Rio, 9 de agosto de 2018. Eleições e Drinques

Eencerraram-se as convenções dos partidos para lançar seus candidatos à presidência da República e agora começou o duro “boliche” que vai até 7 e 28 de outubro deste ano.  Em todas as rodas e mídias se fala de candidatos e aí o calendário dá aquele salto para trás: ah, eleições! Já fui mesário (e presidente de mesa) umas quatro ou cinco eleições e tive que pedir ao Papa pra me tirar da jogada, se não estaria lá até hoje! E atenção: a contagem dos votos era nominal!

Mas o meu barato era ser eleitor, votar. Por pouca sorte, quando fiz 18 anos (1963) estava todo empolgado para o JK-65 e…  não houve eleição presidencial. Nem em 65, nem 70… e  passaram-se 24 anos até o Collor, em 1989!

Mas, calma lá!  Votei no plebiscito de 1963 para devolver ao Jango a presidência plena.

E votei para governador da Guanabara em 1965. Além de eleições para deputados, senadores, prefeitos e vereadores, mas quase todos levaram o meu voto (“ e os meus planos, meus pobres enganos, os meus 20 anos…” como na Rita, do Chico). O importante é que naquela época a gente levava a sério o ato de eleger nossos representantes. Cheguei a ir para a fila de votação, de terno (aliás era proibido calção/maiô, bermuda, chinelo, etc) e se a fila era do lado de fora dos colégios, bancos e outros estabelecimentos que abriam especialmente no domingo, a gente ficava de pé, avançando devagarinho com ar de mistério para esconder civicamente em quem iria votar.

E o que é pior: bico seco! O artigo 347 do Código Eleitoral que prevê a Lei Seca, isto é, a proibição de vender e consumir bebidas alcoólicas em público nos dias das eleiçoes,  funcionava no Rio até uns vinte anos atrás. Como a lei outorga a decisão aos governos de estados e municípios, muitos ainda hoje mantêm a proibição.

Aqui,  graças a Deus,  o TER-RJ parou de achar necessária essa medida para garantir a ordem: alelulia!

Mas mesmo no tempo da vigência da Lei Seca eleitoral no Rio,  bares e restaurantes — assim como os americanos durante a deles (anos 1920-30) – apelavam para os mesmos artifícios: “fingir” que serviam drinques sem álcool (?). Aliás, nem por acaso lá eles os batizaram de cocktails, porque eram tão coloridos que pareciam rabos de galos (cock + tail). Mas, claro, tinham como princípio ativo Rum, Bourbon, Gin, Vodka, por aí,  misturados aos sucos ou infusões.

Aqui no Rio o campeão foi o Rum, com o Cuba Libre.

Receita: 2 doses de rum, pedras de gelo, Coca-Cola ou refrigerante de cola, suco de 1 limão e 1 rodela de limão/laranja para decorar

Em segundo lugar, entrava o Hi-Fi

Receita: 2 doses de vodka, pedras de gelo, Fanta laranja (Crush) ou suco da própria fruta, gelo picado e o que mais viesse: cereja, ou rodela de limão na borda

E para as moçoilas desabituadas ao hard alcohol tinha o Pippermint

Receita: 2 xícaras de leite semidesnatado, 2 xícaras de creme de leite fresco, 1 xícara de açúcar, 1/2 colher (chá) de sal, 1 colher (chá) de baunilha,1 colher (chá) de essência de menta e (opcional) + 180 g de chocolate meio-amargo em gotas ou picado.

Observação: como era docinho, elas achavam “inocente” e bebiam duas, três taças durante uma tarde dançante; aí com Ray Charles no piano do disco era o céu ao alcance da mao … boba.

Depois vieram (ou já existiam para os coroas da alta roda) os Bloody Mary, Dry Martini, Negroni, Cosmopolitan e outros.

Destes, o de que minha mulher mais gosta é o Horse’s Neck (até porque realmente parece o pescoço de um cavalo).

Receita:  2/10 de brandy,  8/10 de ginger ale,  1 dose de Angustura bitter (opcional), casca de limão ou laranja, cereja.

Modo de preparar:
Descasque um limão ou laranja em forma de espiral.
Coloque uma das extremidades da espiral sobre a borda de um copo long drink, de modo que o resto da casca desça, enrolada, dentro do copo.
Monte o drinque colocando gelo quebrado no copo, depois o brandy e o ginger ale.
Por fim, o bitter.
Decore com uma cereja e sirva com um canudo

Obs: Estes e outros clássicos consagrados pelos manuais de drincologia têm que obedecer às seguintes especificações para merecerem o “título” de drinque: a combinação de duas ou mais bebidas, sendo pelo menos uma alcoólica e no qual costumam ser adicionados gelo, frutas ou ervas (aipo, menta), creme de leite, açúcar, etc.

Regra de ouro: todos os utensílios precisam estar hospitalarmente limpos.

Como seria bom que os candidatos também!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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