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Rio, 9 de agosto de 2018. Eleições e Drinques

Eencerraram-se as convenções dos partidos para lançar seus candidatos à presidência da República e agora começou o duro “boliche” que vai até 7 e 28 de outubro deste ano.  Em todas as rodas e mídias se fala de candidatos e aí o calendário dá aquele salto para trás: ah, eleições! Já fui mesário (e presidente de mesa) umas quatro ou cinco eleições e tive que pedir ao Papa pra me tirar da jogada, se não estaria lá até hoje! E atenção: a contagem dos votos era nominal!

Mas o meu barato era ser eleitor, votar. Por pouca sorte, quando fiz 18 anos (1963) estava todo empolgado para o JK-65 e…  não houve eleição presidencial. Nem em 65, nem 70… e  passaram-se 24 anos até o Collor, em 1989!

Mas, calma lá!  Votei no plebiscito de 1963 para devolver ao Jango a presidência plena.

E votei para governador da Guanabara em 1965. Além de eleições para deputados, senadores, prefeitos e vereadores, mas quase todos levaram o meu voto (“ e os meus planos, meus pobres enganos, os meus 20 anos…” como na Rita, do Chico). O importante é que naquela época a gente levava a sério o ato de eleger nossos representantes. Cheguei a ir para a fila de votação, de terno (aliás era proibido calção/maiô, bermuda, chinelo, etc) e se a fila era do lado de fora dos colégios, bancos e outros estabelecimentos que abriam especialmente no domingo, a gente ficava de pé, avançando devagarinho com ar de mistério para esconder civicamente em quem iria votar.

E o que é pior: bico seco! O artigo 347 do Código Eleitoral que prevê a Lei Seca, isto é, a proibição de vender e consumir bebidas alcoólicas em público nos dias das eleiçoes,  funcionava no Rio até uns vinte anos atrás. Como a lei outorga a decisão aos governos de estados e municípios, muitos ainda hoje mantêm a proibição.

Aqui,  graças a Deus,  o TER-RJ parou de achar necessária essa medida para garantir a ordem: alelulia!

Mas mesmo no tempo da vigência da Lei Seca eleitoral no Rio,  bares e restaurantes — assim como os americanos durante a deles (anos 1920-30) – apelavam para os mesmos artifícios: “fingir” que serviam drinques sem álcool (?). Aliás, nem por acaso lá eles os batizaram de cocktails, porque eram tão coloridos que pareciam rabos de galos (cock + tail). Mas, claro, tinham como princípio ativo Rum, Bourbon, Gin, Vodka, por aí,  misturados aos sucos ou infusões.

Aqui no Rio o campeão foi o Rum, com o Cuba Libre.

Receita: 2 doses de rum, pedras de gelo, Coca-Cola ou refrigerante de cola, suco de 1 limão e 1 rodela de limão/laranja para decorar

Em segundo lugar, entrava o Hi-Fi

Receita: 2 doses de vodka, pedras de gelo, Fanta laranja (Crush) ou suco da própria fruta, gelo picado e o que mais viesse: cereja, ou rodela de limão na borda

E para as moçoilas desabituadas ao hard alcohol tinha o Pippermint

Receita: 2 xícaras de leite semidesnatado, 2 xícaras de creme de leite fresco, 1 xícara de açúcar, 1/2 colher (chá) de sal, 1 colher (chá) de baunilha,1 colher (chá) de essência de menta e (opcional) + 180 g de chocolate meio-amargo em gotas ou picado.

Observação: como era docinho, elas achavam “inocente” e bebiam duas, três taças durante uma tarde dançante; aí com Ray Charles no piano do disco era o céu ao alcance da mao … boba.

Depois vieram (ou já existiam para os coroas da alta roda) os Bloody Mary, Dry Martini, Negroni, Cosmopolitan e outros.

Destes, o de que minha mulher mais gosta é o Horse’s Neck (até porque realmente parece o pescoço de um cavalo).

Receita:  2/10 de brandy,  8/10 de ginger ale,  1 dose de Angustura bitter (opcional), casca de limão ou laranja, cereja.

Modo de preparar:
Descasque um limão ou laranja em forma de espiral.
Coloque uma das extremidades da espiral sobre a borda de um copo long drink, de modo que o resto da casca desça, enrolada, dentro do copo.
Monte o drinque colocando gelo quebrado no copo, depois o brandy e o ginger ale.
Por fim, o bitter.
Decore com uma cereja e sirva com um canudo

Obs: Estes e outros clássicos consagrados pelos manuais de drincologia têm que obedecer às seguintes especificações para merecerem o “título” de drinque: a combinação de duas ou mais bebidas, sendo pelo menos uma alcoólica e no qual costumam ser adicionados gelo, frutas ou ervas (aipo, menta), creme de leite, açúcar, etc.

Regra de ouro: todos os utensílios precisam estar hospitalarmente limpos.

Como seria bom que os candidatos também!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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