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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 27 de setembro de 2018. O negócio do vinho

A excelente publicação francesa La Revue du Vin, traz matéria a respeito de 9 empresas start-ups de Nantes, que se juntaram para formar uma associação com o intrigante título “A Vinha Numérica”.

Observação: Start Ups são empresas recém criadas, de pequeno porte, com o foco em tecnologia e espírito empreendedor, em constante busca de um modelo de negócio inovador.

La Revue du Vin

E o que pretende a associação? Primeiro,  criar uma rede social para os vinicultores dessa região. Segundo,  criar um programa de relações com os compradores diretos – tudo em modo digital, ça va sans dire! — ou seja, negociantes e distribuidores de vinho.  Terceiro, e de acordo com o presidente da associação, Quentin de Molliens, estabelecer como objetivo-master a pedagogia. Ou seja, A Vinha Numérica se propõe a discutir e “ensinar” os nove membros a focar na otimização do manejo agrícola – plantio, controle de pragas, escolha do solo, etc – e, na outra ponta, as mais modernas técnicas de marketing (novos clientes), comercialização e pós-venda,  além de instrumentos de controle sobre o investimento e o retorno.

Mas essa consciência que não basta “gostar de vinho” — é preciso saber comercializá-lo — vem de longe, aliás.  Primeiro, apelando para a associação de imagens sedutoras. Já no tempo das inscrições e desenhos em ânforas, dos gregos, que datam de milênios, havia a intenção de fazer a diferença.

anfora romana

Intenção que só evoluiu aos longo desses milênios através de todas as plataformas de comunicação.
Seja na pintura, como nesse extraordinário Baco, de Caravaggio, do XVI

Baco de Caravaggio

Até e sobretudo na impressão dos rótulos, dos quais destaco um dos mais emblemáticos: a deste Pomerol, o Château Petrus, cujo frontispício (epa!) mostra São Pedro com as chaves do céu! toda a comunicação associa o vinho à elegância, sabor e beleza. Donde a presença da mulher (e que me perdoem as feministas mais aguerridas)
Château Petrus com chave

Donde a presença da mulher na imensa maioria dos “reclames” (e que me perdoem as feministas mais aguerridas) porque até para elas a silhueta de uma mulher ainda é um atrativo visual irresistível. Vejam, por exemplo, esse anúncio da Taittinger!
lìnstant Taittinger

E, segundo, percorrendo o caminho inverso do vinho na taça — isto é, os cuidados com a uva pendurada na parreira e, daí, toda a cadeia produtiva que se segue. Colheita, controle de qualidade, custos da vinificação, das matérias-primas inerentes, da mão de obra, prateleira, armazenamento, transporte, impostos e, finalmente, distribuição.

Ou seja, no Brasil (surreal), vinho bom e barato só na casa do amigo rico!

 

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Rio, 22 de setembro de 2018. Prima-vera e cerveja

Esse texto foi escrito pensando nesta primavera que se inicia por aqui no próximo 22 de setembro. Ela é o resultado do fenômeno que em astronomia se denomina EQUINÓCIO e que em latim significa dias e noites com igual duração (aequus = igual e nox = noite, que ocorrem na primavera e outono), por oposição aos Solstícios, em que no verão os dias são mais longos e no inverno, o inverso. E já que estamos no latim, vai mais uma: prima vera vem de “primeiro verão”. Tudo a ver.

Foto da Wikipédia

E para variar, em vez de falar(mos) de vinhos leves, brancos e rosés – e até da primeira escala dos tintos: Gamay, Pinot Noir… vamos “beber cerveja”.

A cerveja é provavelmente provenientes da Mesopotâmia (talvez mais precisamente a Suméria, atual Iraque),  mas foi no antigo Egito que ela iniciou a sua carreira.

Segundo o sábio grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), a cerveja entrou no cardápio dos egípcios na mais remota antiguidade. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto daquele povo pelo henket ou zythum, apreciados por todas as camadas sociais. Curiosamente e no movimento pendular da história, era totalmente artesanais.

Os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.

Foto Wikipédia da estátua no Museu do Louvre

Mas o que é uma cerveja, afinal?

É o resultado da fermentação alcoólica do mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  Outro ingrediente muito importante é o lúpulo. O lúpulo, como podem observar, é uma trepadeira de origem europeia e muito embora tenha parentesco com a maconha,  não possui propriedades entorpecentes.

Usa-se a flor do lúpulo, para acrescentar um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado, pois possui propriedades bactericidas e antioxidantes. E a adição do lúpulo à fórmula da cerveja — produzida até cerca dos anos 700 da nossa Era apenas com a mistura da água, malte e aromatizantes, como a camomila, o gengibre, o zimbro e o açafrão — serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo, como dissemos mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse rapidamente.

Além do lúpulo, dezenas de estirpes de fermentos naturais, ou cultivados, são usados pelos cervejeiros, o que resulta em duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus,  porque estupidamente gelado só chope e chope é bebida de verão – que felizmente ainda está longe!

Mas como falar de cerveja sem falar da Guinness é nonsense, termino com uma curiosidade. Graças à essa cervejaria se inventou o ar-condicionado (frio). E isso porque para ser produzida, a cerveja precisa ser refrigerada, especialmente na fase de maturação quando sua temperatura deve ficar em torno de 0ºC. Ora, como no verão europeu isso era impossível, o engenheiro alemão Carl von Linde desenvolveu em 1894 um revolucionário método de arrefecimento (técnica de Linde) para a liquefação de grandes quantidades de ar. E essa técnica ficou conhecida como contra-corrência: o ar é sugado para uma máquina que o irá comprimir, pré-arrefecer e, por fim, descomprimir.

Inventor ar-refrigerado
Ou seja, o Linde é o meu ídolo!

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