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Rio, 22 de setembro de 2018. Prima-vera e cerveja

Esse texto foi escrito pensando nesta primavera que se inicia por aqui no próximo 22 de setembro. Ela é o resultado do fenômeno que em astronomia se denomina EQUINÓCIO e que em latim significa dias e noites com igual duração (aequus = igual e nox = noite, que ocorrem na primavera e outono), por oposição aos Solstícios, em que no verão os dias são mais longos e no inverno, o inverso. E já que estamos no latim, vai mais uma: prima vera vem de “primeiro verão”. Tudo a ver.

Foto da Wikipédia

E para variar, em vez de falar(mos) de vinhos leves, brancos e rosés – e até da primeira escala dos tintos: Gamay, Pinot Noir… vamos “beber cerveja”.

A cerveja é provavelmente provenientes da Mesopotâmia (talvez mais precisamente a Suméria, atual Iraque),  mas foi no antigo Egito que ela iniciou a sua carreira.

Segundo o sábio grego Ateneu de Náucratis (século III d.C.), a cerveja entrou no cardápio dos egípcios na mais remota antiguidade. Inscrições em hieróglifos e obras artísticas testemunham o gosto daquele povo pelo henket ou zythum, apreciados por todas as camadas sociais. Curiosamente e no movimento pendular da história, era totalmente artesanais.

Os gauleses a chamavam de cerevisia em homenagem a Ceres, deusa da agricultura e da fertilidade.

Foto Wikipédia da estátua no Museu do Louvre

Mas o que é uma cerveja, afinal?

É o resultado da fermentação alcoólica do mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  Outro ingrediente muito importante é o lúpulo. O lúpulo, como podem observar, é uma trepadeira de origem europeia e muito embora tenha parentesco com a maconha,  não possui propriedades entorpecentes.

Usa-se a flor do lúpulo, para acrescentar um gosto amargo que equilibra a doçura do malte e possui um efeito antibiótico moderado, pois possui propriedades bactericidas e antioxidantes. E a adição do lúpulo à fórmula da cerveja — produzida até cerca dos anos 700 da nossa Era apenas com a mistura da água, malte e aromatizantes, como a camomila, o gengibre, o zimbro e o açafrão — serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo, como dissemos mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse rapidamente.

Além do lúpulo, dezenas de estirpes de fermentos naturais, ou cultivados, são usados pelos cervejeiros, o que resulta em duas famílias principais de cervejas: as lagers, de baixa fermentação, com aroma suave e as ales, de alta fermentação e sabor frutado, apresentando uma coloração que varia do dourado ao marrom escuro.

Todas devem ser tomadas a uma temperatura de 2 a 6 graus,  porque estupidamente gelado só chope e chope é bebida de verão – que felizmente ainda está longe!

Mas como falar de cerveja sem falar da Guinness é nonsense, termino com uma curiosidade. Graças à essa cervejaria se inventou o ar-condicionado (frio). E isso porque para ser produzida, a cerveja precisa ser refrigerada, especialmente na fase de maturação quando sua temperatura deve ficar em torno de 0ºC. Ora, como no verão europeu isso era impossível, o engenheiro alemão Carl von Linde desenvolveu em 1894 um revolucionário método de arrefecimento (técnica de Linde) para a liquefação de grandes quantidades de ar. E essa técnica ficou conhecida como contra-corrência: o ar é sugado para uma máquina que o irá comprimir, pré-arrefecer e, por fim, descomprimir.

Inventor ar-refrigerado
Ou seja, o Linde é o meu ídolo!

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