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Rio, 18 de outubro de 2018. E viva o ovo, de novo

Não, não é provocação no Dia do Médico (18/10).  Mas os doutores estavam equivocados: o ovo deixou de ser ficha suja e cúmplice do LDL.  Há nove anos, uma notícia devolveu a um dos mais antigos e familiares alimentos da história humana (3 mil a.C.) — o  ovo — o seu lugar no fogão e na água quente.

                         

Sim, para a gastronomia essa é uma data querida:  nove de fevereiro de 2009. (*) Nesse dia, o boletim de uma das mais conceituadas publicações do mundo alimentar – a Fundação Britânica de Nutrição – não só o absolvia o ovo de sua “culpa” de agente enfartador, como recomendava o consumo de um ovo por dia para uma dieta saudável.  E isso porque, continua esse estudo, o que provoca alterações genéticas no metabolismo do colesterol são os péssimos hábitos alimentares de alguns (ingestão de gorduras saturadas e gorduras trans), além de sedentarismo, obesidade e tabagismo. Ou hereditariedade. Não a gema do ovo.

E mais: como sempre acontece, um outro exaustivo trabalho de outra referência em estudos sobre alimentação – a American Society for Nutrition – entrou no jogo e confirmou que “o impacto do colesterol que vem dos alimentos  influencia pouquíssimo os níveis de LDL (o colesterol ruim) no sangue.  E a conta é essa: 100 miligramas (o equivalente a meio ovo) aumentam 1,9 miligramas do colesterol LDL do sangue”. E conclui : “é pouco”.  E isso graças a um fascinante mecanismo de defesa do corpo, comandado por três proteínas (NPC1L1, ABCG5 e ABCG8), responsáveis pela metabolização do composto e que tornam ineficientes quantidades muito elevadas do colesterol ingerido, já que apenas uma pequena parte do colesterol proveniente dos alimentos — cerca de 30% — é absorvida pelo organismo”.  Este relatório foi publicado em artigo da Adriana Dias Lopes, na a Revista Veja de 2016.

Ou seja, bem-vindo! Seja “você” aquele  ovo mexido com sal e pimenta,  ou  o ovo “mollet” (ovo quente, fora da casca) escorrendo em cima do arroz no jantar caseiro, ou aqueles “baveuses” na omelete da noite de domingo — ou os ovos como sobremesas (nevados ou com doces portugueses…)

(*) E ainda podemos ir mais longe, sem culpa: em restaurante estrelados (com trocadilho), chefs como Adoni Luis Aduriz, do famoso Mugaritz, em San Sebastian, recriaram os “huevos rotos” (pochês levemente fritos e, depois, descontruídos, com jamón)

assim como do outro lado da Mancha,o inglês Heston Blumenthal, do Dinner, no Hotel Mandarin Oriental, em Londres, reproduziu uma receita do século XV da cozinha portuguesa, “caldo de ovo”.

Ingredientes
  • cheiro-verde
  • 1/2 (chá) farinha de mandioca
  • pimenta-do-reino a gosto
  • 1/2 (colher de sopa) colorau
  • sal a gosto
  • 5 ovos
  • 3 colheres (sopa) de massa de tomate
  • 2 colheres (sopa) óleo
  • 1 litro de água
  • pimentão cortado em cubos a gosto
  • 1 cebola média cortada em cubos
  • 2 dentes de alho amassados
  • 2 tomates maduro cortados em cubos

Isto posto, temos que mesmo com toda a campanha contra, dos anos 60, o ovo nunca deixou de responder por certas missões: a) virar “santo” das barrigas de freira, dos pastéis de Santa Clara e outros religiosos da doceria portuguesa; b) continuar campeão de vendas – em chocolate – na Páscoa; c)  funcionar como filtro na indústria do vinho, de vez que a clara é utilizada para a “limpeza” dos resíduos que se misturam ao mosto das uvas e que uma vez aglutinados ficam pesados e “mergulham” para o fundo da barrica ou do tanque (e de lá são expulsos, por gravidade, pelo ralo dos mesmos).

E fora da alimentação ele é, ainda, a) objeto de design, como o clássico Ovo de Fabergé; b) de fé, (como os doados à Santa Clara – clareai! – para que não chova em determinada cerimônia/temporada; c) e de história – o Ovo de Colombo (que para mostrar a vitória da astúcia o colocou “de pé”, esmagando uma de suas extremidades… Isso para não pisar em ovos

Ah, sim, e agora mais essa já que estamos em outubro-rosa: o ovo é um atual guerreiro contra o câncer de mama, segundo o Instituto Brasileiro do Ovo — além de prevenir outros cancros.

Ou seja, viva o ovo, de novo, um dos mais completos e versáteis alimentos da humanidade, que como mercadoria resgatou, com a sua volta, o princípio básico da primeira lição de marketing: um produto imediatamente identificável,  fácil de achar, barato e… já vem embalado!

(*) essas duas receitas foram transcritas do artigo do Pedro Mello e Souza para a Revista Eating Out, bem como a informação s/ o boletim da FBN, de fevereiro de 2009.

 

 

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