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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 6 de dezembro de 2018. Gastronomia 40° graus

Reedito esse blog, porque já, já, o calorão vai tomar conta do Rio e vai até março, quando não abril e a pedida é uma variável gourmet pelo que o Rio tem de mais carioca: cachacinha pura, gelada, cerveja ou chope, enquanto se beliscam pasteis, pão de alho, coração de galinha (uma delícia para o paladar e o colesterol!), linguiças e batatas portuguesa. Isso aconteceu há 2 anos, no Galeto Sats, com o Haroldo Sprenger e o Pedro Paulo Machado na cabine de comando (mistura mais do que fina!!!).

                                     

E de principal, galetos, picanha bovina e suína, sobrecoxa desossada, marinada na cachaça, acompanhados de batatas prussiana, farofas, bananas à milanesa e arroz. De sobremesa, brigadeiro na colher.

Afinal, somos a QUARTA confraria “pra valer” que existe no Rio desde 1892, quando foi fundada a primeira e podemos afirmar que gastronomia é a adequação do que comer e beber, por qual preço, em qual circunstancia (almoço ou jantar, a dois ou com quarenta ao lado) e em que período do ano: e mais, observadas a latitutude e altitude — num avião nada de flambar um crêpe-suzette, por favor !!!

Ou seja: um gourmet moderno é um curioso de novidades e não deve ter preconceito de circunstâncias gastronômicas fora da curva!

Um garfo de história

A primeira sociedade gastronomica, como se dizia d’ antanho, foi fundada por Raul Pompéia em 28 de abril de 1892. Era compostas por figurões, como Machado de Assis, Graça Aranha, Coelho, Arthur de Azevedo, Capistrano de Abreu, Xavier da Silveira, e outros. e outros.. Chamou-se CLUBE RABELAIS e funcionava num sobrado do Largo do Rocio, hoje Praça Tiradentes. Durou cerca de oito anos.

Obs: a foto acima não é (não achei) dessa confraria. Mas é da mesma época e os banquetes não deveriam ser muito mais divertidos do que isso…

Adiante: em 1900, um grupo dissidente, cujo slogan era: o importante é manter a linha, ainda que seja a curva, fundou A Panelinha, que tinha como “comissário” ninguém menos do que Machado de Assis. Os encontros “se davam” na Rua das Laranjeiras, 192 e durou cerca de uns quatro anos, com “ágapes” mensais.

Não há registro oficial do fim do grupo, embora, obviamente, ele tenha se dispersado alguns anos depois.

Parenteses: em São Paulo, funcionou durante meio século a Pensão Humaitá, do Yan de Almeida Prado. Leiam a descrição que achei no site Enogastronomia:  surgiu na década de trinta do século passado e o nome foi fruto de sua localização, esquina da Av. Brigadeiro Luis Antônio com rua Humaitá. Por mais de cinquenta anos, Yan recebeu seus amigos para almoço aos sábados. Entre os confrades mais assíduos, além do Sérgio de Paula Santos  (*), Leonardo Arroyo, Francisco Matarazzo Sobrinho (Ciccillo Matarazzo), João de Scantimburgo, José Tavares de Miranda, Olinto Moura, Octales Marcondes e evidentemente, Marcelino de Carvalho, abrilhantaram o grupo. Os primeiros a chegarem eram muitas vezes recebidos de pijama pelo anfitrião, cuidando de rosas em seu jardim, uma de suas paixões. O aperitivo era sempre regado a champagne e não se fumava antes e nem durante a refeição, somente ao término e fora da mesa.

Nota: 1) Yan morreu com 92 anos, o que (com)prova que o que mata cedo é comida e bebida ruim!!! 2) O então chanceler Macedo Soares voava de Electra para os repastos e voltava de noite (ressonando, imagino).

                           

Foto do Yan e de um “ágape” cujos participantes não consigo identificar.

(*) O médico, enófilo e cultíssimo viajante Sérgio de Paula Santos veio ao Rio especialmente para abrirmos e degustarmos um Porto de 1889 que meu pai ganhou de um comendador português, e meu deu de presente. Na ocasião o Dr. Sérgio me ofereceu o seu livro com esta simpática dedicatória

Vida que segue. Em 1958, Antonio Houaiss, Octavio Marques Lisboa, Pratini de Moraes, Alberto Pitigliani e um grupo de apreciadores “apenas do melhor”, constituiu a Confraria dos Gastrônomos, que funcionou com regularidade até que no final dos anos 1970 a confraria sofreu um “racha” causado por um episódio meio surrealista: convidaram o Médici para um almoço aonde estava o Antonio Houaiss, que tinha sido cassado por ele meses antes! Desse cisma nasceu a NOSSA — Os Companheiros da Boa Mesa — que completa este mês, no dia 16 próximo, 36 anos de funcionamento ininterrupto.

No almoço de fundação (16/12/1982), no Restaurante Don Peppone, do saudoso Sidney Regis, assinaram a ATA, o próprio Antonio Houaiss e mais 16 confrades: Carlos Leonam, Francisco de Assis Barbosa, Fred Suter, Jean Boghici, João Condé, Liwal Salles Filho, Luiz Alípio de Barros, Luiz Vieira Souto, Marcilio Marques Moreira, Octávio Marques Lisboa, Ramon Fernandes Conde, Reinaldo Paes Barreto, Ricardo Boechat, Ricardo Haddad, Sidney Regis e Virgínia Munson.

Desses 17 só 7 estamos neste plano — por enquanto. E la nave va…

 

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