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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 20 de dezembro de 2018. O Restaurante Bazzar-Ipanema

Pergunto à Cristiana Beltrão, a infatigável empresária e restauratrice fluminense, proprietária deste e de outros “bazares”: por que o nome? E ela: “o nome abrange um projeto mais ambicioso, pensado para transcender o restaurante em si e tornar-se — como se tornou — uma marca, um selo.”

O que se mostrou um golaço, pois batizou toda uma linha de produtos oferecidos em outros estados, em mais de 500 pontos de venda, sobretudo em São Paulo e no exterior. O próximo passo é o e-commerce para a Europa – por aqui vai muito bem.

Ou seja, há 20 anos, quando nasceu o primeiro Bazzar — este, de Ipanema, tem 14 anos — a Cristiana já compreendia o conceito moderno da função de um restaurante, função que vai muito além de um local para se fazer uma refeição e ir embora, para se tornar um espaço de convívio. Convívio com outras pessoas ou consigo próprio (para conversar com os respectivos problemas e soluções (?) ou com internautas, pelos celulares e tablets) e, até, com os pratos e copos… em um ambiente cuidadosamente descontraído!

E nemo é por acaso que a nova chef, a piauiense Lira Müller, com experiências em São e na França, tem por filosofia que “cozinhar é a arte de criar laços”. É o que “vai provar” (com trocadilho) no novo cardápio de verão que deve será lançado no primeiro dia: 21 de dezembro.

Mas enquanto não chega “o solstício”, o que está na tabuleta é o de primavera, com delícias como o escabeche de sardinha, com pimentões coloridos; caranguejo com tucupi e farinha bragantina e o pato curado, com queijo de cabra, vagem e tamarindo – de entradas. E o peixe do dia com caju na manteiga de garrafa e caldo de porco;  arroz “pegado” de capote (aquele em crosta, do fundo da panela) e o porco defumado com purê de abóbora e molho de jabuticaba, de pratos principais.

Tudo descrito com clareza, mas num jeitão assim meio pauta de imprensa, meio “lembrete”.

Bom as sobremesa são ótimas, tipo “o melhor do simples”, mas a musse de chocolate com creme azedo e ribs de cacau é, simplesmente, formidável.

Mas tem, também, doce de coco, com brigadeiro amargo e banana e o caju ameixa da vó Josefina, com queijo de ovelha e caramelo de caju. E, para acompanhar ou partir para a “grand finale”, os chás e infusões. De ervas orgânicas do sítio moinho (capim limão, hortelã, poejo e menta); mata atlântica (mate, flor de sabugueiro, roa branca…); cerrado cítrico (chá verde, capim limão, gengibre e lima da pérsia) e caatinga frutada (coco seco, maçã, melão e abacaxi).

Vinhos? Bons, a bom preço, com “a cara” do verão. E instigantes. Por exemplo: um branco, Manoella 2017, do Douro, produzido com as castas Gouveio, Viosinho, Rabigato e Códega do Larinho. Ou um rosé, francês, Le Petit Coup 2016, de Carcassonne (Languedoc)  com gosto de mel e frutinhas vermelhas, produzido numa abadia do século 13 ou, ainda, um Beaujolais Cuvée à l’ Ancienne de 2015, com uvas cultivadas biológicamente.

Resumo da Ópera: o layout e decoração do restaurante, a escolha dos pratos e bebidas, a apresentação e proposta, tudo, tudo no Bazzar é de uma absoluta coerência com a personalidade responsável da Cristiana Beltrão. Porque ela só “manda fazer” o que ela crê como filosofia da gastronomia. E diz com todas as letras, como no frontispício do menu: nosso cardápio prioriza o ingrediente sazonal, no ápice da estação, sabor, maturação e frescor, de pequenos produtores locais.

FIM DO BLOG

Leitura facultativa (para aqueles com mais um tempinho do que a média e que se interessam mais do que a média por um gole de historia da “restauração”).

Desde a Antiguidade se servia comida nas pousadas e tabernas, sobretudo para viajantes, porque a maioria das pessoas comia em suas próprias casas (ou na dos outros!). Mas lá pela segunda metade do século 18, surgiu o primeiro restaurante – “obviamente” em Paris – assim reconhecido pelo Guinness Book. Data: 1765 e pertencia a um certo M. Boulanger (que não era padeiro) e servia sobretudo caldos e sopas.

Mas restaurantes, mesmo, só surgiram e se multiplicaram após a Revolução Francesa de 1789, quando rolaram as cabeças dos reis e o emprego de centenas de cozinheiros que foram oferecer os seus serviços em outras cidades do interior (nos locais aonde nasceram) mas, e sobretudo, em Paris.

E num passo adiante do que ocorria nas pousadas e tavernas,  passaram a estabelecer algumas regras para atrair esse novo contingente:

a) um salão apropriado para as refeições (que foram se tornando espaços cada vez mais sofisticados nos três séculos seguintes);

b) um menu para o cliente (e não só o proprietário) escolher o que desejava comer, com descrição dos ingredientes e preço explicitado;

c) garçons treinados e chef ou, simplesmente, cozinheiro, conhecedor de matérias-primas e modos de preparo;

d) adega ou despensa para guardar vinhos e destilados;

h) horários pré-fixados para almoços e jantares.

Obs: restaurant passava o significado de lugar para “restaurar as forças”, mas, hoje,  juntando este conceito com o mais moderno, enunciado a propósito da proposta do Bazzar, tem por finalidade ajacente “restaurar o convívio”…

Bon Appétit!

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