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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 31 de janeiro de 2019. Gastronomia ao ar livre

Até bem pouco tempo atrás, praticar gastronomia fora de casa (sua/nossa ou de amigos), no Rio, supunha vestir-se bem (o clássico esporte fino) e entrar em um lugar fechado (inteiramente ou com varanda) e iniciar os trabalhos, com um maître no mais das vezes de smoking (?), garçons de terno ou paletó branco, etc. Isso em qualquer época/estação do ano.

Hoje, há simpáticas alternativas. Primeiro — e “esqueça” TODO o parágrafo acima — porque conforme o título, surgiram os quiosques, sobretudo na orla praieira.(*) No início, simplinhos.  Vendiam água de coco, sandubas, etc. Depois foram melhorando (demanda gringa) com caipirinhas, cerveja, etc.

Hoje são verdadeiros bons restaurantes a céu aberto (mas com toldos!). Vou me referir a dois nesse modelo e um ponto de sanduíche muito bom.

Café de La Musique Beach

     

Quase no fim da praia do Leblon (a cem metros da estátua do Zózimo = nada é por acaso!), é uma extensão “desconstruida” dos excelentes restaurantes urbanos da dupla Dionisio, Nicolas. Bebe-se champagne e/ou espumantes e come-se de ostras ao delicioso polvo à vinagrete com guacamole e chips. (foto). E muito mais: carpaccios, peixes, ou o clássico Steak Tartar, com ovo de codorna e alcaparrones. Sanduíches também figuram no menu. Há puffs e música top e gente andando, sentada, de pé… é o passo mais consistente para se fazer o que qualquer beira-mar europeia e americana faz no verão: um local com vista, boa comida/bebida, conforto, descontraído. Gerente: Fred CDLM. 😎

O ponto de sanduíche:  Espírito de Porco 

Fica na Av. Vieira Souto, em frente ao n’ 490. Mais uma façanha do gourmet e empresário Ragi Aschar, desta vez com foco nos sanduíches diferentes. A joia da coroa é a porchetta (a lateral do porco desossada, preparada com alho, alecrim, erva-doce, manjericão, sálvia e outras ervas). E  a crosta é crestada no maçarico pra ficar pururuca. Tem, também o espirituoso (hambúrguer de copa lombo, aioli de agrião, bacon e fatias de queijo bola) e o HOTPIG (linguiça artesanal com molhos diversos). Mas os pães são sempre do Talho Capixaba)

E o terceiro é o  Marea, do grupo Fasano, tocado pelos craques Danio Braga e Rogério Fasano, com a supervisão in loco do Sandro e do Soares, ex-Antiquarius.

             

Bom, o “prato principal” é o por-do-sol  que tira uma reta ate a varanda do quiosque! E um climão! Gente moça, roupas soltas, um som legal e… penette alla vodka,  frito misto, paella (atenção: se pronuncia “paelha”, como telha, coelha, etc e NÀO paeja ou paeia), peixe do dia, tudo em porções pra dois, o que permite compartilhar. Bon vinhos e um chope artesanal muito, muito saboroso, vindo de Minas (Fashion Citron), que como o nome indica leva limão siciliano no blend. O gerente Sandro e o maître o simpático Soares, ex-Antiquarius.

Obs: mas além dos pratos feitos no restaurante do subsolo do quiosque (parece um submarino), com tudo: cozinhas separadas, uma refrigeração excelente, come_se também muito sanduíche.

E por falar em sanduíche, um “remember”:  o próprio foi inventado por John Mantagu, o Mr. Sandwich, primeiro lorde do almirantado inglês — jogador inveterado de cartas — que por volta de 1770 — numa dessas noites intermináveis, pediu “ao criado”pra preparar algo rápido pra ele comer sem ter que se levantar. O serviçal pegou então um pão, cortou ao meio e colocou presunto. Bingo!

Mr. Sandwich

Já na Holanda, o hábito de comer harenque cru, equilibrado na ponta dos dedos, no alto, que escorrega para a boca, é mais antigo do que o primeiro quadro de Vermeer e na minha querida Paris, come-se galettes (crepe salgado) e crepes doces nas boas quadras dos bairros populares.

crepes+em+Paris

Moral da história: o Rio se assumiu de vez como uma cidade de portas abertas. E sendo, ainda, à beira-mar, é  mágica, sensual, meio solta (lambida pelo Atlântico, untada pelo azeite do português, ardendo em pimenta e todos os temperos tropicais (meu blog Planeta Rio). E, por isso, grande parte da vida social se faz na rua, na praia, na praça, ou no calçadão/orla.

(*) por que não há quiosques no entorno da Lagoa, sentido Borges de Medeiros?

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