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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 14 de dezembro de 2019. Supermercados!

Os primeiros supermercados do mundo surgiram nos EUA (tudo a ver!). Pelo Google, o primeiríssimo foi o King Kullen, inaugurado em 1930, no Queens, NY. O conceito era simples: um galpão industrial adaptado para vender comida crua — e o “convite” para as pessoas se servirem sozinhas. Ah, sim, e os preços eram bem mais baixos do que nos armazéns.

Nos anos 50 os supermercados chegaram à Europa e ao Brasil, que abriu o seu pioneiro (bingo!) em São Paulo, o Sirva-se, em 1953. Embora já existissem lá fora lojas de departamentos, como o colossal Harrods, de Londres, o primeiro com escada mecânica — isso em 1898! — com departamentos/andares só de alimentação e bebidas.

Hoje os supermercados praticam uma sofisticação visual e sensorial impressionantes.  O preço baixo deixou de ser a única estratégia para turbinar as vendas. O Marketing, as Promoções, o Merchandising a gerência de eventos e impressão atuam em cada centímetro das prateleiras, nos corredores, nas gôndolas, nas “ilhas de produtos”, na decoração, na revista, na propaganda — ou seja, a visita/compra do cliente passou a ser  UMA EXPERIÊNCIA e não, apenas, a aquisição de bens.

La Grande Épicerie de Paris é um bom exemplo. Vejam a montagem dessa “bancada” de venda de legumes! Mas há outros supermercados grandiosos e lindíssimos em Miami (Walmart), nas europas, no Oriente, etc.

Bom, no Rio, a história começa em 1952 com a rede Disco (do português António Amaral, que chegou a ter abatedouro e frigorífico próprios). Depois vieram os Guanabara, Casas da Banha e outros.

Mas o deste blog são os supermercados Zona Sul. A primeira loja foi aberta na Praça General Osório, na Ipanema de 1959 que começava a disputar com Copacabana a preferência do carioca — ou da carioca — então a grande compradora! e já sinalizava pela nome a intenção de oferecer status (afinal a Cidade ainda era partida entre Zona Sul e Zona Norte — polos que se aproximaram com a abertura do Túnel Rebouças, pelo governo Lacerda) status… e bons preços! E por status entenda-se ainda qualidade, serviço pessoalizado, inovação e valor agregado.  Palmas para os irmãos Leta: Francesco e Mario, vindos da Calábria, na Itália — craques! — que intuíram (sem nenhuma escola de marketing) apostar nesse público-ipanema (zona sul), curioso de novidades, viajado e culto. Dali começou a expansão e a abrangência de ofertas: pizzaria, café da manhã, peixaria, floricultura… Detalhe: funcionando à noite!

Hoje, são 39 lojas físicas situadas em pontos táticos da zona sul carioca, mais a do centro (Rua da Alfândega) e mais a de Angra dos Reis. Mas através do e-commerce (delivery) eles atendem clientes em Niterói, Costa Verde e Costa do Sol (antiga Região dos Lagos) e na Serra fluminense, reunindo cerca de 6 mil colaboradores diretos.

Mas a joia da coroa é deste ano. Foi inaugurada no comecinho de janeiro: Zona Sul Santa Mônica (Av. das Américas 8888). Uma butique grande — e põe grande nisso. Dois mil metros quadrados. 221 funcionários. Com verdadeiros pavilhões: o do café, por exemplo, é uma “aula”.

Vê-se os grãos, que depois são moídos e tostados e vão para as tradicionais recipientes de vidro de onde um profissional consulta e executa o blend. Na foto 2 o lounge, para vinhos em taça, tira-gostos…bate-papo.                        

O pavilhão dos azeites é um continente! Duas árvores oliveiras (vivas) estão nas extremidades da gôndola, onde estão dispostos os “normais”, os extra-virgens, os premium e… frascos vazios onde o fregues pode fazer o seu próprio blend a partir de duas ou três fontes!

Obs: essas fotos foram enviadas por Divulgação e as informações de empregados, etc, por Leonardo Figueiredo, Assessor de Imprensa da BT Comunicação

E mais: salas de vidro, com cadeiras tipo pequeno anfiteatro para aulas/apresentações e eventos; um andar subterrâneo para a elaboração da pâtisserie, exibido por câmeras em tempo real no andar da loja.

Gestor: Dominique Guerin.  Aliás, há um cast de cobras na gestão dos alimentos e bebidas: o Christophe Lidy em tudo que for “comível” (fora os japas, aos cuidados de um sushiman especial) e o nosso Dionísio Chaves nos vinhos!

Finalmente (?):  há gôndolas gigantes de vinhos (o estoque na adega de abastecimento é de 450 rótulos diferentes — o grupo também importa — sob a batuta do Cláudio Pinto, para suprir as 39 lojas);  e há também: uma queijaria onde se assiste a produção dos artesanais.  E a charcuterie,  digna de uma feira em Paris… e o pavilhão de legumes: uma horta!

Ou seja, só indo lá, o que recomendo. Mas vá de sapatos folgados, porque se anda! Aliás, eu brinco com a minha amiga Maria Helena Esteban que essa unidade não deveria ter gerente: mas um prefeito, com secretarias… Aliás, meu agradecimento TOTAL a você que me apresentou essa “cidade” e seus provedores.

Final: quem sabe a Barra se reiventa mais uma vez! (Boa sorte)

 

 

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Rio, 7 de fevereiro de 2019. Gastronomia ou alimentação

Conceitualmente, “a gastronomia é a alimentação pensada e sentida, é a alimentação cultural e não automática. Acima de tudo, o encontro da arte com a alimentação”, como preconiza o meu amigo Roberto Hirth, ex-presidente da nossa confraria Os Companheiros da Boa Mesa (na foto com a sua Letícia)

Já a historiadoras Dolores Freixa e a jornalista gastronômica Guta Chaves (em livro publicado pelo SENAC) ,ambas estudiosas dos prazeres do paladar, não hesitam em classificar a GASTRONOMIA como um inventário patrimonial tão importante culturalmente quanto os museus, as festas, as danças e os ritos religiosas.

 

Por falar em ritos religiosos, temos aqui um bom exemplo: o pesquisador francês Roger Bastide (foto Google, acima),  que viveu em Salvador no início dos anos 40 e escreveu um trabalho importante (O Candomblé da Bahia), relata – entre tantas curiosidades — por que a cozinheira dos terreiros (e por projeção, a vendedora de acarajé de rua) é velha, ou se veste como velha?

Porque segundo o mandamento dos orixás, a mulher menstruada está poluída, não deve se aproximar dos alimentos. E a idosa já está na menopausa!

foto do site linguagemeafins.blogspot.com

Nessa linha, ainda, o nossos brasileiríssimo Gilberto Freyre (foto de arquivo, abaixo) é mais extensivo: “a gastronomia fotografa e reflete a sua classe social. E o inventário do uso de panelas, utensílios, recipientes e das tradições populares: o cantos dos pregões, as tabuletas dos vendedores e a geografia do doce, nos contam mais do Nordeste profundo do que muito tratado de sociologia”.
Gilberto Freyre

Bom e o conceito de alimentação?

Para o mestre Antonio Houaiss (ele próprio um gourmet e, na foto embaixo, em pé, discursando no almoço de lançamento da referida confraria, em dezembro de 1982 no falecido restaurante Don Peppone, do Sidney Regis), é o abastecimento renovado do conjunto das substâncias necessárias à conservação da vida; sustento.

Um gole de história:  o conceito de gastronomia acompanha a marcha das sociedades (para frente e para trás) e, de certa forma, estamos de volta para o futuro. Ou seja, antes, no campo, o fogo era o polo aglutinador.
Era em torno dele que se preparavam os alimentos e se reuniam os nômades. Mais de 10 mil anos depois, ou seja, hoje em dia, ele continua polo aglutinador, mas em vez do fogo — são as lâmpadas de led que aglutinam.  A boia de luz, sobretudo em restaurantes, porque é impensável um restaurante estrelado da atualidade não exibir uma cozinha-aquário, aonde chefs e cozinheiros trabalham à vista de todos — iluminados — como em um making-off de artistas no camarim.
Com tal cenografia (às vezes) que a comida servida em público não é  apenas um fator de alimentação, nem mesmo gastronomia. É uma experiência cinematográfica. Em alguns restaurantes, se aproxima de uma odisséia no espaço, com efeitos especiais.

Vejam este Inamo, em Londres. Todo digitalizado.

E mais mil outros exemplos: embaixo d`água, que mudam de endereço…

Outras vezes, no entanto, como escrevi no meu blog imediatamente anterior sobre os quiosques-chiques — em que se bebe champagne francês descontraidamente —  nem fogo, nem lâmpadas de led.

É o por-de-sol à esquerda do Morro Dois Irmãos quem ilumina a alma da gente. E todo o Rio de Janeiro!

 

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