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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, Primeiro de Abril de 2019. Fake News?

Primeiro a pergunta: e por que O Dia da mentira “cai” no Primeiro de Abril?  Bom, a história mais verdadeira que eu conheço é esta: até o  século XVI o Ano Novo começava a ser festejado no dia 22 de março, data que marcava a chegada da primavera. E as festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril, data oficial do início do ano.

Mas em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX, da França, determinou que o ano novo seria comemorado no dia 1º de janeiro. Muitos franceses, sobretudo do interior e do campo (imaginem mudar uma tradição naquela época!) continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciaria em 1º de abril.

“Gozadores” , então, costumavam ridicularizar esses renitentes e passaram a enviar CONVITES PARA RÉVEILLONS que não aconteciamDaí, é fácil imaginar o “ha! ha! caiu no primeiro de abril!” que passou a ser não apenas o Dia da Mentira mas também o dia dos bobos.

Aproximadamente duzentos anos mais tarde, essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, a seguir, para todo o mundo. No Brasil, o primeiro Estado a “aderir ao programa” foi Pernambuco, onde uma barriga ( furo jornalístico falso) foi publicada no jornal “A Mentira” (tudo a ver), noticiando a morte de D. Pedro II em 1° de abril de 1848!!!

O jornal, obviamente, desmentiu no dia seguinte. E o Imperador tirou de letra: na noite da sua “morte”, jantou em Petrópolis, com a família: canja e duas taças de vinho.

Mas as fake news são muito anteriores a tudo isso. Desde que o alemão (alsaciano) Gutenberg desenvolveu a primeira máquina de impressão, em 1439 e nos anos seguintes, houve um derrame de informações. Como hoje produzem as Redes Sociais. Teve um lado positivo, é óbvio:  um século depois, por exemplo, Lutero traduziu a Bíblia do latim para o alemão e com isso conduziu a Reforma Protestante mas, além de livros, vieram os jornais e os panfletos, com notícias verdadeiras ou … falsas. Não necessariamente por má fé: às vezes por visões distorcidas de fatos históricos, ou de filosofias de vida. Além disso, e como afirma o Pedro Doria em artigo sobre “o fim dos consenso”, quanto mais a informação circula, menos se acredita nas fontes tradicionais e, ironicamente, maior é a tendência a acreditar em histórias estapafúrdias!  

É a síndrome da descontrução.

Curiosidade:  os norte-americanos são tão ligados nesse binômio verdade-mentira e, portanto, temem tanto a exaltação da MENTIRA (nos demais dias do ano), que o Walt Disney criou em 1940 uma versão construtiva da verdade, baseada no livro As Aventuras de Pinocchio (1883) , mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas.

Também no Brasil o nosso Ziraldo, mestre da literatura infanto-juvenil (entre outras mestrices como o Caderno B, do Jornal do Brasil, milhões de charges, etc) combateu a mentira através do seu famoso Menino Maluquinho.  Em “O Ilusionista”, o personagem descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

E no mundo real, (o que nem sempre acontece!) a mentira custou muito caro a um presidente americano, Richard Nixon, que em agosto de 1974 teve que RENUNCIAR à presidência da República dos EUA para não sofrer impeachment, porque mentiu, tentando esconder a sua participação no Caso Watergate.

Bom, quanto a mim,  quando “me escapa” alguma inverdade, vou buscar consolo no poeta Mário Quintana quando afirma:

    “a mentira (às vezes) é uma verdade que se esqueceu de acontecer!”

Se não prejudicar ninguém, vamos em frente…

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Rio, 21 de março de 2019. Crenças e crendices

Ando pelo calçadão de Copacabana, hoje, bem cedinho, inaugurando essa luz molhada do outono que começou esta semana.

Drummond no por do sol

E “encontro” o nosso poeta-oceano, sentado, calmo, de bronze …com a fitinha do Bonfim no pulso. Mais carioca impossível, mais mineiro … não há.

20120916-Drummond com a fita do Bonfim

Nota: a fita original foi criada em 1809 e ficou conhecida como medida do Bonfim, porque mede mede exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da igreja mais famosa da Bahia.

A estátua foi esculpida em Setúbal, Portugal, no século XVIII. A “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão. E o acabamento feito em tinta dourada ou prateada. Era usada no pescoço, como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos, funcionando como uma promissória: ao pagar uma promessa, o fiel carregava uma foto ou uma pequena escultura de cera (ex-voto), representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo.

20151019-Fitas amarradas no gradil
Para prolongar a sua gratidão, o fiel adquiria uma dessas fitas, que simbolizava a própria igreja. Hoje, elas ficam amarradas no gradil da Igreja do Bonfim. Não se sabe quando se deu a transição para  o sincretismo (umbanda) e a sua representação das cores de/para cada Orixá.

Cores para cada Orixá.

Verde: Oxossi
Azul claro: Iemanjá
Amarelo: Oxum
Azul escuro: Ogum
Colorido ou rosa: Ibeji(erê) e Oxumaré
Branco: Oxalá
Roxo: Nanã
Preta com letras vermelhas: Exu e Pomba gira
Preta com letras brancas: Omulu e Obaluaê
Vermelha: Iansã
Vermelha com letras brancas: Xangô
Verde com letras brancas: Ossain

Resumindo:  a fita branca traz paz, calma e sabedoria; a amarela, prosperidade e otimismo; a azul, tranquilidade e harmonia; a vermelha, desejo; a verde, esperança; a roxo, saúde; e a rosa, carinho.

Falando nisso, as superstições mais populares no Brasil, são:

a) as que trazem má sorte

– Cruzar na rua com um gato preto;

– Quebrar um espelho provoca sete anos de má sorte na vida de quem quebrou;

– Passar por debaixo de uma escada idem;

– Deixar um sapato ou chinelo de cabeça para baixo (pode provocar a morte da mãe);

– Abrir guarda-chuva dentro de casa (pode atrair morte);

– Toda sexta-feira 13 é um dia perigoso e podem ocorrer fatos ruins podem (lhe) acontecer;

b) as que trazem boa sorte

– Achar um trevo de quatro folhas;

– Pé de coelho;

– Bater três vezes na madeira;

PS: por favor, não me contem mais nenhuma superstição — porque eu adoto!

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Rio, 14 de março de 2019. Invenção “jabuticaba”

Há um restaurante na Rua da Quitanda, no Centro do Rio, chamado Fi-lo Porque Qui-lo,  uma frase que o Jânio nunca disse porque era pinguço e pirado mas conhecia gramática a fundo (o certo é fi-lo porque o quis) que, claro!, vende comida a peso. Duvido que 90% dos passantes associem a ênclise (epa!) ao doido da vassoura, mas vale o jogo de palavras: o local vive cheio.

No início, desde tempos ‘imemoriais”, comida barata fora de casa era nas pensões.

Na sequência, vieram as lanchonetes. Esse sistema começou por volta da década de 1980, competindo principalmente com os tradicionais restaurantes de prato feito. Nota: a pioneira foi a Bob`s da Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, inaugurada em 1952 e de saudosíssima memória. Sacada comercial audaciosa do Robert Falkenburg  — é ou não destino:  o rei do hamburguer chamar-se “burg”?),  um socialite, jogador de tênis e corredor de automóvel, mas com o torque de um Ricardo Amaral da  (gringo) da época. Um precursor de modas cariocas.

A Bob’s pegou em cheio. E os hamburgers, os mistos quentes, os sanduíches inovadores (de atum) e o sundae, de remate, povoam até hoje a memória gustativa de todo carioca da Zona Sul com mais de 50 anos!

Infelizmente, fechou.

Mas voltemos à chamada “comida a quilo” ou “por quilo”, como preferem alguns estabelecimentos. É uma dessas (título)  invenções “jabuticaba” que transformou  a refeição em restaurantes – sobretudo nos grandes centros urbanos —  em uma experiência de globalização alimentar.

Já vi em numa mesma gôndola, sushi, salmão, lagosta, frango, quibe de carne, lombinho de porco, linguiças, lasanha, natureba, “arrozes e… churrasco!

A logística é quase sempre a mesma: os alimentos prontos ficam expostos sobre um balcão (que pode ser refrigerado ou aquecido) e o próprio cliente se serve deles, no estilo self-service. Entretanto, certos alimentos como japas, massas ou grelhados podem ser servidos por funcionários do local, a pedido do cliente ou num espaço específico.

Como as bebidas e complementos: sal, pimentas, azeites, água quente, etc.

Geralmente o preço é calculado por cada 100 gramas e alguns são realmente muito baratos. Tipo R$ 3,80 cada 100 gs.

Vantagens para o cliente: variedade de escolha, preço — por cerca de vinte reais come-se bem (sem bebida alcoólica) com cafezinho incluído e quem estiver com pressa, liquida a fatura em 15 minutos. E, muito importante: quem estiver querendo (ou precisando) economizar, terá sempre a desculpa (se flagrado) que tem um compromisso dali a meia hora … ou que está em dieta severa e só come saladas e frios.

Vantagens para o dono: comparado com outros tipos de restaurante, as vantagens são o baixo custo de implantação; o ganho em escala, decorrente do preparo dos alimentos em grandes bateladas; a possibilidade de usar cozinheiros menos qualificados e em menor número; a redução de atendentes e a capacidade de servir mais clientes ao mesmo tempo.

Mas há uma variante chique: a) os restaurantes podem servir “a peso” na hora do almoço e à la carte na hora do jantar, ou no mesmo horário em pisos diferentes; b) os restaurantes cujo bufê observa viés temático; ou seja, comida vegana, portuguesa, japonesa, mineira, nordestina,  árabe, só na brasa — ou portuguesa — se diferenciam dos “misturados”; c) já existem os meio-a-meio: vc escolhe e paga pelo prato escolhido no cardápio e o bufê ou rodízios de acompanhamentos é livre. Ou fica só no bufê por preço inferior.

Ou seja, a criatividade brasileira criou a Torre de Babel gastronomia!

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Rio, 7 de março de 2019. Vinho: dicas práticas

Hoje, vamos trocar algumas informações sobre vinho que farão bem ao seu bolso (e à sua alma). Quando tiverem escolhido um restaurante para almoçar ou jantar, telefone perguntando se pode levar o seu vinho sem “pagar a rolha” (termo que os estabelecimentos usam para quem não pede os vinhos da casa).

foto Revista Adega

Se não cobrarem, ótimo. Se cobrarem, pergunte “quanto” e faça o cálculo bem simples: quanto pagou pelo vinho + esse custo. Se der até um total palatável, leve a própria “ampola” (mas numa embalagem decente: nada de papel de jornal). Mas se o restaurante cobrar quarenta reais em diante (e salvo se for um vinhaço que – lá — iria custar os tubos), não leve e decida na hora se pede os da casa ou a velha e boa cervejinha!

Outra: se fore receber amigos para o clássico “queijos e vinhos”, tome algumas providências. A primeira é manter bem à vista dos convivas um vistoso suco (abacaxi com hortelã, ou melancia) ou uma água mineral Pedras Salgadas, portuguesa, para a moçada não matar a sede com vinho branco gelado, ou espumante.

A segunda é comprar brancos e tintos da mesma marca para que a turma não goste mais de um … que será o primeiro a acabar!  Por exemplo: portugueses: Esteva, Quinta do Cabriz, Quinta das Amoras, Quinta da Aveleda, Muros Antigos e Porca de Murça; argentinos: Norton, Altosur, Alto las Hormigas, Bodegas del fin del Mundo, Don Valentin e Trivento (o branco pode ser da deliciosa casta Torrontés); chilenos: Viña Montes, Santa Carolina, Montes Alpha, Leyda, Santa Rita e Casillero del Diablo. Se for gente moderada, calcule meia garrafa por pessoa; mas compre sempre uma reserva, que vinho colocado deitado e em lugar refrigerado dura muito. Vexame, não!

Último: mencione alguma curiosidade sobre a escolha dos vinhos (mantenha-os nas temperaturas adequadas: brancos em 12 a 15 graus, tintos entre 16 e 20 graus, o mesmo para os queijos – e pães, muito importante (os supermercados Zona Sul oferecem, agora, os de lenta fermentação: excelentes!) – mas não exagere na sabença. Hoje quem se interessa especialmente por um assunto, procura as respostas no Google. Cuidado com a enochatice…

Obs: calcule uma garrafa de branco para cada três pessoas e uma de tinto para cada duas — se os seus amigos forem morigerados…

Deresto,  conduza ä noite” evitanto que alguém se sobressaia de mais (ou de menos!) e “tire da cartola” — se for preciso — dois ou três “causos” interessantes, umas três piadas… e uma vassoura de plantão para coloca-la de ponta cabeça atrás da porta … se os amigos passarem das 2h da matina.

Outra: faça um arranjo bacana, com um vaso de flores, uvas, porque enquanto o vinho é bonito, o queijo não. Um plateau de fromages parece uma paisagem lunar, com buracos, protuberâncias, planícies e pedras soltas.

Ah, sim, e nada de parlatório e gargalhadas no hall do elevador (os vizinhos estão dormindo…).  Até porque como dizia o Roberto Campos, a diferença do francês para o brasileiro é que o francês sai sem se despedir … e o brasileiro se despede, mas não sai!

 

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