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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 5 de abril de 2019.Robô emófilo

Assim (embora caricataamente) era o sommelier de ontem.

O de depois de amanhã será assim?

Na foto “ele” apenas serve café.  E existe: em São Francisco, nos Estados Unidos, foi inaugurado o Cafe X, um quiosque em que a bebida é servida por um robô. E o mecanismo é muito simples: você pode usar o touchscreen disponível no local ou então um aplicativo no seu celular. Em apenas 20 segundos a bebida chega quentinha. (Foto e texto de Monalisa Briganti, do site Mexido de Idéias).

Então cabem duas perguntas: 1) o que faz um sommelier 2) e por que não um(a) sommelier robô?

A primeira:  enquanto o agricultor cuida da parreira e o enólogo da vinha, o sommelier cuida do serviço do vinho.  Mas, cada vez mais e obviamente, essas funções não se esgotam em apenas na relação entre o vinho e a gastronomia.  Atualmente e cada vez mais, elas se entendem à todas as áreas que formam o circuito da harmonização = bebiba x refeição. Isto é,  eles/elas são os responsáveis finais pelo prazer gastronômico que tanto pode ser precedido por um aperitivo e complementado pelo vinho/champagne, como propor os não-alcoólicos:  limonada suíça, ou tipos de chás, ou infusões, ou águas minerais, quando o cliente não quer (ou não pode) consumir bebida alcoólica.

Além disso, o campo de atuação de um sommelier avançou sobre as áreas conexas, inclusive de mídia: auxilia na escolha dos rótulos e a sua rotatividade (quando não executa a compra direta), zela pelo armazenamento — não só das garrafas mas dos copos/taças que melhor se adéquam à maximização do prazer da degustação —  como passaram a ser consultados por distribuidoras de vinho, supermercados, caterings, etc. E também atuam  junto a cerimonialistas na montagem de festas de casamento, celebrações de empresas, recepções de governo, eventos gastronômicos; e em termos,  de comunicação, proferem palestras,  participam de programas de TV, dão palestras, ilustram posters indicando vinhos ou preços, assinam blogs, colunas e outras mídias.

Só que a comunicação, como todos sabemos, é uma via de mão dupla: traz o problema “do outro” interagir — às vezes de mais! Como quando o cliente que entende tanto, mas tanto! que há uma inversão de papéis. O sommelier  (humano) fica passivo e o cliente mostra sabença … como nesse divertido vídeo de Porta dos Fundos.

A segunda pergunta: e por que não um sommelier robô?

Bom, sabemos todos que a tecnologia do 5G  (Gbps — gigabits por segundo), prevista para estar disponível no mercado já no ano que vem vai alterar radicalmente a transmissão e, consequente, o acesso a conteúdos em volume e velocidade não imaginados nos dias atuais. Com 99% de confiabilidade.  Ou seja, na outra ponta, está nascendo um novo consumidor de informações — e aplicações delas, sem os excessos da gozação acima — cuja desnecessidade de interlocução humana será quase total.

Vejam o exemplo da badalada Alexa  que já virou companheira íntima de muitas famílias.

Mas o que nos salva é que nem tudo será cibernético. Por exemplo:   há um avanço no sentido de prover um atendimento diferenciado para atender os PCD – pessoas com deficiências. No caso dos cegos, a  ABRASEL está treinando sommeliers (humanos) para descreverem oralmente a cor, consistência, características dos reflexos (bolhas, “colar”, etc)  do vinho solicitado, para que o consumidor sem visão possa “juntar as pontas” e somá-las às características ao olfato, paladar e tato (taças) e percorrer assim o despertar dos sentidos que precedem a uma degustação correta.

E já existem chatbots (abreviação de robô de chats) que através de um software que gerenciam troca de mensagens, para atender clientes sobre vinhos. A marca Reservado Concha y Toro, da vinícola do mesmo nome, lançou um chatbot para auxiliar os consumidores. A plataforma, batizada pelo nome de “Renato”, (foto abaixo!) funciona como um consultor virtual que utiliza uma linguagem simples e descomplicada para abordar o universo dos vinhos. A ideia é de que o consumidor possa interagir assim como junto a um amigo: fazendo perguntas e recebendo respostas diretas e objetivas.

 

Ou seja, tira de um lado mas acrescenta do outro. E, pelo menos — por enquanto — não me consta que funcione o contrário: o cliente robô sendo atendido por um solícito sommeliier!!!

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