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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 11 de abril de 2019. O mundo gira e a lusitana roda…

Com a chegada da idade (muita!), a única forma de não ser nostálgico é exclamar: graças a Deus hoje temos mais opções, mais novidades! Por exemplo:  o troféu de Melhor Sommelier do Mundo de 2019 foi para as mãos do alemão Marc Almert. 

A 16ª edição do campeonato, que acontece a cada três anos, levou para a cidade de Anvers, Bélgica, no último dia 15 de março, sommeliers campeões de 63 países e mais três vencedores de campeonatos continentais – da América, Ásia e Europa (release).

Já o segundo e terceiro prêmio foram para a dinamarquesa Nina Jensen e para Raimonds Tomsons, da cidade de Riga, capital da Letônia, em terceiro. Ou seja, das “pátrias do vinho” (França, Itália…), necas de pitibiriba!

Adiante: no ano passado, no concurso Vinalies Internationales, promovido pela União dos Enólogos de França (criado), em 1994, um vinho belga ganhou a medalha de ouro em Paris. É um vinho “medium-dry” chamado Notas Brancas, 2015, produzido em Liege.

O concurso selecionou cerca de 3.500 vinhos-candidatos, de 40 países e foram provados por 150 profissionais da degustação.

Observacão: só pra não parecer algo inteiramente inédito,  é que bom que se saiba que a Bégica já produz vinhos AOC (apelação de origem controlada) há cerca de 10 anos, nas regiões de Flandres e Valônia, mapa abaixo. Flandres no Norte(verde-abacate), Valônia embaixo, (vermelho-apagado).

Ainda na área de “novas geografias”da enogastronomia: em abril 2017 saiu em toda a mídia gastronômica que o campeão do concurso World’s 50 Best Restaurants, promovido pela respeitada revista britânica Restaurant foi o restaurante Eleven Madison Park, em NY , cujo chef é … suiço!  Daniel Humm.  O concurso compila eletronicamente todos os anos os votos de mais de mil chefs, críticos, restaurateurs e foodies de todo o planeta.

Em 2016, o vencedor foi a Osteria Francescana, (Modena, na Itália), chefiada pelo italianíssimo Massimo Bottura (foto) e em 2015 foi a vez do catalão El Celler de Can Roca (Girona), tocado pelos irmãos Joan e Joseph (observem a fachada do restaurante),

E mais: por falar nos gauleses, e com ênfase no mundo do vinho, leio na importante La Révue du Vin de France, interessante matéria sobre o impacto das mudanças climáticas no ecossistema das tradicionais geografias vitivinícolas conhecidas no atual mapa de cultivo e produção.  Segundo o artigo, até 2050, as áreas históricas de plantio da videira podem ter de migrar para novos locais, enquanto as atuais regiões correm o risco de apresentar perdas de até 70% da sua produção nesse espaço de tempo.

O que significa que o vinho pede passaporte para novas “pátrias”: a fria Suécia (que colhe, desde 2002, uma bela safra anual), a Holanda, a Inglaterra, a Russia,  a Tchecoslováquia, por aí. E isso por conta do aquecimento global — repito: um dos vilões do planeta, sabemos todos — que “empurrou” as áreas cultiváveis, com o auxílio da tecnologia,  para essas regiões impensáveis há 50 anos. E aos velhos países tradicionalmente produtores, Espanha, França, Itália, Portugal, etc, a saída é privilegiar as suas regiões mais altas e mais frias para replantar as suas vinhas. E procurar cepas mais resistentes ao frio, ou manipular geneticamente as existentes para sobreviverem às quedas dos termômetros.

Por falar na Inglaterra, vejam esta imagem de um amanhecer sobre as vinhas de Sussex, no Reino Unido.

       

É lá que é produzido o premiado espumante Nyetimber`s Classic Cuvée 2003.

Este espumante, elaborado pela bodega do mesmo nome, localizada nesse tradicional condado da Inglaterra e com solo semelhante aos de Champagne, na França, recebe em sua composição as variedades que constituem as três matrizes da elaboração de um champagne: Chardonnay, Pinot Noir e Pinot Meunier.

A medalha de ouro foi obtida através de uma degustação às cegas, organizada pela revista italiana “Euposia” e o júri foi composto por enólogos, sommeliers , críticos e jornalistas especializados de 100 países.

Consôlo: reparem no “aplomb” do gigante Paul Boucuse, aqui ao meu lado lá no último andar do então Hotel Méridien, no saudoso St. Honoré, em 2001 , quando a estrela da França fulgurava bem alto no céu azul (branco e vermelho!) do olimpo gastronômico.

“… que le temps passe…” 

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