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Rio, 19 de abril de 2019. Que bom, a Páscoa!

Para os judeus, a Páscoa (Pessach) — passagem — é uma antiga festa realizada para celebrar a libertação do povo hebreu do cativeiro no Egito, aproximadamente em 1280 a.C.  As festividades começavam na tarde do dia 14 do mês lunar de Nisan. Era servida uma refeição semelhante a que os hebreus fizeram ao sair apressadamente do Egito: o Sêder de Pessach.  Consta de matsá e maror e bebe-se quatro taças de vinho.

Para Abraham Shrem, rabino da congregação carioca Beth-El, “os brindes representam alegria e significam que tudo o que é material perde seu valor com o tempo; o vinho, ao contrário, se valoriza com o tempo”. E o enólogo e historiador Marcelo Copello, que é quem narra essas curiosidades, acrescenta: mas para ser consumido em ocasiões religiosas, o vinho precisa ser Kosher (digno de confiança) e a sua elaboração necessita de supervisão rabínica. As regras básicas para um vinho se tornar Kosher são: não pode ser produzido a partir de videiras com idade inferior a quatro anos; nos locais dos vinhedos nenhum outro tipo de planta deve ser cultivada; todo o equipamento e a matéria-prima utilizados na elaboração da bebida devem ser igualmente Kosher e o vinho só pode ser manuseado por judeus ortodoxos, para evitar sua possível contaminação ao ser manipulado por pessoas desprovidas de fé. 

Para os católicos é a maior festa cristã do ano litúrgico. Segundo o próprio Papa Francisco, é mais importante do que o Natal, porque constiui “a memória celebrativa de um único grande mistério: a morte e a ressurreição do Senhor Jesus. É a festa da nossa salvação”!

Ovos, coelhos, chocolate, bacalhau…

Então, a pergunta: por que o ovo e o coelho são marcas da Páscoa?  Pelo simbolismo que um e outro significam. Porque a existência está ali representada pelo ovo, véspera do nascimento – e pelo coelho — cuja capacidade de gerar ninhadas é associada à capacidade das religiões de (re)produzir novos adeptos.

Mas e o chocolate? Ah, aí entrou a mão do comércio! O surgimento do ovo de chocolate na Páscoa se deu a partir de fins do século 17, em substituição aos ovos de galinha, cozidos e pintados, que antes eram escondidos nas ruas e jardins para serem caçados pelas crianças. Depois, por volta de 1400, passaram a ter as cascas pintadas na Pascoa e alguns são jóias do artesanato!

Sem contar a participação da alta ourivesaria, que produziu obras-primas, como os ovos do Fabergé, alguns guardados no museu criado especialmente por um bilionário russo…

Mas sem tanto luxo mas com igual, ou maior criatividade,  os chocolatiers parisienses,  tiveram a ideia fabulosa de fazerem ovos de chocolate,  no finalzinho do século 17, para agradar a criançada e, ao mesmo tempo, colocá-los na agenda gourmet dos adultos..

E criaram verdadeiras obras de arte, como os desta vitrine na Rue de Rennes, em Paris, fotografados por mim há alguns anos.

Originário do México, onde os astecas o preparavam de forma líquida,  o chocolate foi levado para a Espanha, por Cortez, em 1528 e tornou-se popular em toda a Europa no século seguinte.

E, agora, surgem os “chocolates de origem”, ou seja, assim como nos vinhos varietais (feitos com uma só variedade de uva), são elaborados a partir de um único tipo de semente de cacau, exclusiva das maiores regiões produtoras, que são: Java, Tanzânia e Santo Domingo. Mas são caros, bem caros.

O Brasil é o quinto maior produtor de cacau do mundo e – pasmem – o Pará passou a Bahia em volume.

Assim sendo, aqui vai uma receita “jabuticaba” (brasileira, caseira e barata) para festejar a Páscoa em tempos de crises.

 

Bom, mas seja qual for a sua religião (mesmo se for nenhuma) que seja uma passagem feliz, com a família e amigos, preenchida de um sentido de renovação. E se ela for mais magra do que em outros anos, tanto melhor para a sua silhueta e saúde!

Aleluia!

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