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Rio, 25 de abril de 2019. Duas comemorações

Primeira: neste 24 de abril que passou, os 2.669,6 km que separam o Rio de Buenos Aires ficaram mais curtos: celebrou-se o Malbec World Day (oficialmente no dia 17 de abril) e o consulado geral argentino no Rio, junto com a Wines of Argentina, celebram essa data em seu Instituto Cultural, na Praia de Botafogo, com uma noite de degustação dos melhores vinhos produzidos com essa casta.

À frente o incansável Cônsul-Geral Claudio Gutierrez e sua equipe.

Aliás, essa é uma iniciativa da Chancelaria — com o aval da própria presidência da República — dos hermanos platinos,  o que faz com que nessa data cerca de 100 representações argentinas em mais de 44 países do mundo reúnam diplomatas, sociedade e jornalistas locais para algum tipo de atividade cultural “ferecidas” pelo Malbec.

No caso do Brasil (o Brasil que bebe vinho),  o vinho Malbec além de ser — junto com o tango — uma marca da Argentina é um dos preferidos dos brasileiros.

Um gole de história

A uva Malbec é originária do sudoeste da França, da região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou as suas parreiras europeias no meio do século XIX ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino. Mas essa imigração só foi bem sucedida pelo decisivo empenho do então presidente Sarmiento (1868-1874), intelectual, escritor e gourmet, que facilitou toda a operação.

Parênteses: além dessas virtudes, o nosso querido Sarmiento é  “a cara” do nosso embaixador Marcos Azambuja: confiram!


Mas ela chegou à serra argentina (Luján de Cuyo, Valle de Uco) e foi sendo misturada com outras cepas, ainda em fase de adaptação. Só em 1996, quando o legendário Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu e a safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. Recentemente, esse mesmo vinho, safra 2012, foi eleito o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados 2015, tendo recebido a nota 97, a mais alta nota dada a um vinho argentino nesse ano.

Foi a consagraçã0.

A coloração desse vinho é intensa — um vermelho denso, caminhando para o violeta — e o aroma remete à frutas vermelhas, ameixas maduras e, às vezes, a tabaco, chocolate e até anis. Já na boca ele apresenta um sabor prolongado, com agradável textura. E por conter acidez equilibrada e taninos chamados de redondos, o Malbec é um vinho gastronômico, isto é, próprio para acompanhar comida.  Sobretudo… las empanadas, che!

     

Segundo: A Revolução dos Cravos Vermelhos em Portugal! Há quarenta e cinco anos, às 0h20 da madrugada de 25 de abril de 1974, Portugal encerrava uma ditadura de 48 longos anos — num só dia! Liderado pelo Exército mas com o decidido apoio do povo, Portugal voltou-se para o seu tempo e a sua importância na geopolítica do mundo.

No início,  passou por um período de euforia: “todo mundo fala e ninguém dorme, há reuniões até alta horas e os escritórias ficam com as luzes acesas até de madrugada”. Depois, Portugal entrou num conturbado estágio que durou cerca de 2 anos, marcados pela luta entre a esquerda e a direita: foram nacionalizadas as grandes empresas, ricos empresários e banqueiros sairam do país.
Passados cerca de três anos, no entanto, realizaram-se eleições constituintes e foi estabelecida uma democracia parlamentar. A guerra colonial acabou e as colônias africanas tornaram-se independentes antes do fim de 1975.

E elegeu-se presidente um bizarro militar, germanófilo e de monóculo, António Spínola.
António Spníloa

Na sequência e em 5 de abril de 1975 têm lugar as primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte, ganhas pelo Partido Socialista.  É elaborada uma nova Constituição e estabelecida uma democracia parlamentar que traz ao poder o carismático líder Mário Soares como Primeiro-Ministro e coloca na presidência da República o sisudo general Ramalho Eanes.

A Revolução dos Cravos também possibilitou, anos mais tarde, o ingresso de Portugal na União Europeia (UE) o que muito contribuiu para recuperar o atraso e o isolamento. A entrada no bloco ajudaria a modernizar o país por meio de uma transferência no valor de 80 bilhões de euros entre 1986 – ano que passou a integrar a UE – e 2011.

A quantia é o equivalente a 9 milhões de euros por dia. 

E Portugal, hoje, realizou o sonho recíproco de ser “o Brasil da outra margem do Atlântico”. E não apenas porque apenas 7.482 kms separam o centro do Brasil do centro de Portugal em linha reta (ou cerca de 9h de voo), mas porque é mais fácil encontrar brasileiros em Lisboa e Cascais do que nórdicos, ingleses e outros europeus “lá de cima” (com ou sem Visa Gold).
linha reta BR Portugal

Por exemplo: em termos de mobilidade urbana e infraestrutura, Portugal dá banho. E em energia eólica, desde o fim dos anos 80, é um exemplo. O que transformou o país de uma nação de fado e passado e de “touradas reais” em “hub” para o resto da Europa. Mais globalizado do que muitos outros mercados mais ao norte.

No que concerne as relações bilaterais com o Brasil, desde os anos 90 houve grande incremento das importações de produtos primários portugueses e, mais recentemente, tecnológicos: foi lá que aprendemos o inovador sistema de cobrança de pedágio eletrônico, por exemplo. Ou a construir fachadas modernas, que permitem visão de dentro para fora e vice-versa. E mesmo cidades com imagem de anteontem (mais velho do que a Sé de Braga, era um dito popular), como Braga, são hoje polos de TI, conectividade e experimentos no campo da inteligência artificial e robótica e nanotecnologia.

Na outra mão e da nossa parte, temos oferecido boas oportunidades para o investimento português no Brasil, sobretudo nas áreas têxtil, de energias alternativas, construção civil, turismo e telecomunicações. Tanto que o Brasil é, atualmente, o principal destino do capital português fora da Europa.

Em Turismo é um show!

Por tudo isso e na mão dupla — Portugal e o Brasil somam, atualmente, um mercado de cerca de 250 milhões de pessoas que falam português e “moram” nessa língua,  como queria Fernando Pessoa — nossos dois países podem (e devem) no futuro imediato  “dar novos mundos ao mundo”, segunda a feliz expressão de um empresário português.

E as caravelas que nos séculos 15 e 16 cruzaram mares dantes nunca navegados,  foram hoje “promovidas” às fibras óticas da internet (a caravela do século XXI) que nos permitem conectar, em tempo real, esse MAR HUMANO que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Bem haja!

   

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