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Rio, 2 de maio de 2019. 500 anos sem Da Vinci

Leonardo Da Vinci morreu, hoje, (2 de maio — de 1519) aos 67 anos,  na pequena cidade de Cloux, perto de Ambroise, (Tourraine), no braços do Rei de França, François Premier.  Foi um desses gênios dentro dos quais o Sol nunca se põe, como disse Neruda no enterro do Picasso.

Tinha uma curiosidade insana. Dissecava cadáveres para entender os labirintos do corpo humano e foi estudando profundamente os músculos dos lábios que resolveu pintar o enigmático sorriso de (uma das) sua obra-prima: a Mona Lisa. O crítico de arte Rodrigo Naves diz que “o sorriso da Mona Lisa é o sorriso da própria natureza“.

Mas nem todos sabem que Leonardo foi um apaixonado por alimentos e pela liturgia das refeições. Para começar,  foi talvez o primeiro vegetariano — por opção — de que a história traz registro. E um”cinematográfico” cenógrafo de festas! Para agradar ao seu benefactor, o poderoso Duque de Milão, Ludovico Sforza, (para quem trabalhou 13 anos) — e considerado o melhor anfitrião da Lombardia —  coordenava espetáculos pantagruélicos, em que não apenas a quantidade, mas a arte de preparar e apresentar os alimentos, bem como de construir atrações que permeavam os pratos, faziam a diferença.

Duque de Sforza

E já naquela época –- há cinco séculos, repito — Leonardo defendia a simplicidade dos alimentos e a beleza de uma mesa bem posta. Registrou no seu diário: “É meu dever tornar cada banquete um feito inesquecível. Juntava libélulas, plantas aromáticas, fontes de água, grilos, água de rosas para enxugar as mãos, pequenas estátuas de marzipã, geleias coloridas e, lá fora, cisnes, sinos, corneteiros e avestruzes dando voltas e mais voltas, para dar movimento à paisagem”.

E anotava tudo o que pensava sobre gastronomia em manuscritos que levavam o nome de “codex”. O que trata dos assuntos da mesa é o Codex Romanoff, cuja cópia foi achada em 1981.

Mas escreveu também sobre botânica, engenharia militar, cartografia, ótica… e deixou mais de 7 mil papéis com desenhos, projetos, perguntas (“o que é a alma”?), hoje preservadas em bibliotecas europeias e na formidável coleção privada do Bill Gates, que em 1990 pagou 30 milhões de dólares pelo Codex Leiceste — 72 páginas nas quais Da Vinci descreve o luar, os fósseis e os movimentos aquáticos (parágrafo de transcrito do Segundo Caderno do Globo de hoje).

Leonardo nasceu numa fazenda perto da cidadezinha de Vinci, na toscana. Foi criado pelos avós paternos, numa pequena propriedade que cultivava trigo e azeitonas. A alimentação se completava com legumes e vegetais. Por isso, comia-se fava e feijões, grão-de-bico e ervilha, com pão, alho, cebola, nabos e…azeitonas. Além de queijo de ovelha. E, tratando-se da Itália, obviamente bebia-se vinho, desde os 5 anos – com água.

Cresceu gênio. Se tivesse nascido no século XX – XXI – teria inventado o iPhone, a Internet, o carro elétrico, os drones, a robótica, a nanociência, o transplante de fígado…

Era divertido, perfeccionista (imaginem!), bonito, namorador e gay, segundo o jornalista americano  Walter Isaacson, ex-editor do Times e autor da biografia “Leonardo da Vinci”, lançada em 2017 e que antes de chegar às livrarias de todo o mundo foi a primeiro colocada na pré-venda da Amazon por 3 meses!

Por isso e para ficar no clima gênio-divertido, que tal terminar com essa charge-poster com a Mona Lisa enófila?

A Monalisa e o bordeaux

Desconheço o autor  da charge, mas a quem rendo as mais enológicas homenagem!

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