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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 19 de abril de 2018. Importante é a taça, não a garrafa

E o título val como metáfora!

Até recentemente eu achava que a quase maioria absoluta das garrafas de vinho (con)têm 750 ml porque  o vidro soprado foi desenvolvido pelos artesãos de Murano, Veneza, no início do século XVII e essa medida era a maior quantidade de ar,  soprada continuamente, permitida pelas autoridades para evitar que os sopradores sofressem embolia pulmonar.

Mas um amigo meu, Ricardo Teixeira, enófilo português de boa cepa, me manda outras variáveis e, por fim, a “verdadeira” razão. Nas variáveis, temos: a) o consumo médio de uma refeição; b) melhor maneabilidade para servir o vinho; c) facilidade de transporte.

Já a verdadeira (como sempre, razões de mercado!) seria a seguinte: naquela época (século XVII), os principais clientes dos vinhos franceses eram os ingleses. Mas estes nunca adoptaram o mesmo sistema métrico dos “continental people”. A unidade de volume dos ingleses era o “galão imperial” que equivalia precisamente a 4,54609 litros.

Para simplificar a conversão, os exportadores franceses transportavam os vinhos a partir de Bordeaux,  em pipas de 225 litros. Ou seja, aproximadamente 50 galões. Quando transferidos para unidades de consumo comercial, esses 225 litros correspondiam a 300 garrafas. E cada garrafa dessas (225 divididos por 300) continha, portanto, 750ml por unidade.

Além disso,  cada galão vendido aos ingleses, com 4.500 litros totais, em garrafas de 750ml, precisava ser vertido em unidades “acomodáveis” em caixas de madeira: daí as 6 garrafas em cada,  padrão observado até hoje.

Mas a tecnologia está aí mesmo, e  o “pulmão macânico” que sopra os vidros nas grandes indústrias atuais permite engarrafar em todos os tamanhos. E, assim, temos a meia garrafa, 375 ml; a padrão, 750 ml; a magnum, 1,5 lit; a double magnum, 3lit; a Jeroboam, 4,5lit; a imperial, 6 lit (se for de champagne é Matusalém); a Salmanazar, 9 lit, a Balthazar, 12 lit e Nabucodonosor, com 15 lit.

Observação: essas denominações sofrem variações, (bordeaux X bourgognes, ou denominação de outros países), mas a escala tradicional é essa.


Na ponta inversa, temos a embalagem bag-in-box, cuja torneirinha libera taças com 150ml e você pode provar de um, de outro, mais outro …  numa “volta para o futuro”, já que há 2 mil anos os escravos romanos iam até as ânforas encher as canecas ou taças de seus senhores, para servi-los by the glass…

Finalmente, a vertente contemporânea — os vinhos ambientalmente corretos — não cessa de inovar.. O americano Matthew Cain bolou uma solução mais avançada do que os produtores de orgânicos e biodinâmicos,  ao fundar a  Yellow+Blue Wines, na Pensilvânia, EUA, em 2008, quando criou embalagens de Tetra Park para aqueles vinhos de consumo imediato. “Enquanto o vidro se mantém como padrão de ouro para um vinho que vai para uma adega, continua ele, a maioria do consumo nos EUA ocorre apenas algumas horas após a compra ou, no máximo, em semanas”.

Então, para consumo rápido, Cain escolhe vinhos prontos, de vinícolas orgânicas e, ao invés de engarrafá-los no próprio local, ele envia o líquido para os EUA, em tanques isolados de aço. O custo para a Y+B foi é por volta de 40% a mais do que usando ‘flexitanks’ – grandes sacolas plásticas dentro de contêineres, um método comum de transporte em massa –mas mantém a temperatura constante do vinho em trânsito e assegura a qualidade final do produto. E, finaliza Cain, “o impacto no meio ambiente foi diminuído substancialmente. Nós medimos nosso nível de emissão de carbono e é a metade do que seria se o mesmo vinho fosse entregue no mesmo lugar, em vidro”.

Se eu fosse diretor de criação da Yellow & Blue, eu criaria um slogan assim: saúde, dos presentes e do planeta!

 

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Rio, 12 de abril de 2018. Malbec Day

No próximo 18 de abril, os 2.669,6 km que separam o Rio de Buenos Aires vão estar mais curtos: é a comemoração do Malbec World Day (oficialmente no dia 17 de abril) e os consulado da Argentina junto com a Wines of Argentina celebram essa data em mais de 44 países do mundo. O vinho Malbec além de ser — junto com o tango — uma marca da Argentina é um dos preferidas dos brasileiros. E coincidência ou não, para nós o Malbec tem mais a ver com o outono e inverno do que com o verão. Detalhe: a Argentina e o maior país emissor de turistas para o Rio de Janeiro (gracias, Nuestra Señora de Luján!)

Um gole de história

A uva Malbec é originária do sudoeste da França, região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou as suas parreiras europeias no meio do século XIX, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou (1853) o enólogo francês Michel Aimé Pouget para oferecer-lhes uma novo endereço: Mendoza, no sopé da Cordilheira dos Andes.

Aliás, essa imigração só foi bem sucedida pelo decisivo empenho do então presidente Sarmiento (1868-1874, intelectual, escritor e gourmet – além de “a cara” do nosso embaixador Marcos Azambuja — que facilitou toda a operação.


Mas ela chegou à serra argentina (Luján de Cuyo, Valle de Uco) e foi sendo misturada com outras cepas, ainda em fase de adaptação. Só em 1996, quando o legendário Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. Recentemente, esse mesmo vinho, safra 2012, foi eleito o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados 2015, tendo recebido a nota 97, a mais alta nota dada a um vinho argentino nesse ano.

Foi a consagração do Malbec. A coloração desse vinho é intensa. Um vermelho denso, caminhando para o violeta. O aroma remete à frutas vermelhas, ameixas maduras e, às vezes, a tabaco, chocolate e até anis. Já na boca ele apresenta um sabor prolongado, com agradável textura. E por conter acidez equilibrada e taninos chamados de redondos, o Malbec é um vinho gastronômico; isto é, “feito” para acompanhar comida.  Combina bem com a carne bovina e de cordeiro; caça; e vai bem também com matambre, com todos os embutidos e até com queijos fortes.

Sin olvidar las empanadas, che!

          

O vinho pode ser elaborado (varietalmente) com 100% de uvas Malbec, ou com cortes de outras tintas, sobretudo a Cabernet Sauvignon.  Mas foi a tenacidade dos vitivinicultores argentinos, com o efetivo apoio do governo, somados à grande luminosidade solar das montanhas, à alta altitude e à amplitude térmica de Mendoza, que transformaram o Malbec – junto com o tango – em embaixadores da Argentina no exterior. Que meu amigo Macri me perdoe, mas acho que deveriam constar da folha de pagamento da “Cancillería”…

Salud!

 

 

 

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Rio, 5 de abril de 2018. É mentira?

Dia 1° de abril virou clichê: Dia Mundial da Mentira. Então, vamos lá: e o que é a mentira?

Pinóquio em gravura italiana do século 19

Pode ser: (1) a omissão da realidade (por conveniência, por exemplo: mulher feia, doente terminal, namorado apaixonado, desculpa pro guarda …); 2) manipulação da taxa de realidade, pra adicionar “realce” à narrativa, crescer aos olhos de terceiros, arranjar um emprego…); 3) desculpa por uma falta menor (“compromisso de última hora me impediu…”); ou maior: num tribunal, na mídia; 4) total armação de má-fé para atingir determinadas pessoas/objetivos. Ou… como propôs o nosso querido poeta Mário Quintana, simplesmente…

a mentira (às vezes) é uma verdade que se esqueceu de acontecer!”

Mas por que o Dia da Mentira “cai” no 1° de abril? A versão mais verossímil “diz” que a tradição surgiu na França. É assim: até o começo do século XVI, o Ano Novo era festejado no dia 22 de março, data que marca a chegada da primavera (no hemisfério norte). E as festas duravam uma semana e terminavam no dia 1º de abril.

Mas em 1564, depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX, da França, determinou que o ano novo seria comemorado oficialmente no dia 1º de janeiro. Alguns franceses resistiram à mudança e continuaram a seguir o calendário antigo, pelo qual o ano se iniciaria em 1º de abril.

“Gozadores”então passaram a ridicularizar esses renitentes (até porque muitos camponeses nem tinham tomado conhecimento do édito real) e passaram a enviar presentes esquisitos e convidá-los para festas que não existiam. Daí, é fácil imaginar o “ha! ha! caiu no primeiro de abril!”

Na sequência, essas brincadeiras se espalharam por toda a Inglaterra e, a seguir, para todo o mundo. No Brasil, o primeiro Estado a “aderir ao calendário” foi Pernambuco, onde uma barriga ( furo jornalístico falso) foi publicada no jornal “A Mentira” (nem por acaso!), noticiando a morte de D. Pedro II em 1° de abril de 1848!!!

O jornal, obviamente, desmentiu no dia seguinte, mas o Imperador tirou de letra: jantou em Petrópolis, com a família: canja e uma taça de vinho para comemorar “a ressureição”!
Curiosidade: os norte-americanos são tão ligados a esse binômio verdade-mentira, e portanto temem tanto a exaltação da MENTIRA (nos demais dias do ano), que o Walt Disney criou em 1940 uma versão construtiva da verdade, baseada no livro As Aventuras de Pinocchio (1883) , mostrando para a criançada o quanto mentir pode ser ruim e prejudicial para a vida das pessoas. E no Brasil, também o Ziraldo, mestre da literatura infanto-juvenil e um dos inventores do Caderno B, do Jornal do Brasil, combateu a mentira através do seu famoso personagem, o Menino Maluquinho. Em “O Ilusionista”, o personagem descobre o mal provocado por roubar, fingir e mentir.

Mas no mundo real, sobretudo na política, há um esquizofrênico paradoxo: o jogo político “encoraja” a mentira — mas condena o mentiroso!

No Brasil ficou célebre a campanha dos adversários do Brigadeiro Eduardo Gomes, na campanha presidencial de 1950, quando na véspera espalharam nas rádios que ele não queria o votos dos marmiteiros… o Dutra ganhou.  Mas o exemplo mais dramático pela repercussão mundial, é o caso Nixon. Em 1974 teve que renunciar à presidência dos EUA (para não sofrer impeachment), porque as gravações da Casa Branca tornaram inequívoca a sua participação (consentimento e até incentivo) na invasão noturna à sede do Partido Democrático, o Caso Watergate. E ele mentiu, negando a sua interferência, até que…

O atual presidente Donald Trump criou uma verdadeira campanha contra o que chama de fake news – das quais, ao que parece, se beneficiou nas eleições — mas que existem. Antes elas eram mais inofensivas, tipo fofocas; mas hoje o alcance das mídias sociais e a “tecnologia da similitude” elevou a níveis planetários os efeitos demolidores de notícias falsas, ou deturpadas na medida certa, porque rapidamente convencem milhares de pessoas de sua “veracidade”.

E o que é pior: não há mais, um dia certo, o Primeiro de Abril. Valem os 365.

 

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Rio, 1° de abril de 2018. Coelha põe ovo?

Nâo, por favor!

Então por que o ovo e o coelho se tornaram marcas da Páscoa? Pelo simbolismo que um e outro significam para as duas maiores religiões do ocidente: o catolicismo e o judaísmo. Porque a existência está ali representada pelo ovo, véspera do nascimento e pelo coelho, cuja capacidade de gerar ninhadas é associada à necessidade das religiões de (re)produzir novos “filhos”.

O surgimento do ovo de chocolate na Páscoa, no entanto, só se deu a partir de fins do século 17, em substituição aos ovos de galinha, cozidos e pintados, que antes eram escondidos nas ruas e jardins para serem caçados pelas crianças.

E os pioneiros (claro!) foram os chocolatiers parisienses que tiveram a ideia fabulosa de fazerem ovos de chocolate, para agradar a criançada e, ao mesmo tempo, colocá-los na agenda gourmet dos adultos. E num remate de criatividade confeccionaram coelhos de chocolate, como os desta vitrine que eu fotografei na Rue de Rennes, em Saint Germain, há um par de anos.

Originário do México, onde os astecas o preparavam de forma líquida, o chocolate foi levado para a Espanha, por Cortez, em 1528. E tornou-se popular em toda a Europa no século seguinte. Mas o formato em barra ou tablete como é conhecido hoje, surgiu na Inglaterra, em 1847, produzido pela Fry & Sons. E nunca mais parou de conquistar novos chocólatras. Hoje até a China é grande importadora do “ouro marrom”.

Em 2017 a produção mundial anual foi de cerca de 5 milhões de toneladas, “adoçando” um negócio de cerca de 72 bilhões de euros. O Brasil produziu 20 mil toneladas e somos, nesta Páscoa, campeôes mundiais de oferta de novos produtos feitos de chocolate. E o crescimento de vendas deve superar 2017 em 10%.

Recentemente surgiram os chocolates varietais, elaborados a partir de um único tipo de semente de cacau, exclusiva das maiores regiões produtoras do planeta, que são: Costa do Marfim, Gana, Camarões, Nigéria e Togo, na África. Que são também produzidos no Brasil (o maior produtor das Américas), Equador, Peru, República Dominicana e Colômbia.

Vejam o mapa da produção brasileira e os campeões africanos

Esse chocolate, 100% cacau, é o preferido dos nutricionistas e médicos pelo seu efeito vasodilatador resultante do alto teor de magnésio que contém.

Bom, mas Páscoa é passagem para não só através do Mar Vermelho ( o provo de Israel) mas para dentro de si mesmo (pra fugir da escravidâo da rua — a que ponto chegamos!) e para dentro de casa, o que supõe a família, os amigos e bom vinho, (tudo a ver com a Última Ceia). Só que esse casamento vinho e chocolate é problemático, porque ambos são dissonantes do paladar. A untuosidade do cacau desabilita as papilas a identificar o impacto do vinho na boca, como o gosto de frutas secas, ou cítricas, ervas, especiarias, etc.

Recomendo: a) ou tempos diferentes, primeiro os salgados com espumantes ou vinhos de mesa e bem depois, os ovos de chocolate; b) ou harmonizá-los com vinhos doces. Como, por exemplo, um Porto tipo Tawny envelhecido para chocolates ao leite e Ruby para os amargos, ou Jerez como preferem os espanhóis, ou Sherry como fazem os ingleses, ou Banyuls e Sauternes como escolhem os franceses, ou ainda, um Moscatel de Setúbal e até o velho Grandjó, como se usa em Portugal.

E nós?  Além dos citados acima, é claro, há bons Late Harvest (colheita tardia) chilenos, argentinos e brasileiros. Ou outra bebida, como licores gelados, drinques com açúcar — ou chás.

     Imagem do “Círio Pascal” onde as letras gregas “alfa” (começo) e “ômega) (fim) se juntam ao símbolo da vela acesa

Mas o importante é celebrar esse rito de passagem — os judeus (pessah) celebram a travessia do Mar Vermelho a caminho da libertação e os católicos a travessia de Jesus pela morte a caminho da ressurreição, no Domingo de Páscoa — com espírito de vitória sobre a escuridão e de ruptura com o que “ficou para trás” , a etapa que chegou ao final.  Só assim seremos capazes de reafirmar a confiança em nós mesmos para continuarmos na estrada, redivivos, reconciliados com a transcendência, marchando com o sol bem aberto na palma das mãos, como no poema do poeta português Miguel Torga.

Aleluia!

 

 

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Rio, 22 de março de 2018. Abaixo a faca de peixe!

E o garfo, também.

Porque não sei se sabem que há dois garfos diferenciados dos normais: o de peixe e o de salada.   O garfo de peixe tem um dente mais grosso que os outros e isso serve para ajudar a separar as espinhas. Já o de salada é diferente, também: têm três dentes mais largos, para facilitar a dobra das folhas.

E a faca de peixe não corta, é cega: apenas separa a carne das espinhas. Ora, como quase sempre o peixe vem acompanhado de legumes ou batata, há a necessidade de uma faca que corte. Uma faca de peixe não “encara” uma batata noisette, por exemplo e, muito menos, uns aspargos ou uma batata “ao murro”.

20120318-faca para peixe

Logo, inútil. Coisa dos anos 50 e para trás.

Aliás, garfo (colher) e faca são utensílios de mesa relativamente recentes (se considerarmos os dois últimos mil anos).

20120318-Catarina de Médicis

Quando Caterina de Médici se casou, em 28 de Outubro de 1533, com Henrique, futuro Duque de Orleans e futuro rei da França, trouxe consigo um enxoval completo com garfo, faca e colher. E encomendou a algum “cerimonialista” (?) o layout padrão de uma mesa de banquetes. Disposição essa que nos 400 anos seguintes foi seguida à risca em jantares de gala nas cortes e nas embaixadas mais sofisticadas.

20120318-o diagrama dos pratos e talheres

Curiosidade: O garfo na mão esquerda e a faca na direita vêm dos tempos de Luís XIV, já que os canhotos eram discriminados.

Parênteses: de uns bons 30 anos para cá tudo evoluiu — salvo a mesa de banquetes do Palácio de Buckingham

20120318-ballroom

— mas inglês é inglês, monarquia é monarquia e “a pátina do tempo” rende milhares de libras para a economia da UK.

Mas, voltando. E evoluiu, primeiro, em função do espaço físico tanto nos restaurantes quanto nas mesas domésticas; segundo, porque nos restaurantes estrelados o serviço é trocado depois de cada segmento (entrada, peixe, etc) e, em casa, ou é peixe, ou é massa ou é carna. Salvo as exceções, obviamente.

E,terceiro, porque num mundo prático cada utensílio tem que ser apropriado para o seu uso — e não apenas como enfeite.

Ou então voltamos à cena genial do Chaplin “repensando” a funcionalidade do garfo e dos pãezinhos.

Moral da história: abaixo a faca e o garfo de peixe, as licoreiras, a galheteiras (aqueles vidrinhos com azeite e vinagre — hoje todo mundo quer ver a garrafa com a marca do azeite, o nível de acidez, etc) — os copinhos de licor, o paliteiro e cigarreira de prata…

Ou seja, tudo o que a gastronomia moderna superou para atingir o seu grau de “o melhor do simples”, mantra da Boa Mesa contemporânea.

E não pode inspirar “raiva”, como cada vez que eu tento cortar uma cenoura com uma faca para peixe e tenho que roubar a outra, de carne, para completar a cirurgia.

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Rio, 15 de março de 2018. O vinho verde não é verde

Ele pode ser branco palha, ou amarelo-âmbar, ou dourado, como o Casal Garcia, o mais conhecido no Brasil.

Ou rosé, ou azul-marinho, tinto. E mais: o adjetivo verde não indica uma pré-colheita. Ou seja, não se pense que as uvas que produzem o vinho verde são colhidas prematuramente. Elas são colhidas na data exata em que atingem o ponto de equilíbrio dos taninos, ácidos, açúcares, matérias corantes e compostos aromáticos. E, também, na data exata em que os bagos atingem seu peso máximo.

Nota: segundo o mestre Sérgio de Paula Santos, médico e veterano enófilo (com quem me iniciei “nas fileiras de Baco” lendo o seu livro Vinhos, em 1982 e com quem partilhei anos depois o privilégio de abrirmos juntos aqui no Rio uma garrafa de Vinho do Porto – 1834 – presente do Conde de Monsaraz a meu pai), “o vinho verde é o mais português de todos os vinhos de Portugal, oriundo da parte mais antiga do país, uma zona litorânea acima do rio Douro, vizinha da Galícia”. Foram encontrados documentos de exportação de vinho verde para a Inglaterra em 1353!

Mas, então, por que se chama Vinho Verde?

Primeiro: porque “vinho verde” é uma denominação de origem que foi criada em 1908 pelo governo português para identificar os vinhos jovens produzidos no noroeste de Portugal. Hoje eles são certificados pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) que lhes outorga o selo de Denominação de Origem (DO) ou Indicação Geográfica (IG). E essa geografia compreende a região do Entre-Douro (Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção e Paiva) até lá em cima, no velho Minho. A pátria do vinho verde!

Uma província especial, povoada de casinhas de pedra, pontes romanas, feiras e festas religiosas e da alegria simples das cachoupas vestidas a caráter.

 fotos do FairStyle WordPress

Mas, na ponta tecnológica, a região é iluminada pelas turbinas eólicas do “Alto Minho”, um dos parques maiores e mais modernos da Europa.

  foto do Portal de Energia de Portugal

E o Portugal que nasceu ali em tempos imemoriais — vai a galope provando o melhor do século 21.

Segundo: porque verde é o manto que cobre esse vasto território, descendo pelas serras, cobrindo os vales e que se estende até o mar, de Melgaço ao Vale de Cambra, de Esposende até as montanhas que anunciam a proximidade de Trás-os-Montes. Varia o relevo, alteram-se as paisagens agrícolas, mas o verde se impõem-se com a marca da região.

  foto do Google

Finalmente: e qual é, então, a diferença essencial entre um vinho verde e um vinho não-verde?

A mais importante: devido às características do terroir dessa região, as uvas são ricas em ácidos e pobres em açúcar. Assim, a fermentação NÃO TERMINA com a vinificação (como é o normal na maioria dos vinhos) e continua dentro da garrafa, como nos champanhes. E este ácido málico transforma-se em gás carbônico (fermentação maleolática), o que faz com que o vinho apresenta o que os enólogos chamam de “agulha”, algo que lembra na boca as bolhas de um espumante. As principais castas brancas são: Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. E as tintas, Alvarelhão, Amaral, Espadeiro, Padeiro e Vinhão.

O verde branco, sobretudo o produzido com a casta Alvarinho, é um vinho sempre moço, fresco, vibrante, com notas minerais, que acompanha bem frutos do mar, peixes (preparados ou crus), mariscos, ostras e aperitivos. Já o tinto, com a casta Vinhão (Sousão), é bem ácido, mais musculoso, e “encara” lindamente um leitão à Bairrada…

Bem haja!

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O Vinho e a Vinha (com trocadilho)

A presença da mulher no mundo do vinho é uma bela metáfora da evolução feminina. No início, lhes bastava uma folha de parreira (será?). Depois, no chamado Velho Mundo, no século XIX, entraram em cena as guerreiras do vinho.  Há quase 200 anos, por exemplo, três mulheres extraordinárias se destacaram: a viúva Clicquot, a Madame Pommery e a D. Antónia, brava fundadora da Casa Ferreirinha.

Eva

A primeira, perdeu o marido aos 27 anos, bem no início do século 19, e assumiu sozinha o comando da vinícola da família. E transformou a produção e o comércio do champagne num império. Tanto que liderou pessoalmente sucessivas comitivas internacionais pela Europa, promovendo o néctar. E chegou a exportar para meio mundo.

 

 

Veuve Clicquot

Curiosidade: em 1853, as primeiras garrafas de Veuve Clicquot chegaram ao Brasil encomendadas em carta escrita de próprio punho pelo imperador D. Pedro II.

Madame Clicquot morreu em 29 de Julho de 1866, aos 89 anos, deixando uma bem estabelecida marca de champanhe.

A segunda é a Mme. Pommery (1819-1890), pioneira do ramo a apostar nos rótulos desenhados por artistas e no design das garrafas. Uma tradição, como veremos na sequência.
Madame Pommery

E a Casa Pommery foi a primeira a produzir um champagne brut, em 1834. Pommery Brut Royal

A terceira, e apenas cronologicamente, foi a emblemática Dona Antónia (1811-1896), que naufragou num rabelo (aquelas barcaças que singram o Rio Douro levando o vinho do Porto) junto com o marido. Só que ele morreu e ela sobreviveu graças às sete saias (repare na foto), que lhe serviram de boia. Mas não se salvou sozinha: salvou o vinho do Porto, o carro chefe da Casa Ferreirinha. (Bem haja)

Antónia_Ferreira

Mas isso lá, do outro lado do Atlântico.  Por aqui, e falando do Brasil, só a partir dos anos 60 as mulheres começaram a “repartir” o mundo do vinho (branco ou tinto) com os homens, sobretudo ao eixo Rio-SP. Mas devagarinho: bebiam pouco, raramente e sem critério ou escolha pessoal de safra (tipo de uva, origem ou função — aperitivo, harmonização, celebração). Babiam mais por companheirismo (missào SER MULHER) do que pelo prazer de degustar um Chardonnay ou um Merlot. O champagne não entra nessa lista: era para as “Carmens e Dolores” do Café Soçaite. E a grande maioria nem sabia o que era um vinho espumante.

Lá pelo meio dos 80, no entanto, elas começaram a passar de figurantes a “artistas principais” no filme do vinho. Primeiro, como consumidoras quase passivas (alguém escolhia), depois enófilas, depois sommelières. Na minha turma da ABS-Rio, 1992, por exemplo, em cima do saudoso Enotria do Danio Braga, em Copacabana, tinha a Juarezita Santos, minha prima querida, pioneira das harmonizações no Quadrifoglio da Maria Angélica, no Jardim Botânico e, depois, na JJ Seabra, no mesmo bairro. Foi a primeira sommelière que me fez provar um vinho libanês, o Chatêau Musar.

Juarezita Santos

A seguir ninguém segurou mais: passaram a colunistas especializadas, autoras de blogs, livros, dirigentes de vendas …  como a competente e elegante Yoná Adler, representante da Mistral-Rio — quando não elas mesmas proprietárias de vinícolas.

É o caso da Marly Galvão, minha amiga e colega do Conselho da Camara Portuguesa do Rio, que comercializa os estupendos vinhos do Douro Dona Berta (Chico Carreiro) ou da Lorenza Sebasti, proprietária do Castello di Ama, no coração do Chianti, (Siena, Itália), que produz néctares como o branco Al Poggio IGT Chardonnay di Toscana 2015 ou o LÁpparita Toscana IGT 2013,  dois vinhos estupendos.

Mas voltemos á metáfora da abertura deste texto. A Eva nua, com ou sem folha de parreira, explícita ou sugerida,  sempre esteve presente no imaginário masculino, majoritariamente donos das mídias, como nessa campanha (mais francesa impossível) da Taittinger.

lìnstant Taittinger

Sem esquecer a ousadia da Casa Ramos Pinto, que ainda no início do século XX criou anúncios de forte erotismo, sobretudo para a época, como este que sugere duas mulheres prestes a se beijarem. Ou, seria um andrógino na outra ponta?

Ramos Pinto

Vida que segue.  Musa idealizada ou protagonista ativa, a mulher deixou de ser apenas rótulo ou ilustração e passou a apreciar vinho, conhecer vinho, discutir vinho e comprar vinho. E mais: provavelmente graças a elas, que ou pegavam leve, ou gostam de variar (!),  disseminou-se o hábito do vinho em taça (by the glass) , como nessa saborosa montagem da Mona Lisa contemporânea …

A Monalisa e o bordeaux

Finalmente e se pensarmos “lacanianamente” (significado x significante),  não é surpresa: todos os substantivos do vinho – menos o que o designa — são femininos: a vinha, a uva, a colheita, a rolha, a safra, a garrafa, a taça… por isso, parabéns “meninas” por mais este 8 de março!

E que Baco nunca as (nos) desampare!

 

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Rio, 1º de março de 2018. Rio boa boca (parabéns!)

Antonio Houaiss dizia que se tornou gourmet porque foi criado em Copacabana nos anos trinta, aonde viviam portugueses, árabes, italianos…      e ele lanchava na casa de um, almoçava na do outro e se habitou à variedade. Característica que nasceu com o Brasil Colônia e estabeleceu o modus comendi do carioca.

Aliás, toda cidade tropical à beira-mar é sensual, mágica, meio solta e meio despreconceituosa.  E o Rio sempre foi assim. “A cidade fez-se metrópole lambida pelo Atlântico, untada pelo azeite do português, ardendo em pimenta africana” (Guilherme Figueiredo).

Mas o Rio-Colônia virou Rio-Capital do reino e comia-se arroz com camarão, carneiros, porcos, perus, carne de vaca, (além dos franguinhos de D. João!) tudo isso acompanhado de muita cebola, verduras e raízes. De sobremesa, arroz-doce, compotas, marmeladas e frutas: jabuticabas, abacaxis, maracujás e à noite — na clássica trilogia:  colégio, convento, caserna — servia-se uma sopa de caju gelado à guisa de ceia.

Já o Rio-Gourmet  nasceu  mais tarde, em 1861 e adiante, quando o  Barão de Mauá instalou na cidade a primeira Fábrica de Gás, oferecendo ao carioca uma alternativa à lenha.

E as mansões do Cosme Velho e Botafogo passaram a receber em casa, para saraus regados à cerveja preta portuguesa, vinho do Porto, vermute e licores franceses.

Ah, sim, e sorvetes. No dia 6 de agosto de 1834, tinha chegado ao Rio, vindo de Boston, o primeiro carregamento de gelo: ­­160 toneladas, envolvidas em serragem. Misturava-se suco de frutas e virou um sucesso tamanho que até as mulheres faziam fila para prová-lo — em horas certas!

Vem o Rio-República. O português Manuel Lebrão e um sócio inauguraram a Colombo, a primeira confeitaria intelectual da cidade, até porque atraiu os poetas, escritores, jornalistas e boêmios que fizeram de suas mesinhas de mármore uma extensão da Academia Brasileira de Letras e das redações dos jornais. Era (e é) um luxo.

Na outra ponta, o Rio afrancesava-se. Passou a ser chique o champagne e o vinho de Bordeaux. Nascia a primeira confraria de gastrônomos, CLUBE RABELAIS, cujo banquete inaugural “teve lugar” no dia 28 de abril de 1892 com a presença de Arthur de Azevedo, Capistrano de Abreu, Xavier da Silveira, Coelho Neto e outros. Nasce a segunda, em 1900, “A Panelinha”, fundada por um grupo dissidente cujo slogan era: “o importante é manter a linha: ainda que seja a curva” . O comissário era ninguém menos do que Machado de Assis!

Enfim, estreia o século XX. Surge o Copacabana Palace e o Cassino da Urca, os turistas e convidados fazem a alegria dos restaurantes (poucos) de luxo e dos anfitriões da alta sociedade. Azeita-se o eixo Rio-São Paulo a partir da Revolução de Arte Moderna (a cachaça entra nas rodas verde-amarelas), canta-se em francês e inglês (“muito merci, all right”), bebe-se uísque.

Vida que segue: a Revolução dos Cravos em  Portugal exportou os “descaídos” do salazarismo que promoveram um upgrade da culinária da terrinha, apresentando aos gourmets cariocas as açordas, os “arrozes” de mariscos e pato, o queijo da Serra da Estrela, a doceria de ovos, além de bons vinhos além dos verdes e bons azeites além dos em lata. Nos anos 80 foi a vez dos italianos mostrarem que a mesa do velho Lácio não é feita só de macarrão, azeitona e pizzas.  A reação “cívica” não tardou: os brasileiros  passaram a valorizar os pratos regionais (moquecas, peixes amazônicos, além da colorida culinária baiana) e do churrasco rodízio. Sem esquecer a velha e boa feijoada.  A caipirinha faz a sua entrada definitiva no paladar dos cariocas e, atualmente, dos gringos.

Aí a globalização soltou as rédeas e os japoneses também desembarcaram com os seus sushis e sashimis e o resultado é que o Rio se tornou em matéria de pontos de gastronomia uma babel bem sucedida! Da cozinha autoral, aos naturebas, dos botequins pés-limpos às pizzas-gourmets, dos árabes aos gastrobares, “tudo junto e misturado” com paellas e tapas espanhóis, ceviches, creperias, quiosques à beira-mar. E vinho servido em taça, espumante na praia…

Resumo: servimos uma gastronomia criativa, plural, às vezes irregular, um pouco barulhenta e com preços quase voadores — mas cada vez mais instigante. Já temos sommeliers preparados para as harmonizações , jovens chefs que produzem do “melhor do simplesà pirotecnias da moda, cartas de cerveja bem elaboradas e um receber que é o nosso cartão de visitas.

Afinal, ser carioca é ver a vida pelo melhor ângulo!

Reinaldo Paes Barreto é colunista e blogueiro de gastronomia e vinhos do JB Online, do Informativo da Câmara Portuguesa e membro do Conselho Empresarial de Cultura da ACRJ

 

 

 

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Rio, 22 de fevereiro de 2018. Drummond pop star

Ando pelo calçadão de Copacabana de manhã cedo, no recorte da luz com talco deste fevereiro meio esquisito, meio agosto.  E encontro o nosso poeta-oceano sentado, calmo, com a fitinha do Bonfim no pulso direito.

Nota: a fita original foi criada em 1809 e logo ficou conhecida como a medida do Bonfim, porque media exatos 47 centímetros de comprimento, a medida do braço direito da estátua de Jesus Cristo, Senhor do Bonfim, o destaque do altar-mor da igreja mais famosa da Bahia.  A estátua foi esculpida em Setúbal, Portugal, no século XVIII e a “medida” era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados à mão, sendo que o acabamento era feito em tinta dourada. Era usada no pescoço, como um colar, no qual se penduravam medalhas e santinhos, funcionando como uma moeda de troca: ao pagar uma promessa, o fiel incluia uma foto ou uma pequena escultura de cera, representando a parte do corpo curada com o auxílio do santo (ex-voto).

20151019-Fitas amarradas no gradil
Como lembrança, então, este(a) fiel adquiria uma dessas fitas, que simbolizava “o braço de Cristo”.  Hoje, elas ficam amarradas no gradil da Igreja do Bonfim e não se sabe quando se deu a transição para o uso da fita no pulso. O certo é que lá pelos meados da década de 1960 esta nova “pulseira” já era comercializada nas ruas de Salvador e, de lá, em  todo o Brasil. Foi adotada pelos hippies como parte de sua indumentária e pelos  supersticiosos  de qualquer latitude nacional.

Mas tem mais!

Deu sorte ao poeta mesmo antes de usá-la. Tanto que raramente ele  fica sozinho. A estátua do Drummond hoje divide com a do Cristo Redentor as duas pontas mais emblematicas do Rio: o alto da montanha e a beira-mar. E turistas levam fotos aos lado dele como embaixo da Torre Eiffel. Inaugurada em 2002 ( eu estava lá!), a estátua caiu no bem-querer popular imediatamente. Mas o seu “making off”  é curioso! Pesquisando no Google, encontrei no blog do Instituto Moreira Salles (IMS) a historinha. Um dia de 1983, o fotógrafo Rogério Reis, da Veja, foi ao apartamento do Drummond na Rua Conselheiro Lafaiete e pediu que ele o acompanhasse ate à praia para uma pose que seria capa da revista. Chegando lá, sugeriu ao poeta que ficasse de costa para o mar. Drummond num primeiro momento não gostou e quis saber por que de costas para o mar?! E o fotógrafo o dobrou com argumentos de comunicação. Porque assim o leitor iria vê-lo — e ver o mar atrás. O mineiro não resistiu ao apelo de se vingar da árida Itabira!

Mal podia o Rogério imaginar que 19 anos depois o artista plástico (também mineiro)  Léo Santana iria usar essa foto para a escultura que eterniza o poeta em bronze. Eterniza e humaniza,  como nas obras de Rodin. Têm alma. Inspiram sentimentos familiares. E, no caso do Drummond (perna cruzada, camisa esporte),  desperta nas pessoas desejos de confidências. Camaradagem. Quase cumplicidades! (O que não acontece com generais a cavalo, espada em riste). Drummond virou o amigo-sem-pressa, o guarda-segredo, o vovô tolerante (que as crianças beijam a careca!) e o irmão de crendices (donde a fita!).

Volto pra casa pensando em como a vida às vezes arma o anticlimax. O Drummond “de verdade” que conheci razoávelmente e que o Wilson Figueiredo via entrar feito disco voador pela redação do JB para entregar a sua crônica era o sujeito mais “passa despercebido” que Minas exportou. Quase um espião se infiltrando silencioso e azul nas filas, onibus e elevadores para ouvir, interpretar, colher matéria-prima…

E a sua estátua é uma Anita, mais exibida que artista de novela, popular e querida!

Imagino que quando a noite vai alta, no entanto, ela (a estatua) também se sente só e quem sabe declama “José”.

E agora, Jose?

A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou…

E agora, José?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Rio, 14 de fevereiro de 2018. O primeiro Dia dos Namorados

Nos dias 14 de fevereiro, muitos países da Europa e sobretudo os EUA celebram o Dia dos Namorados – Valentine`s Day.

Que lá não é só para namorados; é para casais casados há muito tempo, grandes amizades, por aí. Mas … e no Brasil?  Por que será que aqui o Dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de junho?

Ah! (mais uma vez) a criatividade brasileira funcionou! Porque o publicitário paulista João Dória trouxe essa ideia da Europa e convenceu os comerciantes de São Paulo a apostarem no evento — Dia dos Namorados — mas… em junho. E no dia 12.  Primeiro, porque é véspera de Santo Antonio, o santo casamenteiro, o que prepara o clima de “no infinito de nós dois”, como nessa linda ode à namorada, do Carlos Lyra. Segundo, porque o mês era sempre fraco, para o varejo, porque o Dia das Mães em maio quase sempre esvazia(va) os bolsos, e um evento dessa “amplitude”, se bem trabalhado, como foi e é, turbina(ria) a cadeia emotiva das compras de cartões, presentes, bebidas, chocolates, jantarezinhos e… motéis!

Sim, mas e… São Valentim?

Bom, foi o grande “precedente” e a sua morte coincide com uma data mais antiga ainda. Vejamos: ele, um padre italiano que ali por volta do século III da nossa era, na Roma antiga, celebrava casamentos sobretudo entre os militares. Nisso, o então imperador Claudio II (que reinou depois de Calígula e antes de Nero e foi quem invadiu a Britânia, o centro-sul da Grã Bretanha no ano 43 dC) e que acreditava que os solteiros eram melhores combatentes do que os “amarrados (no que não estava inteiramente errado: haja vista este mesmo conceito para o celibato dos padres), proibiu os casamentos durante os períodos de guerra, uma constante naqueles tempos.

Mas o celebrante Valentim se rebelou contra as ordens do monarca e continuou celebrando casamentos. (Claro!), foi preso e condenado à morte. Sucede que, na cadeia, o carcereiro o procurou dizendo que a sua filha era cega (ele tinha fama de milagreiro). Perguntou se ele podia curá-la. E ele não só a curou, mas casou-se — secretamente, é óvio — com ela!

Só que não escapou da sentença e morreu no dia 14 de fevereiro, deixando para a sua amada um bilhete em que se assina “Seu Namorado”. Virou santo, mártir da Igreja . Coincidentemente, 14 de fevereiro era também a data de um antigo  festival romano chamado Lupercalia, em homenagem a Juno, deusa da mulher e do casamento.

Bingo, tudo a ver!

E como diz outra canção, “amar é tão bom!” que até as aves (e outros bichos) não dispensam. Por isso, a dica desse blog é veemente:  apreciem … sem moderação!

 

 

 

 

 

 

 

 

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