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Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Rio, 20 de julho de 2017. E o homem foi à lua sem fazer seguro.

Todo dia 20 de julho se  celebra o maior feito planetário já realizado pelo homem (no caso não tinha mulher, mesmo): a primeira ida de astronautas à Lua (1969), na Missão Apolo 11, levando os americanos Edwin Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins, a bordo da nave Eagle.

E Armstrong foi o primeiro ser humano a pisar no solo lunar. Vinte minutos depois, saltou Aldrin,  cuja imagem abaixo, fotografada por Armstrong  no meio daquele mar de gelo —  e que aparece refletido no capacete — é de uma solidão e de uma beleza só comparáveis ao sono do Padre Eterno (parodiando Guerra Junqueiro).

 

Agora o mais extraordinário: vocês sabiam que os três astronautas que foram à Lua não tinham seguro de vida? A NASA não fazia seguro corporativo e nenhum deles fez seguro individual. E, pasmem, nenhuma seguradora os procurou.

Mas, por insistência da família e amigos, sabe o que fizeram, então?
Os comandantes Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, tripulantes da Apollo 11, deixaram com as esposas alguns “produtos” que poderiam ser valiosos para colecionadores, garantindo algum dinheiro para os parentes. Cartões com vistas da Lua com a assinatura dos três e do Nixon, então presidente dos EUA, milhares de cópias dos uniformes, réplicas da Apollo 11, além de objetos pessoais de cada um: relógios, canetas, óculos, etc.

O temor de uma tragédia era compartilhado, aliás, pela NASA e pelo próprio presidente americano, que já tinha o rascunho de um discurso triste, para o caso de que os tripulantes tivessem ficado pelo caminho — ou “nos cornos da lua”, como dizem os portugueses quando querem significar que algum lugar é muito longe — e outro que pronunciou, saudando os heróis na volta.

O triste,  escrito pelo seu ghost-writer, William Safire, terminaria dizendo … “o destino determinou que estes homens, que foram explorar a Lua, em paz — hão de ficar na Lua, para sempre, descansando… em paz”.

Felizmente, os três voltaram heróis e Nixon foi recebê-los numa base, no Pacífico.

E ficaram velhinhos — sempre celebrados — e eram recebidos na Casa Branca, como aqui, com Obama.

Armstrong morreu em 2012, aos 82 anos do coração. (Eu teria morrido do coração na decolagem da Apolo 11).

PS: falando em voar, palmas para o nosso piloto-pioneiro, Alberto de Santos Dumont, que nasceu num 20 de julho.  Ei-lo em 1901, sobrevoando a Torre Eiffel, de colarinho duro de goma e chapéu de aba (ambos artifícios para parecer mais alto do que os seus um metro e 56cms), com o seu balão dirigível N’6.

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E embora pouco popular nos EUA é internacionalmente reconhecido como o inventor do avião com motor e gasolina — O 14-Bis — que, ao contrário do Flyer, dos irmãos Wright, não precisava de catapultas ou ventos contrários para se içar do solo.

Detalhe:  era também um apaixonado por carros. Foi ele quem fundou, em 1907, o Automóvel Clube do Brasil. Anos antes havia inspirado a Maison Cartier a criar o relógio de pulso. Era um dandy.

Mas “pra não perder altura e altitude”, termino com a lira do nosso poeta Drummond, que andava a pé (ou de ônibus), e que no  dia seguinte à descida dos astronautas na lua,  começou assim a sua crônica no Jornal do Brasil: “OK, o americano pode ter pisado na lua. Mas não vai nunca pisar no luar…”

Coisa de gênio.

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Rio, 13 de julho de 2017. Dia Mundial do Rock n’ Roll

O Rock n’ Roll é um gênero de show musical que emergiu no sul dos Estados Unidos,  durante a década de 50. E rapidamente se espalhou pelo mundo.

Mais do que um gênero, era uma pulsão reprimida que vazou através do palco e antecipou a ruptura entre o cantor tradicional – distante,  comportado – e uma geração barulhenta de músicos e interpretes que se confundiam “com o outro” e subverteram a relação Artista X Platéia.

Todos participavam do ritmo alucinante do show.

O começo: em 1953, Alan Freed (famoso disk-jockey) organizou o primeiro concerto de rock & roll, ocasião em que compareceram mais de 30 mil pessoas num local com capacidade para — no máximo 10 mil. Resultado: foi tamanho o tumulto na disputa por lugares que o evento foi cancelado com o apoio de numeroso contingente policial.

Meses depois, o concerto foi replanejado e acabou se transformando num estrondoso sucesso. Na platéia, mais de dois terços da audiência era composta por jovens brancos, o que prova  a atração da juventude branca dessa geração pelos valores da  música negra.

Bingo: era esse o caminho!

Tanto pelo ritmo, quanto pela transgressão.

É aí que surge o primeiro popstar do Rock: Bill Haley e seus cometas.

Eles incendiaram o mundo com o Rock Around de the Clock. No cine Rian, no Rio, por exemplo, no lançamento do filme, a minha turma jogava galinhas vivas do balcão para turbinar a animação. E embora ele e seus músicos ainda se vestissem à moda antiga, a galera subia pelas mesas, dançando…

Esse rock inicial era uma simbiose de três matrizes musicais da melhor tradição rural americana: blues, country e jazz.

Nisso, surge o fenômeno maior do Rock:  Elvis Presley, o menino rebelde. (Nem por acaso em 1955, o filme Juventude Transviada, com James Dean como herói, já propunha o desregramento). Caminho sem retorno. Na sequência, vieram os Beatles e o niilismo dos existencialistas parisienses.

A vida era para ser vivida aqui e agora, ruidosamente.

E Elvis surfou nessa onda, transformando-a em tsunami quando teve a feliz inspiração de incluir uma quarta vertente: o gospel e acelerar o ritmo alucinante do Rock com uma coreografia quase erótica de se apresentar. Contagiou a juventude do mundo!

Elvis nasceu em circunstâncias humildes, em uma casa de dois quartos em Tupelo, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935, mas mudou-se para Memphis, Tennessee, em 1948, com seus pais..

Em 1954, iniciou sua carreira musical no lendário selo Sun Records em Memphis. Em 1956 já era uma celebridade internacional. Estrelou 33 filmes e chegou a vender um bilhão de discos que lhe garantiram prêmios de ouro, platina e multiplatina por seus 149 álbuns. Muito mais do que qualquer outro artista do seu tempo.

Mas seu fim, infelizmente, como o de outros monstros-sagrados, foi lamentável. Elvis morreu com 42 anos, em sua casa no Memphis, em 16 de agosto de 1977.

Gordo, deprimido e envenenado por remédios.

Deixou uma legião de fãs, muitos dos quais criaram a sociedade “Elvis não morreu”, bem como clubes de admiradores que o veneram em todas as partes do mundo. Tanto que Elvis é o artista mais imitado do mundo. Estes,  são conhecidos como “Elvis Impersonators”.

Se estivesse vivo, Elvis teria apenas 82 ano e segundo um desenhista francês teria esta aparência.

 

 

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Rio, 6 de julho de 2017. Com este frio, conhaque?

    Ou Armanhaque?  Mas qual a diferença?

Pelo menos duas.

A primeira, é que o conhaque é destilado duas vezes e o armanhaque apenas uma. A  segunda, é que o  armanhaque é mais leve do que o conhaque, ligeiramente mais seco, mais  encorpado e  envelhece mais rapidamente.

Mas ambos ganham cores, sabores e aromas quando bebidos em taças pré-aquecidas. Por  que? Porque são destilados densos (o Armanhaque é considerado a eau-de-vie mais  antiga da França) e com o calor – aproximadamente a temperatura do corpo – os  “aromas  escondidos” escalam as bordas e ganham amplitude no nariz e na boca.

Como aquecer as taças? De duas formas. Ou acendendo-se a chama desse aparelhinho e  girando a taça, ou aninhando a taça no calor da mão.

 

 

 O conhaque

Para produzi-lo, utilizam-se as uvas Colombard, Ugni Blanc,  Saint-Emilion e Folle  Blanche. Todas brancas, provenientes da região do mesmo nome na França (em Charente,  acima de Bordeaux). Primeiro, elas fermentam por um período curto: de três a cinco  semanas. Dessa fermentação, obtém-se um vinho branco, ácido, com uma baixa graduação  alcoólica, aproximadamente de 8º a 10º. São necessários oito litros de vinho para produzir  um litro de conhaque.

Aí começa a primeira destilação, que dura cerca de 8 horas e é processada através do  sistema de fogo direto (Alambique Charentais), que produz um líquido  chamado brouillis,  cuja graduação alcoólica é de 27º a 35º.  A segunda, (seconde  chauffe ou bonne chauffe)  demora cerca de doze horas e o princípio e o fim (cabeça e cauda) são removidos para nova  destilação que vai produzir outros álcoolis (eau-de-vie, etc).

O líquido aproveitado da segunda destilação tem 68º a 72º de álcool e é a partir dele que se  vai produzir o conhaque. A destilação do conhaque faz-se obrigatoriamente entre o fim das  vindimas (outubro-novembro) e o dia 31 de março seguinte.

 O armanhaque

A origem das aguardentes  de Armagnac, como dissemos, remontam à Idade Média (eram  conhecidas na Gasconha há mais de 700 anos), quando eram consideradas “remédio” por  servirem de antídoto contra as epidemias. Só no século XVII passaram a ser utilizadas  como bebida. Ele é produzido com as castas: Ugni Blanc, Colombard, Folle Blanche  (mesmas do conhaque) e mais: Baco Blanc, Clairette de Gascogne, Jurançon Blanc, Mauzac  e Meslier e a sua produção é similar à do conhaque, mas (também como já dissemos)    passa apenas por uma destilação (Continous still).  Existem três tipos.

Bas Armagnac: o de melhor qualidade e com um ligeiro sabor a ameixa.

Tenarèze: sabor a violeta.

  Haut Armagnac:  de todos o que requer mais tempo para envelhecer. Tecnicamente de de     qualidade inferior, mas eu gosto muito.

Esses são os digestivos-cardeais da gastronomia francesa. Contudo, outros “conhaques”        são produzidos em outras regiões da França e no exterior.

  • São chamados de brandy. Há excelentes, como os espanhóis, por exemplo.
  • Finalmente, há os “conhaques” populares, se podemos chamá-los assim, fabricados em muitos países, inclusive no Brasil, como o tradicional Conhaque de Alcatrão de São João da Barra e o Dreher —  ambos tiro e queda. Mas queda… cataléptica!
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  • Esses “conhaques” têm a sua popularidade dilatada pela crença de acrescentarem resistência, aquecerem o corpo (principalmente a garganta), estimularem o vigor sexual e possuírem propriedades terapêuticas (???). O caboclo bebe puro ou com mel, o operário com café, o boêmio com cerveja.

Nunca uma advertência foi tão apropriada: beba(m) com moderação!

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Rio, 29 de junho de 2017. Pedro, o santo de ponta-cabeça

Hoje é Dia de São Pedro, o santo que é tudo: pescador, ex-pecador, nome de vinho caríssimo, fundador da Igreja Católica, chave de ouro das festas juninas..

Pedro morreu de cabeça para baixo. Chamava-se Simão, ou Simeão. Nasceu em um vilarejo da Galileia, levou a vida de moço como homem comum, pescador e pecador, até que junto com o seu irmão André foi convocado por João Evangelista para fazer parte do grupo mais próximo de seguidores de Cristo. E tornou-se um dos apóstolos preferidos por Jesus, que admirava sua liderança firme e lhe deu o nome de Pedro.

Um dos vinhos mais caros do mundo, o Château Petrus, é uma homenagem a São Pedro. No rótulo está estampada a imagem dele segurando as chaves do céu. (Com esse vinho na taça, eu acho que as aqui da terra também!)

 

Petrus, também significa pedra, rocha.  Jesus (lhe) teria dito: “És Pedro! E sobre esta rocha construirei minha Igreja”.

E assim aconteceu. Ele é considerado o fundador da Igreja Católica Romana e está perpetuado na extraordinária construção do espaço central da Praça do Vaticano, em Roma — a Basílica de São Pedro — que além de símbolo do Catolicismo, abriga tesouros da criatividade artística. Apenas um exemplos: a Pietá, de Michelangelo.

 

Mas a sua proximidade com Cristo e a sua liderança, exasperaram o Imperador — Nero — que ordenou a sua execução. Até aí, nenhuma surpresa. A surpresa veio do pedido de Pedro: ele queria (e foi atendido) ser crucificado de cabeça para baixo, por se julgar indigno de morrer na mesma posição de Cristo.

Vejam, abaixo, a reprodução da belíssima tela de Caravaggio (16001) que justifica o título.

sao-pedro

Morreu com 64 anos (muitos anos depois de Cristo) e o seu túmulo encontra-se sob o altar central da Basílica que leva o seu nome.

São Pedro, como Santo João e Santo Antonio, em ordem inversa,  são os âncoras das festas juninas no Brasil, embora Santo Antonio e São João sejam mais populares quando se acendem as fogueiras.

Em compensação, São Pedro é, ainda,  porteiro do céu e padroeiro dos pescadores. No imaginário popular e, nas comunidades pesqueiras do Norte e Nordeste do Brasil, São Pedro é comemorado em alto-mar, com uma procissão em meio às ondas (até de rios), como nesta imagem, no “rio-mar-amazonas”.

PROCISSÃO DE SÃO PEDRO PERCORRE O RIO NEGRO. FOTO de BRUNO KELLY / A CRÍTICA

E para os católicos que praticam orações, rezem esta:

“Glorioso apóstolo São Pedro, com suas 7 chaves de ferro abra as portas dos meus caminhos, que se fecharam diante de mim, atrás de mim, à minha direita e à minha esquerda. Abra para mim os caminhos da felicidade, os caminhos financeiros, os caminhos profissionais e me dê a graça de poder viver sem os obstáculos.  Que assim seja. Amém.”

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Rio, 24 de junho de 2017. São João, o santofesteiro

Embora Santo Antonio seja mais popular (durante o ano todo), São João é “a cara” das festas juninas no Brasil.  Mas é no nordeste que “se acende a fogueira”. Sobretudo em Caruaru e Campina Grande, na Paraíba.

Por quê?

Porque além de coincidir com o período de chuvas (uma bênção dos céus) é o mês da colheita, principalmente do milho – princípio ativo — da comilança “do arraiá”.

milho verde

E come-se tudo que engorda: salgados e doces. Leitão, frango da roça, bolinhos de carne, arroz-doce, canjica, mandioca em calda, bolo e broa de fubá e de milho, doce de batata-doce, de abóbora, de cidra com rapadura –furundum– de mamão em pedaços, pão de cará, pão-de-ló cortado, paçoca, pé-de-moleque, batata-doce, mandioca, amendoim torrado, pipoca, pamonha, cuscuz e o que mais estiver no prato.

E no copo? Ah, bebe-se o tradicional quentão de vinho, (pode ser de cachaça também), uma espécie de grogue europeu traduzido pro sertão. Coloca-se o vinho numa panela e deixa-se ferver. Quando estiver em ebulição, flamba-se para fazer a queimada. Acrescenta-se açúcar, gengibre, casca de laranja, canela e cravo. Deve ser servido em copos ou canecas. Veja essa receita, simples.

Há quem goste…

Adiante: segundo o portal “Sua Pesquisa. com”, esta tradição foi trazida para o Brasil pela corte de D. João que além de genuinamente ibérica, sofreu também grande influência de elementos culturais chineses e franceses.
De Portugal, o culto aos santos, a mesa farta e os “casamentos na roça”. Da França, a dança marcada, característica típica das danças nobres (polca, minueto) e que, no Brasil, se refundou nas típicas quadrilhas.

polcaDançando a quadrilha

Já a tradição de soltar fogos de artifício veio da China, de onde teria surgido a manipulação da pólvora para a fabricação de fogos. O que até pouco tempo atrás era uma das marcas da festa de São João: é bonito, provoca emoção. Mas, hoje, é crime, no Brasil e em Portugal. Nota desta semana do jornal Público, informa: “lançar balões de São João podendo levar a uma multa até aos cinco mil euros por pessoa singular”. Sobraram as fogueiras e a brincadeira de saltar por cima. Dá emoção mas, também, exige cuidado: são cada vez mais frequentes os casos de acidentes, queimaduras…

Um gole de história: segundo a Wikipedia, “a festas dos santos populares (festas juninas) ou celebração do meio do verão (em inglês: Midsummer), nasceram no período do solstício de verão (no hemisfério norte), para celebrar justamente a colheita (lá de trigo, entre outras) e transição entre a primavera e a tão esperada presença ostensiva do sol, com a entrada do verão.

Vejam essa festa “de olho azul”, na Estônia.

E esse culto ao sol , representado pelas fogueiras e folguedos ao ar livre, faz tanto mais sentido, quanto mais ao norte se festejava o fim do frio e das sombras, como na Dinamarca, Estónia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Noruega e Suécia, no Reino Unido e, “por contágio cultural”, na França, Itália, Portugal, Espanha… e nas suas então colônias tropicais, dentre elas o Brasil.

Bom, e agora o homenageado:  João (Batista). Primeira pergunta: ele era primo de Cristo? Era. Primo mais velho. E foi quem o batizou. (Vejam abaixo o belo quadro de Leonardo Da Vinci).
batismo de Cristo

Segunda: como viveu? Viveu uma uma vida extremamente difícil e com muita oração. São João passou a ser conhecido como profeta, homem enviado por Deus.  E batizava a todos que se arrependiam. Era humilde e discreto e, no entanto, a sua festa é a mais alegre e barulhenta dos três. Lançam-se estalinhos, rojões, fogos de artifício, (um perigo) acendem-se e pula-se fogueiras, bebe-se, canta-se e dança-se até de manhã!

São João protege a amizade, a saúde e o conhecimento, dos que rezam para ele, como nós, deste blog.

Viva São João!

PS: esses franceses, são campeões em misturar foie-gras com jabuticaba! vejam esse convite que acabo de receber da Aliança Francesa do Rio (sou membro!).

Das 17h às 19h, teremos uma scène ouverte, onde o palco estará aberto aos alunos que poderão apresentar músicas a sua escolha, antecedendo ao show de forró e jazz do conjunto “Messiê Forró”, exclusivo para os alunos da Aliança Francesa, que começará às 19h. 

O grupo é composto por músicos franceses e brasileiros que farão um show embalado pelo baião e outros ritmos nordestinos com influências europeias como gipsy jazz, la chanson, le klezmer, la musette, entre outros. No repertório, grandes clássicos franceses como La Javanaise, La Foule, La Vie en Rose e Pas a Pas ganharão uma roupagem nordestina num arraiá franco–brasileiro.
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Rio, 15 de junho d 2017. Corpus Christi, o que significa?

Essencialmente, reafirmar a presença real de Cristo, no pão e no vinho consagrados.  Essa tradição — a festa do Corpus Christi — foi instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264 e traduz uma angústia dos cristão na Idade Média:  conferir as liturgias. Tanto que é dessa época o costume de elevar a hóstia e o cálice de vinho, depois da consagração, para satisfazer a curiosidade daqueles que iam à igreja mais para ‘ver’ o Corpo e o Sangue de Cristo, do que para participar efetivamente da missa.

E esse costume, se estendeu para fora das Igrejas, ganhando as ruas, porque a Igreja percebeu que havia necessidade de dar mais visibilidade ainda à Eucaristia, incentivando  a decoração de calçadas e a mobilização popular, enfim, de forma a tornar cada vez mais palpável  a presença de Cristo.  As procissões, que tiveram início ainda no século 13, em Colônia, na Alemanha, também ocupam papel central nas comemorações.

Por outro lado, a procissão de Corpus Christi é, de certa forma, uma parábola à caminhada do povo de Deus, peregrino, em busca da Terra Prometida. O Antigo Testamento diz que o povo peregrino foi alimentado com maná, (grãos do deserto) durante a travessia do povo de Israel rumo à terra prometida.  Com a instituição da eucaristia o povo é alimentado com o próprio corpo de Cristo.

Por isso, a Igreja Católica celebra, em todo o mundo, na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade — 60 dias depois do domingo de Páscoa — a festa do Corpo e Sangue de Deus, popularmente chamada de Corpus Christi.  Inclusive com a cerimônia condizida pelo próprio Papa, em Roma, na Basílica de São João Latrão, como esta com Francisco.

“Este é o momento de rememorarmos a herança mais preciosa deixada por Cristo, o sacramento da sua própria presença’, através da Eucaristia, disse ele.

Obs: segundo os textos no Novo Testamento, eucaristia é o rito cultual (sacramento e sacrifício) instituído por Jesus Cristo na última ceia no qual Ele mesmo se oferece a Deus e se comunga o Seu corpo e sangue em que se converteram substancialmente as espécies pão e vinho. Neste rito sacramental comemora-se a paixão e morte de Jesus. Vejam o esboço a carvão da Última Ceia, o célebre quadro de Leonardo da Vinci (século XV)

Bom feriado!

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Rio, 13 de junho de 2017. Por que casamenteiro?

Porque ele é o melhor “achador de coisas/pessoas”.  Daí achar marido, donde a fama de santo casamenteiro.

E por que a fama?

Duas hipóteses.
A primeira, aprendi com Padre Jorjão: como ele é ótimo “procurador” –melhor até do que São Longuinho — é o santo certo para “achar marido”.

A segunda, junta as duas aptidões: ele é o santo que encontra os iguais. Por exemplo, no passado, era costume as garotas Bascas fazerem peregrinação ao templo de Santo Antonio, em Durango, no dia de 13 de junho e rezarem para ele encontrar um “bom rapaz” para cada uma.  Entenda-se: de igual família, de hábitos similares.
Ora, sabendo que havia mulher bonita no pedaço, o rapazes bascos faziam a mesma jornada e ficavam do lado de fora do templo até as moças terminarem as suas preces. É fácil imaginar que muitos casamentos resultaram desses encontros.

A terceira, a mais pitoresca, nos diz que uma jovem, depois de fazer uma novena à Santo Antônio e não tendo encontrado pretendente, jogou – zangada — a estátua de Santo Antônio que tinha em seu oratório pela janela e a mesma caiu na cabeça de um caixeiro-viajante que passava. Ele gritou tanto que ela foi correndo ajudá-lo. Levou-o para dentro e tratou de seu ferimento.
Adivinharam o final!?
PS:  essa imagens belíssima (óleo sobre tela) me foi cedida pelo meu amigo João Cândido Portinari, filho do artista, que posou como Menino Jesus nesse quadro célebre do gênio de Brodowski, SP, que o pintou em 1942 para a capela em frente à sua casa.

 

Ficha técnica:

Santo António nasceu em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto de 1195.  É o  padroeiro da cidade e celebrado em todo Portugal.
Foi batizado como Fernando de Bulhões. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano e trocou o nome para António. Morreu em Pádua, na Itália, em 13 de junho, por isso ficou também conhecido como Santo António de Pádua. Foi Doutor da Igreja.
 
Está sepultado na Basílica que leva o seu nome, em Pádua. Mas vive iluminado pelas fogueiras e pelo céu de junho.

 

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Rio, 7 de junho de 2017. É bonita a festa, pá

Neste próximo 10 de junho os países lusófonos comemoram O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Este dia também é dedicado ao Santo Anjo da Guarda de Portugal, expressando a longa tradição cristã do país e o culto “à corte celeste”– e aos santos populares.

Mas para os brasileiros, Portugal é a bola da vez, como dizemos cá.

Graças ao louvável esforço (e sacrifício) do governo português na direção de uma significativa recuperação econômica, Portugal é, hoje, referência em inovação tecnológica, conectividade, agricultura de ponta, robótica e inteligência artificial.  Com destaque, ainda, para a mobilidade urbana, infraestrutura e responsabilidade ambiental, cuja joia da coroa é a expansão dos “moinhos” de energia eólica.

Sem falar no marketing institucional que propaga a cultura (o fado moderno, novíssimos escritores e cineastas) e as suas commodities (Vinhos de Portugal, Turismo, TAP) em todas as plataformas de mídia no exterior.

Por outro lado (e com trocadilho!), desta margem do Atlântico, se estreitaram a relações bilaterais com Portugal – afinal é de apenas  7.482 kms a distância que separa o centro do Brasil do centro de Portugal em linha reta — transformando Lisboa no perfeito “hub” para o resto da Europa.

O Visa Gold e a facilidade em investir por lá, levaram mais de 80 mil brasileiros a fixarem residência ao longo do Tejo nos últimos anos.

Aliás, a sinergia espiritual, intelectual e comercial entre Portugal e o Brasil, vem de longe, sabemos todos. E para não recuarmos à Colônia e Império, basta dizer já no fim do século XIX, estimava-se que os portugueses tinham mais de 55% de todos os estabelecimentos comerciais ou industriais registrados no Rio de Janeiro, o que representava quase 70% do capital circulante na praça.  E o topo dessa “elite lusa” não poupava esforços nem recursos para se inserir na na sociedade carioca-brasileira, criando diversas associações, como a ACRJ (hoje ACRio), o Mercado de São Sebastião, o antigo Centro de Abastecimento e Distribuição do Estado da Guanabara, hoje Cadeg, o Real Gabinete Português de Leitura, a Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência, o Liceu Literário Português, o Club Ginástico Português e, ora pois, pois, o Club de Regatas Vasco da Gama.

Em literatura, então, somos há muitos anos “uma editora só”, com variantes ortográficas. E para homenagear essa tanta tinta que escreveu em prosa e verso livros que eram lidos com a paixão por gerações e gerações de portugueses e brasileiros, escolhi — é claro — Camões, o génio da raça, para compartilhar esse belo vídeo, na voz grave de Villaret.

Finalmente, na outra mão e da nossa parte, temos oferecido boas oportunidades para o investimento português no Brasil, sobretudo nas áreas têxtil, de energias alternativas, construção civil, turismo (transportes e hotelaria), telecomunicações, azeite e vinhos — gastronomia.

Tanto que somos, atualmente, o principal destino do capital português fora da Europa.

Como remate positivo,  vale registro que as caravelas que ajudaram Portugal a dar novos mundos ao mundo, segunda a feliz expressão de um pensador português, foram agora “promovidas” às fibras óticas da internet — a caravela do século XXI — que (nos) permitem conectar, em tempo real, esse contingente que habita nove países em cinco continentes e forma a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A esse respeito, termino com as estrofes finais do lindo poema que Manuel Bandeira dedicou a Camões.          

Gênio purificado na desgraça,

Te resumiste em ti toda a grandeza:

Poeta e soldado… Em ti brilhou sem jaça

O amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente

Da estirpe  que em perigos sublimados

Plantou a cruz em cada continente,

Não morrerá, sem poetas nem soldados,

A língua que cantaste rudemente

As armas e os barões assinalados.

Bem haja!

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Rio, 24 de maio de 2017. Restaurantes encantados!

NOTA IMPORTANTISSIMA: o Luciano Pessina, um dos proprietarios da Osteria Delle Angolo, me passa a excelente noticia que a OSTERIA nao tem planos de fechar e nos aguarda para um “amaro” depois de almo’co ou jantar, em qualquer dia ou noite da semana. Vida Longa, amigo!

Furto ao a Guimarães Rosa a metáfora do seu discurso de posse na ABL: a gente não morre. Fica encantado. Os restaurantes também? Tomara. Pois só neste maio, que deveria ser macio, com o só ruído do zumbido de abelhas, rolaram mais cabe’cas que na guilhotina de Robespierre.

E no planeta gourmet, aconteceu pior: “ficaram encantados” um restaurante do nosso absoluto querer-bem. O Átrium, da guerreira Vera Helena, ali no estômago do Paço Imperial, convida os amigos para um bye, bye na sexta, 31/5.

É um ciclo?

Ou, num trocadilho infame, será o lado guloso da crise?  Mas desde que amarrei o primeiro guardanapo no pescoço (os demais rolam sempre, pelas pernas, para o chão) já realizaram o salto triplo — agua para o vinho e o vinho para o vinagre — uma meia centena de queridos.

Vou começar pelo obituário dos que deixaram mais saudades, meio sem ordem.

Enotria, Le Bec Fin, Clube Gourmet, Hipo, Cheval Blanc (Búzios), Nino (MAM e Copacabana), Quadrifoglio, The Fox, Mistura Fina, Columbia, Terzetto e Monte Carlo.

A seguir, vem a listona.

Alguns, de significado maior para mim: Mocambo, Beira do Cais, Ponto de Encontro, Antonios, Brasserie Lapeyre, Columbia, Mandy, A Lisboeta, Cirandinha, Rio`s, St. Honore, Champas-Elysees, Laurent, Arlequino.

Outros, ja vao longe na estrada da memoria.

Cabeça Chata, Sambão e Sinhá, Le Relais, Michel, English Bar, Les Templiers, Berro d’Agua, Berlim, Plataforma, Chez Yunes, Antonino, Florentino, Serendipty, Pantagruel, Flag, Don Peppone, Castelo da Laga e Chico’s Bar, Vila d` Este, Bife de Ouro, Alpino, Desgarrada, Alcazar,  Astrodome… devo ter omitido quase quantidade igual aos citados. Convoco os amigos, os blogleitores, a comunidade gourmet do Rio a completar essa rela’c~ao.

Fazer o quê?

Como dizia o poeta Mario Quintana, a saudade é uma lembrança que enlouqueceu. Recorda mas nao resolve. O que compensa eh que alguns de seus proprietários (e sommeliers) estão aí, na luta, alguns ao nosso lado, como o incansável Pedro Paulo, do Mistura, o Danio, do Enotria, a Silvana, do Quadrifoglio, o Ricardo Lapeyre, o Joaozinho e, espero, a Vera Helena e o Luciano.

Enquanto isso, vida que segue. Mas que dói, dói.

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Rio, 10 de maio de 2017. Um presidente que gosta de vinho

Parece redudância, tratando-se de um presidente francês, mas não é. O Sarkozy não bebia nada e o Chirac só tomava cerveja. Por isso, essa entrevista do presidente eleito Emmanuel Macron, feita no Café Bellini, em Bordeaux, em dezembro de 2016, para o site “Terre de Vins”, faz toda a diferença.

Abaixo, uma tradução livre e resumida, que fiz.. Vejam e ouçam a entrevista.

Primeiro, ele se declara um apaixonado pelo vinho. Perguntado se bebe desde moço, disse que sim, que em sua casa sempre houve uma adega “preenchida” e que seu pai dizia que o melhor é o tinto: “antioxidante”. Mas foi já adulto, como alto executivo do Grupo Rothschild, que ele apurou o paladar e se iniciou nos “grand crus” como os Lafites, Moutons e outros ícones de Bordeaux. Aliás, confessa que prefere os brancos da Bourgogne (Chablis) e os tintos de Bordeaux. E defende (com muita lucidez) a tecnologia como aliada da nova agroindústria. Finaliza dizendo: “a resposta aos pesticidas não passa unicamente pela alternativa oposta — os vinhos biôs (biodinâmicos). Passa pela inovação… Bravô!

Mas de agora em diante, M. le Président, trata-se de gastronomia de estado. 

O que não é novidade para um chefe de estado francês..

Começando por Luis IV, é claro, que reinou 60 anos. Ora, o que sabe fazer um rei? Sexo, Guerras e… comer e beber bem. Nem por acaso a culinária típica da França antiga era molhada de sauces o que é fácil explicar : como servir duas a três refeições ao monarca e à sua corte, se por mais variado que seja o solo e o clima do país, legumes, verduras, e “bichos” não são infintos. Era preciso então, repetir — variando. Pato com laranja, com mostarda, com ervas… coq au vin, aux marrons…

Depois veio Napoleão, gênio, estrategista, mas um péssimo gourmet. Comia às pressas, às vezes de pé (donde, provavelmente a úlcera que virou câncer e acabou por matá-lo – isso para não dar curso à teoria da conspiração, foram os ingleses…). O que melhora um pouco a sua biografia no que se refere aos prazeres da mesa é um certo apreço pelas taças:  gostava do tinto Chambertin e de champagne. Atribui-se a ele, o sabrage (a degola das garrafas)          aliás, tanto pelo amor ao espetáculo, quando pela pressa — uma de suas carcaterísticas. Mas tornou-se amigo do  Jean-Rémy Moët, nos tempos da escola militar em Brienne. E já imperador, visitava com frequência as caves da Moët-Chandon, m Épernay, como nesta ilustração de 1807.

E sendo um homem que se identificava com a glória, valorizava tudo que fosse pompa, grandeza, liturgia de poder. Vejam esse rápido vídeo de sua coroação.

E em termos de diplomacia de longo alcance,  liberou o seu Ministro de Relações Exteriores, o astuo Talleyrand-Périgord  – que até no nome já remete ao foie-gras dessa região — para adquirir a peso de ouro o Château de Valençay e lá instalar ninguém menos do que o Carême, “o cozinheiro dos reis”.

Carême era um monstro no arranjo das mesas e na lipoaspiração dos molhos – espessos e abundantes no reinado de Luiz IV, como dissemos. Foi o criador da alta gastronomia, a começar pelo décor das mesas e, sobretudo, pela variedade e valorização das matérias-primas. Ele estruturou também a a lógica do serviço; ou seja, em vez de servir todos os pratos ao mesmo tempo, eles passaram a vir cada um no seu tempo numa sequência harmônica.

Organizou banquetes memoráveis, em que avestruzes cruzavam o lado externo das janelas provocando efeitos de luz e sombra; acendendo velas tisnadas com pólen de flores e anilina para ganharem colorido, etc – foi, sem dúvida, um dos pioneiros da “haute cuisine”, por oposição à “cuisine du marché”, urbana e proletária.

Já a lógica da escolha dos convidados, da conversa e dos segredos a serem extraídos depois de muito vinho, ah! Isso era a especialidade de Talleyrand!

Mais de 200 anos depois, o presidente francês Valéry Giscard d’ Estaing espetou no peito de Paul Bocuse a Légion d’Honneur, num gesto inédito, que celebra o início do prestígio do chef em lugar do “apenas” grande cozinheiro. Eles viraram estrelas – mais do que as de seus restaurantes.

Para celebrar a ocasião, Bocuse preparou a sopa de trufas — VGE, as iniciais do presidente — que ficou célebre. Caldo de carne, vinho branco, trufas negras, foie gras, cenoura, cebola, salsão, carne  cortada  em  pedaços        finíssimos, pitadas de sal marinho e pimenta-do-reino.  O toque distintivo: crosta de massa folhada para preservar o calor e os aromas.

Ela é servida até hoje no restaurante dessa lenda da gastronomia, o Auberge du Pont des Collognes, a menos de duas horas de Paris. E custa cerca de 80 euros.

Depois veio Mitterrant, também um belo gourmet, sofisticado, exigente. Os seguintes não merecem registro especial nesse campo.

E agora, esperemos, o Palácio do Eliseu vai voltar a abrir os seus salões de banquetes … e a sua rica adega.

Santé! Et Bon Appétit!

 

 

 

 

 

 

 

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