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Salvaguarda: desespero ou equívoco?

Embora impedido de postar com mais frequência neste Jblog por motivos profissionais, não pude, é claro, deixar de acompanhar a mais recente batalha travada no mundo do vinho. Queixando-se de que não consegue participar do propalado crescimento do mercado de vinhos no Brasil, o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e outras entidades decidiram entrar com um pedido de salvaguarda para o vinho brasileiro.
O site do Ministério da Indústria e Comércio define salvaguarda como "medidas que têm como objetivo aumentar, temporariamente, a proteção à indústria doméstica que esteja sofrendo prejuízo grave ou ameaça de prejuízo grave decorrente do aumento, em quantidade, das importações, em termos absolutos ou em relação à produção nacional, com o intuito de que durante o período de vigência de tais medidas a indústria doméstica se ajuste, aumentando a sua competitividade."
Diante das primeiras informações de que o setor produtivo ameaçava pedir elevação do imposto de importação de vinhos dos já famigerados 27% para 55%, o pedido de salvaguardas soa como aquela velha piada do bode na sala porque, mesmo sendo um recurso legítimo e reconhecido no comércio exterior, não protege o vinho brasileiro de nada. Na minha modesta opinião, o que faz com que o aumento das vendas do vinho brasileiro em nosso próprio país seja tímido e acanhado é sua falta de competividade com rótulos estrangeiros no quesito preço. Se o preço do vinho brasileiro na comparação com similares estrangeiros em qualidade é alto, talvez seja a hora de rever custos e, principalmente, brigar com o governo para que a taxação do vinho nacional não seja tão elevada. Essa briga tem, e sempre terá, o meu apoio entusiasmado!
Não me parece papel adequado para o setor produtivo brasileiro bater na falta de qualidade dos milhões e milhões de garrafas que chegam, a cada ano, no Brasil. Na condição de consumidor e apreciador de vinhos, acredito no poder de decisão do consumidor para fazer esse tipo de avaliação adotando os critérios que bem entender, tais como como qualidade, preço e a combinação de ambos. Se vivemos numa economia de mercado, vamos deixar o mercado agir por conta própria. LImitar a entrada de rótulos do exterior no momento em que o consumidor brasileiro torna-se mais exigente e está ansioso por conhecer coisas novas é quase que importar a famigerada Lei Seca, que vigorou por décadas nos Estados Unidos.
Ontem, recebi a nota oficial do Ibravin que dá sua versão para a necessidade do pedido de salvaguarda e a reproduzo, na íntegra, abaixo para que os leitores tirem suas próprias conclusões.

NOTA DE ESCLARECIMENTO À IMPRENSA

EM DEFESA DO VINHO BRASILEIRO

O Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN), a União Brasileira de Vitivinicultura (UVIBRA), a Federação das Cooperativas do Vinho (FECOVINHO) e o Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (SINDIVINHO) reafirmam que foram estas – e só estas – as entidades representativas do setor vitivinícola brasileiro que entraram com o pedido de Salvaguarda no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). Entretanto, contamos com o apoio de dezenas de instituições.

Nenhuma vinícola brasileira, de forma isolada, deve ser responsabilizada pelo pedido, feito em 1º de julho de 2011. Várias empresas tiveram informações colhidas, de acordo com a legislação, para embasar tecnicamente o pedido de Salvaguarda. A petição foi apresentada pelo setor, por meio das suas entidades representativas.

A Salvaguarda é um instrumento previsto pela legislação brasileira e internacional, reconhecido pela OMC (Organização Mundial do Comércio), para regular e equilibrar as relações comerciais entre os países. É, portanto, uma medida legal e temporária que objetiva dar condições para que os setores afetados possam, a partir da implantação de um Programa de Ajustes, melhorar sua competitividade e concorrer em igualdade de condições com demais partícipes do mercado.

A melhora da competitividade do vinho fino brasileiro possibilitará produtos com mais qualidade, custos menores e preços acessíveis ao consumidor.

É importante ressaltar que não pedimos e não queremos o aumento de impostos para os vinhos importados!

O resultado esperado com a implantação da medida e do Programa de Ajustes é garantir a participação da produção brasileira de vinhos finos no mercado, que nos últimos anos cresceu apenas para os produtos importados. Dos 91,9 milhões de litros de vinhos finos comercializados em 2011, apenas 21,3% eram nacionais. Nosso objetivo é resgatar a nossa capacidade competitiva para permanecer neste mercado e, se possível, elevar nossa participação em alguns pontos percentuais. Caso contrário, o setor produtivo nacional corre o risco de desaparecer em poucos anos.

Vale ressaltar que, há poucos anos, o vinho fino brasileiro possuía uma participação muito maior no mercado nacional, e o quadro abaixo demonstra como isso se inverteu em muito pouco tempo.




Fonte: Ibravin e Sistema Alice (MDIC)

O que se espera são medidas temporárias e transitórias que permitam o reequilíbrio do mercado, tais como as cotas – que a União Europeia e muitos outros países aplicam a inúmeros produtos brasileiros. Por que eles podem aplicar estas medidas e a indústria vitivinícola brasileira não? As regras da OMC são válidas para todos os países participantes.

Com o pedido de Salvaguarda e implantação do Programa de Ajustes, acreditamos estar garantindo o futuro dos vinhos brasileiros, produto gerado em uma cadeia produtiva que emprega mais de 20 mil famílias só no campo, e que hoje já alcança nove estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Bahia e Pernambuco).

Além disso, buscamos equalizar os impostos estaduais (ICMS), que vão de 12% a 30% sobre o vinho. Alguns Estados beneficiam com a redução de ICMS as importações de vinhos e tributam os nacionais, inclusive os produzidos no próprio Estado, como é o caso de Santa Catarina e Espírito Santo. Já foram realizadas reuniões com secretarias da fazenda de quatro Estados para tratar desse assunto.

Nosso objetivo é promover o consumo, criando igualdade de condições de mercado, sem a necessidade de aumentar o preço (como se tem sugerido, maquiavelicamente, por quem defende os produtos estrangeiros sem se preocupar com a produção, os empregos e as agroindústrias nacionais).

Deve ficar claro que a Salvaguarda é uma medida temporária e pode ser facilmente compreendida, assim como quando o Brasil limita a importação de automóveis do México, regula a entrada de calçados da China, aceita cotas de comércio com a Argentina, sofre taxação na venda de suco de laranja para os EUA, é impedido de vender carne suína para a África do Sul e a Rússia, sofre barreiras sanitárias da União Europeia para produtos alimentícios, tem cotas para exportar para diversos países, precisa atender a todas as especificações da legislação para onde exporta, e outros tantos exemplos. Não somos os primeiros nem os únicos a estabelecer isso. Faz parte das regras do comércio internacional leal o estabelecimento de princípios que garantam igualdade de condições.

Estamos trabalhando pela redução de impostos há pelo menos uma década. Já conseguimos a desoneração dos vinhos espumantes, que antes tinham IPI de 30%. Agora o IPI dos espumantes – nacionais e importados – é de 20%, mas, por definição de atos específicos, o percentual cobrado sobre os espumantes é de 10%.

O Brasil possui hoje uma infinidade de vinhos importados. Quando falamos em estabelecer cotas para os vinhos estrangeiros, isso não quer dizer que queremos restringir a variedade atual. Se a Salvaguarda for implantada, as cotas de entrada de vinhos por países serão estabelecidas por uma média dos últimos três anos. O que queremos é regulação, não restrição.

Por fim, para o setor vitivinícola brasileiro, a Salvaguarda não é uma “dádiva”, pois o setor terá, neste período, que implantar medidas de ajuste, principalmente estruturantes, que o auxilie a tornar-se mais competitivo.

As ameaças e pressões comerciais, como a proposta de boicote aos vinhos verde-amarelos, que têm circulado nas redes sociais e que pretendem restringir a presença dos rótulos brasileiros no mercado, só aumentam, comprovam e justificam ainda mais a necessidade de implantação das medidas de Salvaguarda.

Independentemente das interpretações equivocadas divulgadas nos últimos dias, baseadas no desconhecimento e na falta de informações, reafirmamos nossa firme disposição em seguir com o pedido de Salvaguarda em defesa do vinho brasileiro.

Atenciosamente,

Instituto Brasileiro do Vinho (IBRAVIN)
União Brasileira de Vitivinicultura (UVIBRA)
Federação das Cooperativas do Vinho (FECOVINHO)
Sindicato da Indústria do Vinho do Estado do Rio Grande do Sul (SINDIVINHO)

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Ibravin elege novo presidente

Alceu Dalle Molle foi eleito na última sexta-feira o novo presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Formado em Administração de Empresas, Dalle Molle, de 43 anos, avisa que o bom trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Instituto terá continuidade em sua gestão. “O Ibravin tem um planejamento bem ajustado, do qual eu participei ativamente, por isso a ideia é colocá-lo em prática”, afirma, acrescentando que o ordenamento do setor, a promoção dos vinhos brasileiros no Brasil e no exterior são suas prioridades, assim como a assistência técnica aos viticultores. “Só teremos bons produtos, vinhos, espumantes e suco de uva, se cuidarmos bem da nossa matéria-prima que é a uva”, observa.

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Ibravin anuncia vinícolas destaques de 2011

O Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) divulgou nesta sexta-feira as vinícolas destaques do ano. O processo de escolha envolveu as empresas que integram os projetos de promoção no mercado interno (Vinhos do Brasil) e e externo (Wines of Brasil) e os jornalistas que participaram das edições do Projeto Imagem ao longo do ano de 2011. A premiação foi feita na última terça-feira na vinícola Lovara, em Bento Gonçalves (RS).
Durante o evento, a gerente de Promoção Comercial do Wines of Brasil, Andreia Gentilini Milan, informou que a exportação das empresas associadas ao projeto deverá fechar 2011 com US$ 3 milhões. Os negócios foram feitos com 31 países e envolvem exportação de espumantes, vinhos finos e suco de uva. A Miolo ganhou, pelo terceiro ano consecutivo, na categoria maior valor exportado e maior número de países, obtendo um crescimento de 38,5% nas vendas de vinhos e espumantes para 31 países. Mas no quesito crescimento o melhor desempenho foi da Salton, que elevou suas vendas em 221% em relação a 2010. A Lidio Carraro foi a vinícola que mais participou das ações realizadas pelo Wines of Brasil este ano, marcando presença em 20 eventos no exterior. E o destaque no Projeto Primeira Exportação (PPE) foi Basso Vinhos e Espumantes. O profissional destaque do ano foi Elisa Walker, da Casa Valduga.
Pelo projeto Vinhos do Brasil, as empresas destaques do ano foram Casa Valduga (a escolha foi feita entre os jornalistas participantes do Projeto Imagem), Don Laurindo (empresa de pequeno porte), Domno do Brasil (empresa de médio porte) e Miolo (empresa de grande porte). O profissional destaque de 2011 no mercado interno foi Miguel Carraro Neto, da Cooperativa Vinícola Garibaldi.

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Pequenos sim, mas com muita qualidade



MOVI parece sigla de algum programa de mobilidade urbana mas, na verdade, é uma associação de vinícolas independentes chilenas criada há dois anos e com uma proposta bem definida. São 19 produtores que rezam pela cartilha de manter sua produção de forma artesanal, do manejo dos vinhedos à comercialização da produção.
O jornalista e consultor Alexandre Lalas selecionou seis rótulos de vinícolas participantes deste movimento para serem apresentados, no próximo dia 30, a partir das 19h30, em degustação na Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (Sbav-Rio).
"Os produtores ligados ao MOVI são autênticas vinícolas-boutique. Não há empresas Fortune 500, nenhum grupo econômico e nem patronos de conveniência", explica o jornalista.
As vinícolas do MOVI vendem basicamente para fora do Chile. Algumas delas estão presentes em mais de 15 países. Mas há aqueles que produzem cerca de 3.600 garrafas/ano. Outros possuam vinhas com mais de 100 anos de idade.
Os vinhos selecionados por Lalas para o encontro são:

Bravado Wines Marina Sauvignon Blanc 2010
Erasmo 2006
Bustamante Mantum 2007
Clos Andino Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2008
Gillmore Hacedor de Mundos Carignan Old Vines 2008
Trabun Syrah 2009

Sócios da Sbav-Rio pagam R$ 126 e os não-sócios, R$ 180, com direito a tábua de queijos e frios ao fim do encontro. As vagas são limitadas a 13 participantes. A Sbav-Rio fica na Rua Martins Ferreira, 71, em Botafogo. Mais informações e insdcrições pelo telefone (21) 2537 2474 (a partir de 13h) ou pelo email secretaria@sbav-rio.com.br.

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Você conhece os 14 vinhos brasileiros mais vendidos no exterior?




Na última semana, a Wines of Brasil promoveu uma degustação com os 14 vinhos brasileiros mais exportados. Participaram do encontro representantes de 12 empresas – Aurora, Basso, Boscato, Dal Pizzol, Dom Cândido, Don Giovanni, Don Guerino, Dunamis, Galiotto, Larentis, Perini e Santo Emilio. O objetivo foi descobrir os segredos dos principais rótulos brasileiros comprados mundo afora, indicando caminhos para vinícolas que buscam sua primeira venda ao exterior.
Segundo a gerente do Wines of Brasil, Andreia Gentilini Milan, a degustação visa fornecer dados concretos para que as vinícolas possam escolher os rótulos mas convenientes ao mercado externo, estabelecendo um padrão de qualidade, variedades de uvas, preços e menor ou maior presença de madeira nos vinhos. "A avaliação dos produtos mais aceitos no mercado internacional oferece um panorama sobre o potencial de exportação em cada um dos mercados-alvo do projeto Wines of Brasil", comenta.
A degustação educativa dos 14 rótulos foi às cegas, com todos os participantes comentando as características organolépticas dos vinhos, além de preço e embalagem. A condução foi de Júlio César Kunz, da Dunamis, que falou ainda sobre os mercados compradores destes vinhos – Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Países Baixos, Bélgica e China. Também foram abordados os mercados de Hong Kong, Canadá, Polônia e Suécia.
Veja, abaixo, os vinhos brasileiros mais exportados e seus principais mercados:

Miolo Alísios do Seival (Pinot Grigio / Riesling): Inglaterra
Miolo Family Vineyards (Merlot): Diversos países, destaque para a Holanda
Miolo Cuvée Giuseppe (Merlot/Cabernet Sauvignon): 10 países, destaque para Holanda
Miolo Family Vineyards (Cabernet Sauvignon): Diversos países, destaque para a China
Aurora Cabernet Sauvignon: Alemanha
Aurora Moscatel (espumante): Estados Unidos
Aurora Chardonnay (espumante): Dinamarca, Japão e Holanda
Casa Valduga Duetto Chardonnay /Riesling: Vários países, destaque para a Alemanha.
Casa Valduga Premium Cabernet Franc: Alemanha
Casa Valduga Gran Reserva Cabernet Sauvignon: Vários países, destaque para os Estados Unidos
Lidio Carraro Agnus Merlot: Estados Unidos
Lidio Carraro Dádivas Chardonnay: Estados Unidos
Salton Flowers (frisante aromático): Vários países, destaque para Alemanha e Polônia
Salton Classic Tannat: Vários países, destaque para a Bélgica.


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Espumantes Almadén ampliam vendas da Miolo

Voltando ao balanço da Miolo, divulgado nesta terça-feira, o grupo registrou, de janeiro a setembro deste ano, um crescimento de 30% na venda de espumantes. A previsão para o final do ano é manter esse percentual e chegar a 4,2 milhões de garrafas comercializadas. Com o lançamento dos espumantes da linha Almadén, a vinícola passou a atuar em quatro segmentos bem definidos: Básico Semi-Luxo, Básico Luxo, Premium e Superpremium.
Os espumantes de entrada da Almadén, lançados em junho deste ano, representam 7% do volume total de espumantes produzidos pela empresa, mas devem chegar a 20% até o fim do ano. O preço desse rótulo (nas versões brut e demisec) varia de R$ 12,50 a R$ 14,90 de acordo com a região do país.

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