Agência Minas Gerais | Leia na íntegra o discurso do governador Mateus Simões na cerimônia de transmissão do cargo no Palácio da Liberdade
Março 22, 2026Imaginem o que é para um sujeito lá do Pontal do Triângulo, descendente do Neco e da Painha, chegar até aqui, neste prédio onde morou JK, onde trabalhou Milton Campos, desta varanda discursou Tancredo pela democracia. Caminho longo, viu, governador?
Governador, eu queria começar fazendo um agradecimento pessoal ao senhor. Sete anos atrás, o senhor me confiou a possibilidade de coordenar a atividade dos secretários. E, novamente, há quatro anos, o senhor me fez o convite para que pudesse ser vice-governador, parceiro do senhor na transformação de Minas Gerais e seu sucessor. Muito obrigado, governador. Efetivamente, muito obrigado.
O estado que o governador me entrega é muito diferente daquele que ele recebeu. Eu sou grato porque nós estamos falando de um estado que hoje tem as contas em dia, que tem condição de planejar os seus investimentos, que pode ir mais longe, porque ele fez o mais difícil.
Como o governador gosta de dizer, ele não se preocupou em fazer o fácil ou que fica pronto rápido. Aliás, ele gosta de falar que nós somos bons plantadores de milho e de soja, que se colhe em poucos meses, mas que nós aqui em Minas aprendemos mesmo foi a plantar eucalipto, a plantar mogno, a plantar oliveira, que vai ser cortada daqui a sete, daqui a 15 anos, ou que vai produzir por décadas. Nós estamos diante do maior conjunto de obras já idealizado para o estado de Minas Gerais, mas ele não vai ver a inauguração de várias delas, não como governador.
O metrô, que era um sonho de 30 anos, está sendo construído, mas ele viu duas das estações ficando prontas. Nós vamos continuar inaugurando estações por mais três anos. O Rodoanel está para começar com dinheiro garantido e vai mudar a realidade de Minas Gerais, porque vão ser menos 50 mortes por ano no Anel Rodoviário, e ele não vai ver como o governador essa obra ser entregue.
Dos cinco hospitais regionais, três eu é que vou inaugurar. E o HoPE (Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio) vai ser inaugurado pelo governador que foi eleito neste ano. Ele nunca se incomodou com o fato de que ele não seria capaz de colher o resultado imediato, porque ele sempre soube que era mais importante fazer o certo do que fazer o rápido. Obrigado, governador Romeu Zema, eu devo muito ao senhor.
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Governo de Minas realiza cerimônia de transmissão do cargo de governador no Palácio da Liberdade
Meu pai era uma figura muito interessante. Seu Gutemberg, que o governador conheceu, mudou para Araxá e foi cuidar da fazenda. E lá, governador, quando nós mudamos para a chácara, tinha uma lagoa que era coberta de taboa. Taboa, são aquelas touceiras de capim com barro, e não dava para ver a lagoa efetivamente. Os homens ficavam trabalhando ali com barro até a altura da cintura, duas juntas de boi de carro puxando touceira a manhã inteira.
Às vezes, eles tiravam dez, 15 touceiras numa manhã. Na hora que eles terminavam o trabalho da manhã, parecia que não tinha acontecido nada, que a represa continuava toda tampada. Mas, depois de meses, a represa estava limpa. Eu nadei muito naquela represa. A gente tem que ter a consciência de que o trabalho leva tempo se ele vai ser bem feito.
A minha mãe, Dona Elisa, lá de Pedro Leopoldo, da minha Perdões, ela cozinhou para fora muito tempo. E com a mamãe eu aprendi que coisa bem-feita precisa ser preparada com cuidado. O que ela ia vender em dezembro, no Natal, ela começava a cozinhar em novembro. Mostrando que quem tem perseverança, aplica técnica e tem experiência, tem condição de entregar aquilo que precisa.
Mas, eu hoje, governador, assumo um desafio e quero aproveitar a presença dos meus irmãos aqui. Para, em nome do Lucas, da Catarina, da Taciana, e dos meus sobrinhos, dizer que a minha obrigação e compromisso é honrar o legado da nossa família.
Trabalho, dedicação e cuidado com o outro. Acho que se eu fizer isso, eu conduzo bem o futuro do estado daqui para frente.
Governador, eu fico também emocionado de pensar o tamanho dos desafios que nós temos pela frente. A Chris, amor da minha vida, mulher com quem eu estou casado há 20 anos, comandante do Servas, com ela eu tenho oportunidade de discutir muito sobre os problemas sociais do nosso estado. Entender que cuidar dos pobres é importante, mas acabar com a pobreza é que é o verdadeiro desafio.
Bolsa pode até ter sentido, mas não é possível acreditar que a gente vai resolver os problemas do Brasil só com bolsa. A gente precisa de cursos como Trilhas de Futuro, qualificar nossa mão de obra, construir oportunidade de emprego e renda. E a gente tem feito isso. Dá o peixe, mas ensina o sujeito a pescar.
Nós temos, governador, também outros desafios. E eu não posso esquecer nunca do nosso desafio da educação. Eu sou professor, neto de professora. A vovó Marília é professora da rede, aposentada. Eu tenho muito orgulho disso. Eu estive com ela na quarta-feira, governador, ela está acamada, não tem mais condição de sair de casa, está com 90 anos. E a gente lembrava da época que ela era professora lá em Perdões.
Governador, quanta coisa mudou nesse estado da educação. Nós cumprimos as nossas obrigações dos reajustes anuais, mas fomos muito mais longe que isso. Reformamos escolas, transformamos a merenda escolar, colocamos quadras. Conseguimos avançar em tecnologia dentro das escolas com o wi-fi. Conseguimos permitir aos alunos que façam intercâmbio internacional. Por que não? Eles merecem, se eles são os melhores alunos. Nosso futuro depende deles.
Cuidar das crianças. Já distribuí mais de 1 milhão de litros de leite este ano, governador, este ano. Para crianças de 2 a 6 anos que não tem condição de se nutrir sem esse apoio. A gente tem que continuar esses projetos e ainda tem muito a avançar na educação e no cuidado com a criança.
E quando a gente fala da criança, eu acabo sendo obrigado a lembrar de uma outra figura essencial nessa discussão, que são as mulheres, as mães, as meninas. Este estado está em débito com as mulheres. É um estado em que ainda é mais difícil vencer sendo mulher. Fico lembrando da tia Angelina, minha tia, figura mais importante feminina da minha criação depois que meus pais morreram. Tia Angelina venceu na vida, fez três cursos superiores, foi diretora de banco. Mas tudo para ela foi mais difícil. Ela nunca abriu mão de ser mãe, nunca abriu mão de ser mulher.
Mas por que é mais difícil se você é mulher? Como é que a gente continua naturalizando a violência contra a mulher? Como é que a gente continua tratando isso como se fosse um trato cultural? A mulher vai ser protegida em Minas Gerais e nós teremos as políticas que elas precisam. Esse compromisso é meu.
Eu sou, antes de qualquer coisa, professor. Acho que até este é um dos problemas. As pessoas falam, “Mateus, você fala num tom meio professoral” e eu falo, “meu filho, são 22 anos dando aula, é difícil perder o cacoete”. Mas como professor, eu sei da importância do cuidado. Cuidado com a educação, como eu disse, cuidando das nossas escolas, do Trilhas de Futuro. Mas eu quero dizer que é cuidando também da saúde dos mineiros.
Eu tenho uma preocupação muito grande com o fato de que as pessoas ainda não vivem num estado em que elas têm tranquilidade para receber a saúde que elas precisam, governador. E eu quero que cada um saiba do meu compromisso em cuidar dessas pessoas. Garantir cada posto de saúde em cada uma das nossas cidades, nossos hospitais funcionando, operando. Garantir que a universalização do Samu veio para ficar, para que a gente transforme em legado o que o senhor já fez, governador.
Mas além de professor, governador, eu sou agricultor. E como agricultor, eu sei que é importante plantar antes de colher. A gente tem que cuidar da preparação do solo antes de tudo. E eu quero dizer que a infraestrutura vai continuar sendo prioridade nesse estado, porque é assim que a gente planta. O governador está deixando cinco anos de planejamento de investimento em infraestrutura nesse estado. E com a venda da Copasa, nós vamos cumprir cada metro de asfalto que o senhor planejou que seja feito nesse estado, governador.
Onze bilhões de reais para o saneamento. E nós vamos fazer também macrodrenagem, como já fizemos em contagem em Belo Horizonte. Reassentando as famílias e garantindo que não haja enchente, como nós estamos fazendo no Rio Doce. Como nós vamos fazer na Zona da Mata que foi atingida agora e como tem que ser feito em todo o estado.
Mas eu estou aqui para assumir um novo papel na minha vida, além de professor e além de agricultor. Eu me tornei hoje governador de Minas Gerais. E como governador, eu quero fazer dois outros compromissos com os mineiros.
O primeiro deles é o de continuar trabalhando para que eles tenham mais dignidade. Porque se nós temos hoje a menor taxa de desemprego da história, graças ao trabalho do governador Romeu Zena, nós ainda precisamos avançar na renda média do mineiro. Nós estamos falando de qualificação dos empregos que são gerados. E eu vou estar trabalhando com isso todos os dias para garantir que todo mineiro não só possa trabalhar, mas que ele possa viver bem e sustentar sua família.
E junto com esse compromisso, um compromisso sobre segurança pública. Em Minas Gerais não há espaço para o desmando. Nós não permitiremos a chegada do crime organizado. Eles serão perseguidos e expulsos e presos sempre que necessário.
Governador, eu sou imensamente grato a Deus por esse momento. Quero dizer para o senhor que Deus foi muito, muito generoso comigo até aqui. Quem imaginaria que um órfão de 14 anos de idade, 30 anos depois, estaria aqui assumindo o Governo do Estado de Minas Gerais?
Mas, eu sei que eu tenho que agradecer outras pessoas também por isso, e eu quero deixar aqui muito claro aos deputados, aos secretários e aos meus amigos prefeitos e vereadores, que vocês estão no meu coração. Eu vou honrar cada mineiro e cada geraizeiro ao longo desse percurso, governador. E eu tenho só uma coisa a dizer, quando a gente está junto, a gente vence.
Por isso, conto com vocês. Juntos por Minas.


