Moraes aumenta restrição para voos de drones na casa de Bolsonaro

Por MRNews

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (2) aumentar para 1 quilômetro a área de restrição para voos de drones nas proximidades da casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

A medida foi tomada após pedido da Polícia Militar, que é responsável pela vigilância da residência por 90 dias, período em que o ex-presidente cumprirá prisão domiciliar.

Na semana passada, Moraes proibiu voos de drones no raio de 100 metros da casa e autorizou a prisão de quem operar o aparelho.

Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura

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Na manhã de hoje, a PM pediu a ampliação da proibição para aumentar a segurança da área e evitar o monitoramento indevido da casa.

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Diante da solicitação, o ministro autorizou a ampliação da restrição.

“Mostra-se adequada a recomendação do BavOp [Batalhão de Aviação Operacional] pela ampliação do perímetro de restrição para o raio mínimo de 1 quilômetro, compatível com a realidade operacional e com o nível de proteção exigido no caso concreto”, decidiu.

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Bolsonaro cumpre pena definitiva de 27 anos e três meses de prisão pela condenação na ação penal da trama golpista. 

 

Núcleo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade (Nugs) seleciona novos integrantes – IFSP

Inscrições de 6 a 19 de abril; podem se candidatar servidores e estudantes matriculados e egressos

O IFSP publicou, no dia 2 de abril, o Edital nº 60/2026, de seleção de novos integrantes para o Núcleo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade (Nugs). O edital tem como objetivo a recomposição do Nugs e disponibiliza 40 vagas, distribuídas entre servidores (docentes e técnico-administrativos) e estudantes (regulares e egressos), com critérios que buscam assegurar diversidade de segmentos e representatividade entre os diferentes campi do IFSP.

As inscrições para o edital estarão abertas de 6 a 19 de abril de 2026, por meio de formulário eletrônico, e o resultado final está previsto para 15 de maio de 2026 .

Nugs

O Núcleo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade do IFSP tem a finalidade de promover ações com vistas a uma educação inclusiva e não-sexista que propiciem a equidade e a igualdade entre os gêneros, o combate à violência e à discriminação contra as pessoas LGBTQIAPN+, de modo a promover a valorização da diversidade, o respeito pela diferença e a preservação e ampliação dos direitos dessas pessoas.

Saiba mais sobre o Nugs aqui.

Edital inclusivo

O edital representa um marco institucional ao prever, de forma explícita, a reserva de vagas para pessoas trans, consolidando avanços nas políticas de ações afirmativas da Instituição.

Entre as ações afirmativas previstas, estão vagas destinadas a pessoas pretas, pardas e indígenas (PPI), pessoas com deficiência (PcD) e pessoas trans. A inclusão explícita desse último grupo sinaliza um movimento institucional mais estruturado de ampliação da participação de sujeitos historicamente sub-representados nos espaços de construção de políticas educacionais e ações formativas.

O processo seletivo considera a trajetória das pessoas candidatas em atividades relacionadas às temáticas de gênero, sexualidade, diversidade e direitos humanos, incluindo participação em projetos, formações, coletivos, iniciativas comunitárias e ações de comunicação. A classificação será realizada com base na pontuação dessas experiências, reforçando o caráter engajado e formativo do Núcleo.

O edital representa um marco institucional ao prever, de forma explícita, a reserva de vagas para pessoas trans, consolidando avanços nas políticas de ações afirmativas da Instituição.

A publicação do edital ocorre em um momento simbólico: a celebração dos 10 anos de atuação do Nugs no IFSP. Ao longo dessa década, o Núcleo tem se consolidado como espaço de produção de conhecimento, articulação institucional e promoção de ações voltadas à equidade de gênero e à diversidade sexual.

Mais do que uma chamada pública, o edital reafirma o papel do Nugs como espaço estratégico de diálogo, formação e transformação institucional, agora com um passo mais consistente na consolidação de políticas inclusivas voltadas à diversidade de gênero. 

 

Encontro Nugs

Como parte dessa celebração, será realizado o Encontro do Nugs-IFSP 2026: Uma Década de Resistência, Diálogo e Afeto, entre os dias 25 e 29 de maio, na cidade de São Roque (SP). O evento contará com mesas-redondas, oficinas, rodas de conversa, apresentações artísticas e atividades culturais, promovendo a integração entre comunidade acadêmica e sociedade. Saiba mais aqui.

Documentos

 Edital nº 60/2026

Cronograma

Descrição Data/Período
Publicação do Edital 06 de abril de 2026
Período de Inscrição 06 de abril a 19 de abril de 2026
Avaliação das candidaturas 20 de abril a 10 de maio de 2026
Divulgação do resultado preliminar 11 de maio de 2026
Interposição de recursos 12 a 13 de maio de 2026
Análise dos recursos 14 de maio de 2026
Divulgação da homologação do
resultado final para a constituição do Nugs
15 de maio de 2026

 

Suíça monitorou e perseguiu brasileiros contrários à ditadura

Por MRNews

“Fui torturado por quatro dias. Quase sem parar. Não saí da câmara de tortura”.

Era assim que o jovem estudante brasileiro, exilado na Suíça, Jean Marc Von der Weid, começava a descrever as sessões de tortura a que foi submetido enquanto esteve preso no Brasil, entre agosto de 1969 e janeiro de 1971. Ele falou sobre o assunto em uma entrevista para a RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça.

Jean Marc foi um dos 70 presos políticos libertados em troca do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, no mais longo sequestro de um diplomata registrado no Brasil. O jovem que também tinha nacionalidade suíça aproveitou o exílio para denunciar as violações no Brasil e dava detalhes sobre as técnicas de tortura adotada nos porões da ditadura:

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“Pau de arara. Você é pendurado pelos pés, pelas mãos e de cabeça para baixo. Nessa posição, me aplicavam choques pelo, golpes com cassetetes e o ‘telefone’, golpes simultâneos com as mãos nas orelhas. Também sofri a tortura hidráulica. Por um tempo, eles forçaram água no meu nariz. Além das queimaduras. Eles queimam as pessoas com cigarros”.

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Essa não foi a única entrevista dada por Jean Marc. Na verdade, depois de chegar na Europa, ele começou uma maratona de participações em eventos, palestras, debates e muitas entrevistas com o objetivo de mostrar à opinião pública na Europa o que acontecia no Brasil do milagre econômico. A movimentação incomodou o governo suíço que mantinha fortes ligações econômicas com o regime militar no Brasil. 

Gaelle Shclier estudou a atuação de ativistas brasileiros e as movimentações do governo e da diplomacia suíça para uma pesquisa na Universidade de Lausanne:

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“Esses eventos eram monitorados pela polícia”.  Ela teve acesso a relatórios que comprovam a vigilância e compartilhou um desses documentos com a nossa reportagem. 

Um documento de 9 de março de 1971 é um relatório de 36 páginas em francês que tem como destinatário o chefe da polícia de Lausanne e traz a transcrição das palestras feitas por ativistas durante a conferência Brasil, a democratização da tortura. O discurso de Jean Marc é o primeiro transcrito pela polícia suíça no relatório:

“Não há limitação, no Brasil, quanto às pessoas torturadas. Você pode ter crianças que são torturadas. Havia um menino que foi levado na mesma época que eu. Ele tinha 14 anos, e tinha paralisia infantil. Ele foi torturado para fazer sua mãe falar.”

O documento também traz detalhes sobre quem organizou o encontro, os dizeres dos cartazes presos nas paredes, como  “12.000 presos políticos”, “A tortura é indispensável ao poder militar”, “Apoio à luta do povo brasileiro” e nomes de empresas suíças que lucravam com a política de proximidade entre o governo suíço e o regime autoritário no Brasil.

Gaelle lembra que atuações como a de Jean Marc ia na contramão de outros eventos organizados por empresas e pelo próprio governo suíço:

“A comunidade empresarial tinha interesses no Brasil. Aqui na Suíça, eles organizavam jornadas culturais, jornadas econômicas, políticas, para divulgar uma imagem positiva do Brasil e ganhar opinião pública sobre a ditadura. Roberto Campos [ex-ministro do Planejamento no governo de Castello Branco] veio várias vezes aqui para dar palestras”.

Gabriella Lima, que também é pesquisadora na Universidade de Lausanne, concorda que a  presença de ativistas brasileiros incomodava:

“Esses movimentos de solidariedade colocavam em perigo os interesses deles no Brasil, porque eles [a opinião pública Suíça] podiam pedir, a qualquer momento, um boicote, como fizeram na África do Sul”, explica.  

Suíça sabia

Para Gaelle, o relatório policial confirma que o governo suíço não só monitorava ativistas brasileiros, mas também sabia das violações que aconteciam no Brasil.

“A gente vê em relatórios e em cartas que eles sabem que a polícia [brasileira] em geral é muito violenta. Eles tinham conhecimento do que estava acontecendo.”

Correspondências diplomáticas confirmam a cumplicidade Suíça. Uma delas é um documento, também em francês, com o título Tortura no Brasil de outubro de 1973. Nele, o cônsul suíço no Rio de Janeiro, Marcel Guelat, confirma ao Departamento de Política do Ministério das Relações Exteriores de seu país, que o Estado brasileiro cometia crimes:

“À semelhança do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), conhecido há muito tempo por sua brutalidade, certas unidades do exército, agora encarregadas de conduzir os processos relativos a atividades subversivas, começam a recorrer a diversos métodos de tortura: maus-tratos físicos, queimaduras, choques elétricos, câmara fria, etc”.

O documento faz um outro alerta às autoridades suíças: a de que a violência contra os opositores do regime era conhecida nas altas esferas do governo brasileiro: 

“Dada a disciplina militar que reina nas fileiras, parece-me improvável que esses fatos sejam ignorados nas altas esferas”.

Apesar dos relatórios polícias e diplomáticos, a Suíça não mediu esforços para manter boas relações com o governo ditatorial e passou a perseguir ativistas brasileiros. 

A dupla nacionalidade poupou Jean de uma expulsão. Mas outros exilados políticos não tiveram a mesma sorte. Foi o caso de Apolônio de Carvalho e Ladislau Dowbor. Os dois ex-presos políticos, que também tinham sido torturados no Brasil, foram expulsos da Suíça e tiveram os vistos cassados. O Estado suíço alegou quebra da neutralidade.  Apolônio de Carvalho tinha lutado na Guerra Civil Espanhola e era herói de guerra na França por atuar na resistência contra o nazismo de Hitler na Segunda Guerra Mundial. 

Em um informe, de novembro de 1970, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil para a Presidência da República comemorou a expulsão dos ativistas e atribuiu o sucesso às relações econômicas entre os dois países:

“Informação do MRE para o Senhor Presidente da República FORMAÇÃO DO MRE PARA O SENHOR PRESIDENTE DA REPÚBLICA, NOVEMBRO DE 1970.

(…) A rapidez com que as autoridades federais suíças decidiram expulsar do país os terroristas em questão parece-me dever-se (…) à firmeza com que reclamamos do comportamento do governo suíço no caso e indicamos os danos que causaria às nossas relações políticas e econômicas.

Nunca houve uma ruptura política ou econômica da Suíça com a ditadura brasileira. Nós questionamos a embaixada da Suíça no Brasil em relação a essa postura. Em nota eles responderam que: “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. A nota também “saúda” a realização de estudos independentes que permitam compreender o passado e promover o debate.

A reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos, o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: Relógio Suíço.

 

Comunicado aos Associados – Uso consciente da água

O Esporte Clube Pinheiros acompanha com atenção a redução dos níveis das represas que abastecem a cidade de São Paulo e a escassez de chuvas nos últimos meses. Diante desse cenário, reforçamos a importância da colaboração de todos para o uso consciente e responsável da água dentro do Clube.

Informamos que a irrigação dos jardins, quadras de tênis, quadras de areia e campos é realizada com água de reuso. Já o abastecimento de água potável do Clube provém em 65% de poços e 35% da rede da concessionária. Ainda assim, contamos com o engajamento de cada associado para reduzir o consumo no dia a dia.

O que você pode fazer:

  • Reduzir o tempo de banho e fechar o registro enquanto se ensaboa ou lava o cabelo;
  • Escovar os dentes utilizando apenas a quantidade necessária de água;
  • Evitar fazer a barba durante o banho;
  • Utilizar somente o necessário para higienizar materiais esportivos;
  • Incentivar as crianças a praticarem a economia de água com pequenos gestos no dia a dia;
  • Compartilhar dicas de uso consciente da água com outros associados, ampliando a conscientização.

Pequenas atitudes individuais somam grandes resultados coletivos. A colaboração de todos é essencial para que o Clube continue oferecendo suas atividades com responsabilidade e respeito ao meio ambiente.

Agradecemos pela compreensão e pelo engajamento de cada associado.

Semob-JP define plano operacional para procissão do Senhor Morto e eventos religiosos

A tradicional Procissão do Senhor Morto, que será realizada pela Arquidiocese da Paraíba, nas ruas do Centro da Capital, nesta sexta-feira (3), a partir das 16h, terá apoio operacional da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP). A autarquia de gerenciamento do trânsito municipal preparou um plano para garantir a segurança dos participantes do cortejo.

O superintendente de Mobilidade Urbana, Marcílio do HBE, destacou a importância do trabalho da Semob-JP e o significado do evento religioso para os cristãos. “Em um momento de tanta reflexão e significado para a nossa fé, a Semob mais uma vez se fará presente, garantindo a tranquilidade das pessoas que seguirão o cortejo de luto e contemplação. Vamos disponibilizar 10 viaturas e 25 agentes de mobilidade, para acompanhar o cortejo, durante a passagem da imagem do Senhor Morto”, destacou Marcílio do HBE.

Percurso – A procissão sairá, às 16h, da Basílica de Nossa Senhora das Neves, na Praça Dom Ulrico, seguindo pela Avenida General Osório, Praça Venâncio Neiva (Pavilhão do Chá), Praça João Pessoa, Praça 1817, segue pela Avenida Visconde de Pelotas, até chegar à Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Palácio do Bispo), na Praça Dom Adauto, local de encerramento do cortejo e dispersão dos fiéis, com a liberação dos trechos da procissão para o tráfego de veículos.

A Semob-JP também vai acompanhar outros eventos religiosos em diversos bairros, alusivos à Semana Santa, nesta sexta-feira (3), disponibilizando um total de 20 viaturas e 85 agentes de mobilidade na operação.

Suíça foi destaque no apoio à ditadura

Por MRNews

De camisa polo, sentado em uma varanda, cercado de folhagens tropicais e a três dias do verão carioca de 1970, o empresário suíço Anton Von Salis, então presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira, explicava porque os trabalhadores no Brasil podiam ganhar menos que os da Europa:

“As necessidades são totalmente diferentes. Aqui não faz frio. E eles têm casas. Podem ser casas relativamente simples, mas suficientes para a natureza do país. Mas certamente (…) é um valor bastante baixo”.

A declaração foi dada à RTS, a empresa de rádio e TV pública da Suíça. Para Von Salis o golpe que arrastou o Brasil para 21 anos de ditadura militar garantiu estabilidade, mão de obra barata e caminho aberto para o lucro do capital suíço. 

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Um levantamento feito por Gabriella Lima, pesquisadora da Universidade de Lausanne, na Suíça, comparou os salários pagos pelas 14 maiores multinacionais suíças, no ano de 1971, e mostrou como foi lucrativo para as empresas contar com um regime que sufocou sindicatos, impediu greves e silenciou reivindicações trabalhistas. 

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Entre os trabalhadores sem qualificação, o salário pago aqui no Brasil representava um quinto do que era pago a um operário suíço na mesma função. Incluindo a mão de obra profissionalizada a diferença diminui, mas em patamares bem vantajosos para o empregador: pouco mais da metade (57%) do salário suíço. 

A análise de Gabriella resultou no livro Don’t Miss The Bus (Não Perca o Bonde, em tradução livre), que ainda não foi traduzido para o português. Segundo a Gabriella, o capital suíço, de fato, não perdeu o bonde: 

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“As empresas suíças aproveitaram tudo que a ditadura tinha a oferecer. Não pagavam impostos nos dez primeiros anos [depois de instaladas no Brasil], não pagavam impostos sobre a remessa de lucros e tem a questão da mão de obra, o clima de ‘paz social’, o ‘gelo’ de salário, movimento operário fraco, criminalização do movimento social, da oposição, da esquerda, dos sindicatos, do movimento estudantil. Tudo isso, dava confiança no parceiro brasileiro”. 

Para Marco Antônio Rocha, professor do Instituto de Economia da Unicamp, a política de valorização do salário mínimo foi um dos estopins do golpe de 64 e que uma das primeiras medidas adotadas pelos militares foi alterar a política de reajuste da remuneração:

“O que o governo fez foi modificar a política de indexação do salário mínimo frente à inflação. Com uma inflação já bem elevada, isso significou que o salário mínimo ficou muito defasado de forma muito rápida. Em um a dois anos, ele perdeu cerca de 50% do poder de compra.”

Gabriella calculou quanto o achatamento dos salários aqui no Brasil ajudaram a encher os bolsos dos empresários suíços. 

“Eu tentei fazer uma estimativa de quanto as 14 maiores multinacionais suíças no Brasil, em 1971, conseguiram faturar com a mão de obra da classe operária brasileira. E cheguei a 80 milhões de francos só em 1971, para 14 empresas”. 

Anton Von Salis, presidente da Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira em entrevista para RTS, em 18 de dezembro de 1970 – Frame RTS

Investindo na opressão

A política de achatamento de salários e a estabilidade gerada pela opressão animou o capital suíço. Entre 1964 e até o final da década de 1970, a Suíça esteve entre os quatro países que mais investiram no Brasil. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Alemanha e revezando o terceiro lugar com o Japão. 

Mas proporcionalmente, o país foi o maior investidor em todo o período: uma média de $ 187,8 per capita. Um montante oito vezes maior que o investimento per capita da Alemanha, o segundo maior parceiro comercial do Brasil no período.  Nos anos de 1970, a Suíça tinha cerca de 7 milhões de habitantes.

“Se a gente dividir pelo número da população, o investimento suíço não é só o primeiro, mas o maior do que os nove outros maiores investidores”.

Em 1973, o investimento suíço no Brasil, o chamado IED (Investimento Estrangeiro Direto), foi de 1,1 bilhão de francos suíços, a moeda local vigente na época. Quase três vezes o PIB brasileiro no período. Em 1977, quatro anos depois, já era mais do que o dobro disso: 2,3 bilhões de francos suíços.  As empresas suíças estavam em vários setores: alimentação, metalurgia, petroquímica, laboratórios farmacêuticos e o sistema financeiro, os famosos bancos suíços.

Questionado sobre as denúncias de prisões arbitrárias e torturas que garantiam a estabilidade celebrada pelas multinacionais suíças, Von Salis minimizou: 

“Parece que sim [que existem violações]. Mas isso você tem em todos os países. Nesses casos.”

Sequestro

Local do sequestro do embaixador Suíço, em dezembro de 1970 – Foto: Podcast Perdas e Danos

No momento em que o presidente da Swisscam deu a entrevista para a RTS, a opinião pública suíça tinha motivos para estar de olho no que acontecia no Brasil: é que estava em curso o mais longo sequestro de um diplomata no país. 

O embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher, tinha sido sequestrado no dia 7 de dezembro de 1970, numa ação comandada pelo ex-capitão do exército Carlos Lamarca, líder da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), movimento de guerrilha urbana de oposição ao regime militar. Bucher só foi libertado 40 dias depois, em troca da liberdade de 70 presos políticos que seguiram em exílio para o Chile. 

A captura de diplomatas foi estratégia dos movimentos de esquerda no Brasil e na América Latina. A região enfrentava uma sucessão de golpes militares e governos entregues a ditadores alinhados, durante a Guerra Fria, aos EUA.  

No Brasil, além e Giovanni Bucher, outros três diplomatas também foram sequestrados: o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, entre 4 e 7 de setembro de 1969, o embaixador da Alemanha, Ehrenfried von Holleben, entre 11 e 16 de junho de 1970, e por último, o cônsul do Japão em São Paulo, Nobuo Okuchi, entre os dias 11 e 13 de março de 1971. Os quatro diplomatas representavam justamente os maiores parceiros comerciais do Brasil.

Outro lado

Nós entramos em contato com o governo Suíço por meio da embaixada no Brasil para entender como o país vê, hoje, o que aconteceu no passado. Por escrito, a Suíça respondeu que “uma resposta detalhada exigiria análises que não são possíveis no âmbito da administração federal suíça, pois demandam pesquisas históricas aprofundadas”. Mas disse que “saúda” a realização de estudos independentes e que esse tipo de trabalho contribui para compreender o passado e promover o debate. 

Também procuramos a Swisscam, a Câmara de Comércio Suíço Brasileira. Inicialmente, foi dada pra gente a oportunidade de consultar os arquivos da organização e foi prometida uma resposta. Mas, após detalharmos as dúvidas por e-mail, foi respondido por telefone que o presidente da Câmara de Comércio não tinha sido localizado e, por isso, não autorizariam o acesso aos arquivos, nem responderiam às perguntas. 

Essa reportagem faz parte do projeto Perdas e Danos,  o podcast que investiga a ditadura militar e que está na segunda temporada. Você encontra mais detalhes sobre a intrincada rede das relações diplomáticas entre a Suíça e o Brasil no episódio 1 da 2ª temporada: Relógio Suíço.

 

Casos de influenza A continuam a crescer no Brasil, diz Fiocruz

Por MRNews

O número de casos de influenza A permanece em crescimento no Brasil. De acordo com a nova edição do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a maior parte dos estados das regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste está em alerta por causa da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que representa risco ou alto risco com sinal de crescimento.

O Boletim alerta que a influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus são as causas na maioria dessas ocorrências de SRAG e podem resultar em morte nos casos mais graves.

Conforme os registros do InfoGripe, divulgados nesta quarta-feira (1º), nas quatro últimas semanas epidemiológicas, 27,4% foram casos positivos de influenza A; 1,5% de influenza B; 17,7% de vírus sincicial respiratório; 45,3% de rinovírus; e 7,3% de Sars-CoV-2 (covid-19).

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Nas anotações de óbitos em igual período, entre os registros positivos houve a presença destes mesmos vírus com 36,9% de influenza A, de 2,5% influenza B, 5,9% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 25,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). “O estudo é referente à Semana Epidemiológica 12, período de 22 a 28 de março”, acrescentou a Fiocruz no texto de divulgação do Boletim.

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Vacinação

Para os pesquisadores, diante desse quadro, a imunização contra a influenza se torna ainda mais necessária, o que pode ser facilitado pela Campanha Nacional de Vacinação que teve início no sábado passado (28), nessas regiões onde vem sendo registrado o avanço dos casos.

A ação, que é realizada anualmente pelo Ministério da Saúde, com apoio de estados e municípios, continua até 30 de maio e a população pode procurar a imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

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“É fundamental que pessoas dos grupos prioritários como idosos, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde e da educação estejam em dia com a vacina contra a influenza”, afirmou a pesquisadora da Fiocruz Tatiana Portella.

Ela chama atenção ainda para a importância das gestantes a partir da 28ª semana se vacinarem contra o VSR, para garantir proteção aos bebês desde o nascimento.

A pesquisadora recomendou também que as pessoas dos estados onde ocorrem evolução de SRAG usem máscaras em locais fechados e com maior aglomeração, principalmente, as que integram os grupos de risco. Tatiana Portella ressaltou, ainda, a importância de manter a higiene, como lavar sempre as mãos.

“Em caso de sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é manter o isolamento. Se isso não for possível, a orientação é sair de casa usando uma máscara de boa qualidade, como PFF2 ou N95”, sugeriu.

Informativo de março 2026 – Jardim de Infância

Gratidão A gratidão é um movimento, uma ação que exercemos e construímos de pouquinho em pouquinho, um dia de cada vez, ao assumirmos uma postura mais resiliente diante da vida. Aprendendo a agradecer mais e com sinceridade, traçamos um caminho de maior satisfação e percebemos que, na maioria das vezes, a nossa forma de olhar […]

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Agência Minas Gerais | Governo de Minas vistoria obras finais de nova Unidade Básica de Saúde (UBS) em Ubá

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, vistoriou, nesta quinta-feira (2/4), as obras de uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) em Ubá, na Zona da Mata.

Foram investidos cerca de R$ 2,8 milhões pelo Governo de Minas na unidade, que está na reta final das obras e tem previsão de começar a funcionar em breve. Localizada na Avenida Marta Nascimento Jabour, no Bairro Antônio Maranhão (Cibraci), a UBS vai ter capacidade de atender quase mil pessoas por mês.

“Essa é uma UBS tipo 3, é o nosso modelo mais completo. Nós estamos falando de uma UBS que contará com quatro cadeiras odontológicas, duas salas de ginecologia, quatro salas de atendimento multiprofissional, uma sala de curativos, uma sala de coleta, uma sala de triagem, uma sala de cuidados básicos e uma sala de vacinação”, destacou o governador, que ainda frisou que o atendimento vai abranger cerca de dez bairros do município.

“Ubá já era um foco da nossa atenção em Saúde antes do que aconteceu no começo desse ano, com a enchente. Mas é claro que, com essa tragédia, a gente fica ainda mais preocupado em garantir que tudo aqui esteja andando bem. E essas entregas seguem nesse sentido, de atender com qualidade e agilidade a população”, completou o chefe do Executivo estadual.

 

Investimentos

Entre 2019 e 2025, Ubá recebeu R$ 112 milhões em investimentos na área da saúde, destinados ao fortalecimento da rede pública e à ampliação do atendimento à população.

Desde 2022, o município também foi contemplado com recursos para a implantação de oito Unidades Básicas de Saúde (UBSs), totalizando R$ 17,1 milhões já repassados. Os investimentos incluem as unidades dos bairros Cibraci, Solar, São Judas Tadeu, Miragaia, Ubari, Tanquinho, Diamante e Xangrilá.

 

UBSs em Minas

As Unidades Básicas de Saúde são a porta de entrada dos serviços de saúde, e o Governo de Minas está empenhado em ampliar esse acesso a todos os mineiros. São mais de 380 unidades em construção, reforma, ou que serão inauguradas até 2026.

Grande parte dessas obras estava paralisada em gestões anteriores e foi retomada desde 2019, garantindo a continuidade de investimentos e a ampliação da cobertura da atenção básica, especialmente em regiões que historicamente enfrentavam vazios assistenciais.

 

Governo Presente

A vistoria da UBS faz parte da mobilização do Governo de Minas, que transferiu, de forma provisória, a capital do estado para Ubá, dentro da iniciativa Governo Presente.

Essa transferência se repetirá em 19 cidades mineiras até junho, com o objetivo de reconhecer a importância e valorizar cada uma das regiões mineiras, além de permitir que o governador possa conhecer ainda mais de perto as demandas dos moradores, incluindo cidades ao redor das respectivas capitais temporárias.

Prefeitura do Rio anuncia expansão do policiamento da Divisão de Elite da Guarda Municipal – Força Municipal para Campo Grande – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

Nova área foi anunciada durante reunião do Compstat Rio, que apresentou balanço das ações da última semana e da atuação em novo perímetro no Centro – Foto: Iago Campos/Prefeitura do Rio

O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, participou, nesta terça-feira (31/03), da reunião do Compstat Rio, onde foi anunciada a expansão da atuação da Divisão de Elite da GM-Rio – Força Municipal para um novo perímetro: o calçadão de Campo Grande, na Zona Oeste. O início das ações está previsto para o dia 12 de abril e seguirá o modelo adotado em outras áreas, com policiamento preventivo e ostensivo voltado ao combate a roubos e furtos.

— Estamos seguindo o planejamento. Tudo o que é feito no Compstat Rio é baseado em dados, em manchas criminais e em gestão. Já temos resultados com um efetivo bem treinado, bem remunerado, bem equipado, bem armado, bem monitorado e muito bem orientado. O próximo passo, a partir do dia 12 de abril, é avançar para o calçadão de Campo Grande, sempre com muito planejamento, avançando para as regiões com a maior concentração de roubos e furtos da cidade — disse o prefeito Eduardo Cavaliere.

A atuação é baseada na análise de manchas criminais e dados estatísticos, com direcionamento estratégico do efetivo para locais e horários com maior incidência desses crimes.

A reunião contou ainda com a presença do secretário de Segurança Urbana, Brenno Carnevale, e da diretora-geral da Força Municipal, Aimée de La Torre. Durante o encontro, também foi apresentado o balanço das ações realizadas na última semana (entre os dias 24 e 30 de março) nas três áreas de atuação da Divisão de Elite da Guarda Municipal – Força Municipal: Jardim de Alah, na Zona Sul; a região do entorno do Terminal Gentileza, da Rodoviária do Rio e da Estação Leopoldina, na região Central; além do novo perímetro implantado no dia 29 de março, que abrange a Avenida Presidente Vargas, o Campo de Santana, a Central do Brasil e a Cinelândia, no Centro.

Ao longo deste período (24 a 30/03), as equipes realizaram 31 conduções às delegacias da região, incluindo 11 menores de idade apreendidos. As ações fazem parte da estratégia de atuação preventiva e do modelo de policiamento ostensivo e proativo adotado pela Força Municipal. No mesmo balanço, foram destacadas situações de comportamentos atípicos e suspeitos, que resultaram em conduções por furto de aparelho de telefone celular, desacato e desobediência, adulteração de identificação de motocicleta, furto em uma farmácia, cumprimento de mandado de busca e apreensão, além da recuperação de uma motocicleta roubada no dia 28 de março, no Centro do Rio.

— Nós temos concentrado nossos esforços de policiamento preventivo nas manchas criminais, nas áreas com alta incidência de furtos e roubos e as ocorrências estão demonstrando a eficiência desse tipo de patrulhamento. Nós fizemos prisões de pessoas com motos roubadas, pessoas com celulares roubados, evitamos roubos na região da Presidente Vargas, tanto a ônibus, quanto à pedestres que estavam se encaminhando pro metrô. Então são ocorrências preventivas que estão permitindo maior segurança para as pessoas — disse Brenno Carnevale, secretário especial de Segurança Urbana.

Outros 18 perímetros do município já foram definidos para receber o policiamento da Divisão de Elite da GM-Rio. A implementação nessas áreas seguirá de forma faseada, em ordem estabelecida com base nas análises das manchas criminais apresentadas nas reuniões do Compstat Rio.

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